O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo alertou hoje que as consequências das tempestades deste ano agravaram o risco de incêndio rural na região, devido à acumulação de árvores derrubadas e combustível florestal nos terrenos.
"A expectativa para este verão, sem dúvida, aquilo que são as previsões, temos previsões complicadas", afirmou David Lobato, na apresentação do Plano de Operações Sub-regional do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026, que decorreu hoje no Sardoal, distrito de Santarém.
Segundo o responsável, o principal constrangimento operacional resulta da dificuldade de acesso aos terrenos florestais após as tempestades que afetaram vários concelhos da sub-região.
"Tínhamos árvores em pé e agora temos árvores no chão", declarou, indicando que a obstrução de caminhos em municípios como Ourém, Sardoal, Abrantes ou Ferreira do Zêzere pode atrasar o ataque inicial aos incêndios.
"Isso sim é complicado para nós, porque imagina irem três, quatro ou cinco veículos para um local e não conseguirem passar. O incêndio que era pequenino, devido à espera do combate iniciar, torna-se grande", acrescentou.
David Lobato afirmou que o dispositivo operacional para 2026 "é muito idêntico" ao dos últimos anos, embora com "menos uma equipa de combate e menos uma equipa de apoio logístico" relativamente a 2025.
A redução, disse, está relacionada com a escassez de recursos humanos nos corpos de bombeiros.
"É público aquilo que é a falta de recursos humanos na área dos bombeiros. Temos um problema efetivo no país e não é só no Médio Tejo", afirmou.
Ainda assim, considerou tratar-se de uma redução "residual", que não compromete a capacidade de resposta operacional da sub-região.
Durante o período de maior risco, entre julho e setembro, o dispositivo do Médio Tejo contará com 136 equipas, 448 operacionais, 135 veículos e quatro máquinas de rasto, propriedade dos municípios de Abrantes, Ferreira do Zêzere, Mação e Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo/ Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Os corpos de bombeiros representam a maior componente do dispositivo, com 107 equipas e 384 operacionais, complementados por equipas de sapadores florestais, Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR e Afocelca.
Ao nível aéreo, o dispositivo prevê até quatro meios na fase Delta, entre julho e setembro, incluindo helicópteros bombardeiros ligeiros e pesados.
David Lobato destacou como uma das principais novidades de 2026 o reforço da utilização de retardante no combate aos incêndios rurais.
"O aumento da capacidade de aplicação de retardante" constitui uma das melhorias do dispositivo, afirmou, indicando que, além de Santarém, os centros de meios aéreos de Proença-a-Nova e Cernache passam também a disponibilizar aeronaves com esta capacidade.
Segundo explicou, o retardante passará ainda a ser utilizado por helicópteros bombardeiros ligeiros e médios, permitindo "apoio às operações de modelação do incêndio e à construção de faixas de contenção".
O comandante sub-regional indicou também que a estratégia operacional continuará assente no "despacho imediato e musculado de meios", com pré-posicionamento preventivo de equipas em zonas consideradas mais críticas da sub-região.
"Todos os incêndios começam pequeninos", afirmou, defendendo que a rapidez da primeira intervenção continua a ser decisiva para evitar ocorrências de grande dimensão.
David Lobato alertou ainda para o peso das causas intencionais e negligentes nos incêndios rurais da região, considerando o incendiarismo uma das principais preocupações operacionais.
"Temos uma taxa de incendiarismo brutal", afirmou, apelando à população para comunicar situações suspeitas às autoridades.
O responsável adiantou que o Médio Tejo registou desde o início do ano 66 incêndios rurais, classificando 2026, ao momento, como "o terceiro pior ano desde 2016 em termos de ocorrências".
Na sessão, o presidente da CIM do Médio Tejo defendeu a importância do ataque inicial e do envolvimento das estruturas locais no combate aos incêndios, além de elogiar o trabalho do comando sub-regional de proteção civil.
Manuel Jorge Valamatos considerou que seria "um retrocesso de gestão dos territórios" acabar com os comandos sub-regionais, defendendo a manutenção da estrutura do Médio Tejo.
O autarca destacou ainda o papel das juntas de freguesia, associações de caçadores e empresas florestais no apoio à vigilância e primeira intervenção no território.
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