O Santos está mudando de patamar após as contratações que fez no final da janela de transferência. Das cinco contratações, quatro já estrearam, trazendo maior rendimento técnico da equipe e resultados imediatos na tabela de classificação. O Santos já está na décima colocação com 35 pontos. Esse afastamento do Z4 é importante neste final de temporada e traz maior tranquilidade para que a equipe possa evoluir técnica e taticamente. O Vasco, que abre a zona da degola, está com 28 pontos, o equivale dizer que o time da Vila está a caminho de se salvar do rebaixamento. Além disso, existem boas possibilidades do Peixe chegar à final da Copa Sul-Americana. Está disputando a fase de quartas de final, com relativa vantagem para o segundo confronto desta fase, pois venceu o Atlético-MG por 2 a 0 no primeiro confronto. Poderá perder por até um gol de diferença, que ainda mantém a classificação para a semifinal, que provavelmente será contra o time peruano Cienciano. O principal feito do Cienciano foi ter eliminado o Botafogo nesta edição da Copa Sul-Americana, pois venceu o time carioca por 6 a 1, em jogo disputado na fase de oitavas de final, jogando em casa. Mas, no jogo de volta desta mesma fase foi derrotado por 1 a 0 no Rio de Janeiro. O Cienciano é sediado em Cusco, no Peru, que tem altitude de 3.400 m acima do nível do mar, o que pode ser até um fator favorável ao Santos, se estiver livre do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, podendo direcionar todas suas atenções para a Copa Sul-Americana. O fato é que a melhora técnica e tática foi substancial nos últimos jogos, ficando mais latente na rodada 27, no jogo contra o Cruzeiro, disputado na Vila Belmiro. Sem os titulares Neymar, Gabriel Barbosa e Barreal, mas com o atacante Everton Cebolinha estreando com a camisa 7, o Santos venceu por 2 a 1. O esquema utilizado por Cuca foi 4-3-3, que deu liberdade para Everton Cebolinha flutuar, da ponta esquerda para o centro do campo, tornando a equipe santista mais criativa Além de Cebolinha, o volante Arthur, o lateral direito Rodinei e o meio-campista Lima, são os reforços contratados. Com eles já em campo o time da Vila apresentou amplo volume de jogo, dando a impressão de que poderia ter vencido por um placar mais elástico, principalmente pelas chances criadas no primeiro tempo da partida. O vértice do meio-campo da equipe, Rollheiser, também teve liberdade neste jogo, fazendo a conexão entre os setores. Neste ano, várias vezes fiz críticas ao Santos, pois quando Neymar estava ausente, Rollheiser ficava extremamente sobrecarregado e não conseguia fazer a equipe evoluir ofensivamente. Além de que, quando sofria marcação severa do adversário, desestruturava o time taticamente. O meio-campista Philippe Coutinho é a quinta contratação feita pelo Santos e será outra boa opção para qualificar a distribuição do meio-campo santista. Talvez seja a solução para suprir as ausências de Neymar, que são relativamente frequentes. Outro fator diferencial foi a movimentação do Santos contra o Cruzeiro, que em vários momentos conseguiu envolver a defesa da Raposa, até com certa facilidade. Com total de 534 passes santistas, contra 421 do time mineiro, foram verificadas 31 finalizações do Santos contra apenas 9 do Cruzeiro. Assim, o goleiro cruzeirense, Otávio, teve papel relevante para que o placar não fosse ampliado. Em passado não muito distante, essa realidade era impensável para os padrões santistas, pois o goleiro Brazão foi destaque em várias partidas para evitar derrotas. Isso mostra que o Santos está coletivamente mais organizado. O lateral Rodinei, que atuava no futebol grego, funciona como ala dando profundidade ao setor direito, mas tem qualidade para funcionar também como meio-campista, tornando a equipe muito criativa. A qualidade da dupla de volantes, Arthur e Gabriel Bontempo, além de serem bons marcadores, também qualificam a saída de bola, o que torna o time mais técnico. Agora, podemos falar, com segurança, que Cuca dispõe de peças de reposição para montar uma equipe mais forte ofensivamente e completar a intensidade que o esquema já mostrava. Defensivamente, Luan Peres e Lucas Veríssimo fazem bem seus papéis e no momento não trazem grandes preocupações ao técnico. É animador poder trazer visão mais otimista do Santos, mas como no futebol uma atuação não é amostra significativa para qualificar melhora real de rendimento, espero que essa situação se prolongue e leve o Santos de volta ao lugar de referência que o clube sempre ocupou.