Nova crise ameaça continuidade de Infantino como presidente da Fifa, diz TV inglesa
Infantino explica proposta de empresa para gerenciar operações da Fifa A crise aberta pelo projeto de venda da organização de competições da Fifa a investidores privados minou a confiança de dirigentes ao redor do mundo na permanência de Gianni Infantino na presidência da entidade, segundo informa reportagem da "Sky Sports", da Inglaterra. FIFA x UEFA: Europeus ameaçam Copa de 2030 Os primeiros impactos negativos da proposta de Infantino vieram da Uefa e da Concacaf, que rejeitaram de imediato a ideia. A associação europeia foi além e anunciou um boicote das suas 55 seleções à Copa do Mundo caso Infantino insista no projeto. Somadas, Uefa e Concacaf representam 96 associações nacionais filiadas à Fifa, 43% dos 211 membros da entidade presidida por Infantino. A Fifa deu o prazo de 19 de setembro para as associações nacionais votarem sobre a aprovação ou não da criação do fundo de investimento privado. Gianni Infantino, presidente da Fifa Eloisa Sanchez/REUTERS A Confederação Asiática de Futebol não se posicionou oficialmente, mas teceu duras críticas à proposta em nota oficial. As confederações da África e da Oceania marcaram reuniões extraordinárias para debater o assunto. A Conmebol ainda não se manifestou oficialmente. Ainda segundo a "Sky Sports", aumenta a "crença de que Infantino não conseguirá sobreviver a esta última controvérsia, com uma revolta aberta contra a Fifa entre os seus membros". Infantino afirma que venda de ações da Fifa passará por votação e cita desejo de criar novos Cabos Verdes Irmão de genro de Trump será responsável por distribuir ações de nova empresa da Fifa; entenda Fifa x Uefa: europeus ameaçam Copa de 2030 Escândalo derrubou antecessor de Infantino A reportagem, porém, esclarece que não existe um processo claro sobre como essa insatisfação poderia resultar na saída de Infantino do cargo. Seu antecessor, Joseph Blatter, antecipou sua saída devido à crise do Fifagate - um escândalo de corrupção que levou diversos presidentes de federações nacionais à cadeia. Blatter convocou em 2016 um congresso extraordinário da Fifa, que elegeu Infantino como seu sucessor. O atual presidente da Fifa foi reeleito por aclamação em 2019 e 2023, e seu atual mandato tem duração até 2027, quando deverá enfrentar pela primeira vez dificuldades para se manter na presidência. Infantino vem enfrentando críticas desde a preparação da Copa do Mundo, com decisões controversas como a criação do Prêmio da Paz da Fifa. entregue ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Outro momento de tensão ocorreu durante o Mundial, quando Trump recorreu à Fifa para retirar a suspensão automática do atacante americano Folarin Balogun, que foi liberado para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final, mesmo tendo recebido um cartão vermelho contra a Bósnia e Herzegovina no jogo anterior, pela segunda fase. Boicote pode afetar a Copa do Mundo Até o momento, a Uefa foi a federação continental a apresentar as mais duras críticas aos planos de Infantino, com a promessa de um boicote a qualquer competição da Fifa se a proposta for aprovada. O boicote prejudicaria, por exemplo, a Copa do Mundo Feminina 2027, que será realizada no meio do ano que vem no Brasil. A proposta da Fifa foi anunciada na última terça. A ideia é criar uma empresa privada, que opere a comercialização e organização de todas as competições da entidade. Ancelotti admite erros na Copa e encerra ciclo de veteranos A Uefa foi uma das primeiras organizações a se posicionar contra e recebeu apoio da Concacaf - confederação da América do Norte, Central e Caribe - e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Essas três entidades representam 143 dos 211 membros da Fifa, ampla maioria. Fifa pretende criar empresa para fazer a operação de suas principais competições A Fifa divulgou um vídeo na quarta com Infantino dando seus argumentos para a proposta de venda das ações. O presidente da entidade afirmou que a ideia passará por uma votação com todas as associações-membro e pelo conselho da organização. Uefa convoca reunião emergencial nesta quinta em oposição à ideia da Fifa de vender suas ações Infantino também disse que a venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares. A Fifa espera arrecadar 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) com o projeto. Confira parte do nota da Uefa: "A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda. É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial. Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma "decisão democrática", mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global. No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo" Entenda o caso A empresa a ser criada na proposta é a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da entidade. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações comerciais e as principais competições. Gianni Infantino, presidente da Fifa, discursa em encontro com Donald Trump Evan Vucci TPX IMAGES OF THE DAY/REUTERS A Fifa acredita que a FFE valeria no total 20 bilhões de dólares (R$ 102,3 bilhões). Por isso, diz que a venda do equivalente a 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) em ações significaria que os investidores privados seriam minoritários na nova empresa. Com o dinheiro arrecadado, a Fifa promete aumentar a quantia distribuída para a federação de cada país membro da entidade. Atualmente, ela paga R$ 41 milhões para cada país. Se o plano for aprovado, a quantia poderia chegar a R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e 123 milhões até 2038. Na nota publicada em seu site oficial, a Fifa diz que a injeção de dinheiro privado pode ser decisiva para "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base".
