Agora é a vez delas: tem Copa do Mundo Feminina em 2027 A Fifa lançou, nesta terça-feira, a estratégia de sustentabilidade e direitos humanos da entidade para a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil. São 15 metas e 27 iniciativas ligadas à responsabilidade ambiental, econômica, com estratégias de governança e de combate ao assédio e à discriminação. Entre as medidas previstas, está a operação de um sistema de denúncias e encaminhamento de casos de abuso e assédio durante a competição. O documento de 20 páginas destrincha impactos da Copa no país, números do torneio, o contexto mundial e local, além da missão e os pilares da estratégia. Veja a lista completa no fim. + CBF transformará lixo das competições em bolas de futebol + CBF monta programa de ensino e estuda como tornar obrigatório Taça da Copa do Mundo Feminina é exposta em evento de um ano para o torneio, em Miami Cahê Mota / ge As estratégias são montadas pela Fifa para cada evento e adaptadas às condições dos países-sede, com a proposta de serem implementadas antes, durante e depois do Mundial. São quatro pilares: social, ambiental, econômico e de governança. É a terceira Copa Feminina com uma estratégia de sustentabilidade e direitos humanos, e uma curiosidade é que o Mundial masculino de 2014, também sediado no Brasil, foi o primeiro torneio da Fifa com um plano do gênero. + Márcia Tafarel avalia Seleção como candidata à finalista da Copa Brasil vai sediar a Copa do Mundo feminina no ano que vem Para montar a estratégia de 2027, a Fifa elaborou uma lista de possíveis temas e ouviu 159 partes interessadas, incluindo pessoas ligadas ao Governo Federal, aos governos estaduais, às cidades-sede, aos estádios, aos centros de treinamento, a parceiros comerciais e de organizações que representam torcedores, assim como grupos comunitários e organizações não governamentais. Foram 52 colaboradores da Fifa e 107 participantes externos, sendo que 92 pessoas do total de participantes residem no Brasil e 67 vivem fora do país. Os pilares da estratégia Social: respeito aos direitos humanos Promover uma experiência de torneio mais inclusiva e segura Implementar políticas e procedimentos de direitos humanos, inclusão, salvaguarda e combate à discriminação que visam a identificar, tratar e reduzir a probabilidade de impactos negativos que possam ser exacerbados pelas operações do torneio. Implementar esforços para facilitar a participação significativa e a inclusão de grupos sub-representados que possam ser impactados de forma desproporcional pelo torneio. Implementar medidas que ajudem a permitir que as partes interessadas exerçam sua liberdade de expressão em relação ao torneio, de acordo com os regulamentos da FIFA e a legislação local. Engajar as Cidades‑sede com o objetivo de aumentar as oportunidades de celebrar a diversidade e a inclusão das comunidades locais. Implementar a Política sobre Tabaco para Eventos da FIFA para proteger não fumantes de fumo passivo. Salvaguardar as partes interessadas relevantes contra danos Engajar com o país-sede e as Cidades‑sede para promover suas medidas preventivas e seus mecanismos de resposta local que reduziriam a probabilidade de danos de abuso e assédio que podem afetar as pessoas impactadas pelo torneio, com ênfase especial em crianças e outros grupos com maior risco de sofrer danos. Operar um sistema de denúncias e encaminhamento dos casos durante o torneio. Fornecer uma resposta sensível ao trauma para apoiar as pessoas que precisam de proteção, conforme for necessário, durante o torneio. Oferecer locais de evento e serviços acessíveis para pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida Engajar as autoridades dos estádios com o objetivo de incorporar infraestruturas e serviços acessíveis, tanto permanentes quanto temporários, que estejam em conformidade com os princípios de design inclusivo, as normas de acessibilidade da FIFA e a legislação local. Engajar as Cidades‑sede e outras partes interessadas relevantes com o objetivo de incorporar a acessibilidade além do estádio, de acordo com as normas de acessibilidade da FIFA e a legislação local. Proteger os direitos dos trabalhadores Implementar processos de devida diligência em direitos humanos para mitigar o risco de exposição a riscos de direitos humanos e reduzir a gravidade dos impactos sobre os trabalhadores diretamente envolvidos na preparação e realização do evento e em todas as cadeias de suprimentos relacionadas ao torneio. Fornecer um mecanismo de denúncia Manter um mecanismo de denúncia centralizado e confidencial por meio do qual qualquer indivíduo possa expressar preocupações ou fazer reclamações relacionadas ao torneio. Ambiental: visar a redução dos impactos ambientais Medir e abordar as emissões de gases de efeito estufa do torneio Desenvolver um inventário de emissões de gases de efeito estufa para o torneio. Engajar as partes interessadas para identificar medidas que visam mitigar as emissões de gases de efeito estufa. Estimular a redução de resíduos sólidos, bem como a reutilização e a reciclagem nos estádios Adotar medidas que visam evitar e reduzir resíduos sólidos. Trabalhar com as partes interessadas locais para implementar processos de coleta seletiva, reaproveitamento, compostagem e reciclagem de materiais relacionados ao evento, sempre que possível. Administrar soluções para facilitar a reutilização de bens após o torneio, sempre que possível. Promover a sustentabilidade dos estádios Engajar as autoridades dos estádios para melhorar a sustentabilidade de suas operações e reformas, incluindo por meio de certificação e alinhamento com os requisitos para sediar eventos da FIFA. Promover a biodiversidade e fomentar a proteção animal Engajar as Cidades‑sede visando promover a conscientização sobre proteção e valorização da flora e fauna nas áreas impactadas pelo torneio. Colaborar com as partes interessadas para ajudar a garantir que os animais potencialmente presentes nos locais do torneio sejam tratados de forma adequada. Econômico: contribuir para o desenvolvimento econômico local Promover aquisições locais Permitir que as empresas do país-sede se tornem fornecedoras do evento e buscar priorizar as aquisições nas regiões geográficas das respectivas Cidades‑sede. Promover o uso de longo prazo dos bens do torneio usados nos estádios Administrar soluções para facilitar a reutilização de bens após o torneio, sempre que possível. Governança: estabelecer e manter sistemas de boa gestão Aplicar uma abordagem baseada em um sistema de gestão de sustentabilidade de eventos Desenvolver planos de ação para implementar cada iniciativa desta estratégia, com funções, responsabilidades, recursos e cronogramas definidos, que serão revisados trimestralmente para acompanhar tanto o progresso quanto o desempenho, com o objetivo final de cumprir obrigações, gerenciar riscos e aproveitar oportunidades relacionadas a temas sociais, ambientais e econômicos. Capacitar e desenvolver conhecimento sobre temas de sustentabilidade e direitos humanos Fornecer treinamento para as partes interessadas relevantes a fim de apoiar a implementação de suas responsabilidades de sustentabilidade e de direitos humanos. Promover a conscientização sobre temas de sustentabilidade e de direitos humanos entre as partes interessadas. Aplicar o Código de Aquisições Sustentáveis da FIFA Incorporar o Código de Aquisições Sustentáveis da FIFA aos processos de aquisição do torneio com o objetivo de proteger os direitos humanos e trabalhistas, reduzir o impacto ambiental e contribuir para o desenvolvimento econômico local. Facilitar o compartilhamento de conhecimento sobre sustentabilidade e direitos humanos Comunicar sobre a implementação da Estratégia de Sustentabilidade & Direitos Humanos da Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027. Compartilhar conhecimentos sobre tópicos de sustentabilidade e de direitos humanos com as pessoas que estarão envolvidas nos futuros torneios da FIFA e em todo o setor esportivo.