Infantino explica proposta de empresa para gerenciar operações da Fifa A crise aberta pelo projeto de venda da organização de competições da Fifa a investidores privados minou a confiança de dirigentes ao redor do mundo na permanência de Gianni Infantino na presidência da entidade, segundo informa reportagem da "Sky Sports", da Inglaterra. FIFA x UEFA: Europeus ameaçam Copa de 2030 Os primeiros impactos negativos da proposta de Infantino vieram da Uefa e da Concacaf, que rejeitaram de imediato a ideia. A associação europeia foi além e anunciou um boicote das suas 55 seleções à Copa do Mundo caso Infantino insista no projeto. Somadas, Uefa e Concacaf representam 96 associações nacionais filiadas à Fifa, 43% dos 211 membros da entidade presidida por Infantino. A Fifa deu o prazo de 19 de setembro para as associações nacionais votarem sobre a aprovação ou não da criação do fundo de investimento privado. Gianni Infantino, presidente da Fifa Eloisa Sanchez/REUTERS A Confederação Asiática de Futebol não se posicionou oficialmente, mas teceu duras críticas à proposta em nota oficial. As confederações da África e da Oceania marcaram reuniões extraordinárias para debater o assunto. A Conmebol ainda não se manifestou oficialmente. Ainda segundo a "Sky Sports", aumenta a "crença de que Infantino não conseguirá sobreviver a esta última controvérsia, com uma revolta aberta contra a Fifa entre os seus membros". Infantino afirma que venda de ações da Fifa passará por votação e cita desejo de criar novos Cabos Verdes Irmão de genro de Trump será responsável por distribuir ações de nova empresa da Fifa; entenda Fifa x Uefa: europeus ameaçam Copa de 2030 Escândalo derrubou antecessor de Infantino A reportagem, porém, esclarece que não existe um processo claro sobre como essa insatisfação poderia resultar na saída de Infantino do cargo. Seu antecessor, Joseph Blatter, antecipou sua saída devido à crise do Fifagate - um escândalo de corrupção que levou diversos presidentes de federações nacionais à cadeia. Blatter convocou em 2016 um congresso extraordinário da Fifa, que elegeu Infantino como seu sucessor. O atual presidente da Fifa foi reeleito por aclamação em 2019 e 2023, e seu atual mandato tem duração até 2027, quando deverá enfrentar pela primeira vez dificuldades para se manter na presidência. Infantino vem enfrentando críticas desde a preparação da Copa do Mundo, com decisões controversas como a criação do Prêmio da Paz da Fifa. entregue ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Outro momento de tensão ocorreu durante o Mundial, quando Trump recorreu à Fifa para retirar a suspensão automática do atacante americano Folarin Balogun, que foi liberado para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final, mesmo tendo recebido um cartão vermelho contra a Bósnia e Herzegovina no jogo anterior, pela segunda fase. Boicote pode afetar a Copa do Mundo Até o momento, a Uefa foi a federação continental a apresentar as mais duras críticas aos planos de Infantino, com a promessa de um boicote a qualquer competição da Fifa se a proposta for aprovada. O boicote prejudicaria, por exemplo, a Copa do Mundo Feminina 2027, que será realizada no meio do ano que vem no Brasil. A proposta da Fifa foi anunciada na última terça. A ideia é criar uma empresa privada, que opere a comercialização e organização de todas as competições da entidade. Ancelotti admite erros na Copa e encerra ciclo de veteranos A Uefa foi uma das primeiras organizações a se posicionar contra e recebeu apoio da Concacaf - confederação da América do Norte, Central e Caribe - e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Essas três entidades representam 143 dos 211 membros da Fifa, ampla maioria. Fifa pretende criar empresa para fazer a operação de suas principais competições A Fifa divulgou um vídeo na quarta com Infantino dando seus argumentos para a proposta de venda das ações. O presidente da entidade afirmou que a ideia passará por uma votação com todas as associações-membro e pelo conselho da organização. Uefa convoca reunião emergencial nesta quinta em oposição à ideia da Fifa de vender suas ações Infantino também disse que a venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares. A Fifa espera arrecadar 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) com o projeto. Confira parte do nota da Uefa: "A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda. É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial. Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma "decisão democrática", mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global. No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo" Entenda o caso A empresa a ser criada na proposta é a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da entidade. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações comerciais e as principais competições. Gianni Infantino, presidente da Fifa, discursa em encontro com Donald Trump Evan Vucci TPX IMAGES OF THE DAY/REUTERS A Fifa acredita que a FFE valeria no total 20 bilhões de dólares (R$ 102,3 bilhões). Por isso, diz que a venda do equivalente a 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) em ações significaria que os investidores privados seriam minoritários na nova empresa. Com o dinheiro arrecadado, a Fifa promete aumentar a quantia distribuída para a federação de cada país membro da entidade. Atualmente, ela paga R$ 41 milhões para cada país. Se o plano for aprovado, a quantia poderia chegar a R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e 123 milhões até 2038. Na nota publicada em seu site oficial, a Fifa diz que a injeção de dinheiro privado pode ser decisiva para "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base".
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