Mirassol x Botafogo: informações e palpite para o jogo O currículo de quase sete anos no comando da seleção brasileira fala por si só sobre Adenor Leonardo Bacchi, mais conhecido como Tite. O treinador viveu a experiência de duas Copas do Mundo depois de ter uma carreira vitoriosa comandando clubes do futebol brasileiro - e uma rápida passagem fora do Brasil. Agora, no comando do Botafogo, Tite tem a missão de reencontrar a boa fase à frente de um clube, após passagens por Cruzeiro e Flamengo que, depois da Seleção, geraram questionamentos. Tite em primeiro contato com jogadores no CT do Botafogo Vitor Silva/BFR Tite fará a estreia no comando do Botafogo, neste sábado, contra o Mirassol, pela 28ª rodada do Brasileirão. E tem no clube um novo desafio e a chance de se provar mais uma vez. No Cruzeiro, Tite assumiu no início desta temporada e terminou a passagem com um aproveitamento de 52,9%: foram oito vitórias, três empates e seis derrotas. Conquistou o Campeonato Mineiro, título que o clube não vencia desde 2019. No entanto, não resistiu no cargo após pressão pelo início ruim no Brasileirão, que começou com uma derrota por 4 a 0 para o Botafogo de Martín Anselmi. Antes de assumir o Cruzeiro, viveu 2025 como mais um ano sabático na carreira. A decisão aconteceu após a passagem pelo Flamengo, que durou de outubro de 2023 a setembro de 2024. No clube, conquistou um Campeonato Carioca e te o aproveitamento foi de 65,7%: foram 41 vitórias, 11 empates e 16 derrotas. A diretoria decidiu pela demissão ao considerar o trabalho estagnado, após a eliminação para o Peñarol, na Libertadores, e o empate com o Athletico, pelo Brasileirão. Equipe do Troca de Passes debate a chegada de Tite ao Botafogo A passagem pela Seleção durou um ciclo e meio e duas Copas do Mundo (2018 e 2022). Tite deixou o comando com 80% de aproveitamento em 81 jogos: foram 60 vitórias, 15 empates e apenas seis derrotas. Neste período, o Brasil foi campeão da Copa América em 2019. A trajetória se encerrou após a Copa do Mundo do Catar, em dezembro de 2022. Diante de mais um cenário de recomeço para um dos treinadores mais vitoriosos do Brasil, o ge ouviu três comentaristas da Globo sobre os últimos trabalhos e o que esperar de Tite no Botafogo. Veja as respostas abaixo: Ana Thaís Matos – Claro que, ao observar o trabalho do Tite do ponto de vista dos resultados, tanto no Cruzeiro quanto no Flamengo, ele não aconteceu como se esperava. Só que, se você olhar também pelo lado da performance, também não aconteceu. Qual era o grande projeto do Cruzeiro? Fazer com que o time se tornasse competitivo, tal qual Flamengo e Palmeiras. E ele tinha ótimas peças. O Cruzeiro tinha, e tem até hoje, grandes jogadores. O Tite recebeu bons jogadores, uma proposta de grandes investimentos, como o Cruzeiro tem feito, e eu acho que faltou um pouco desse entendimento entre o que o clube queria e o que o clube esperava do treinador. Tite é apresentado como novo técnico do Botafogo no Nilton Santos – O Tite ficou marcado por times muito competitivos do ponto de vista defensivo. Teve o Corinthians de 2015, que foi uma equipe mais agressiva, mas porque ele tinha outros tipos de jogadores. E aí o projeto, que era para ser um sucesso no Cruzeiro, acabou não sendo. Acho que isso passa muito pelo que o Tite é como treinador hoje, atualmente. Não era o que o Cruzeiro precisava naquele momento, e isso ficou muito claro com a escolha posterior do clube. – No Flamengo, a expectativa também era ótima, com altos investimentos. Tanto que ele chega tendo como prioridade o Campeonato Carioca e faz o campeonato como tinha que fazer. Só que, quando você tem um grande elenco, e é um time muito visado e não possui planos paralelos para fazer com que a equipe seja, além de competitiva, mais criativa, isso mais uma vez se mostra como um fator limitante para o estilo de trabalho do Tite como treinador. Então, acho que o insucesso dele tanto no Cruzeiro quanto no Flamengo, em proporções diferentes, passa pelo momento dele como treinador e pelo que esses dois times precisavam, que não era aquilo que o Tite tinha para entregar. – Agora, no Botafogo, eu acho que é uma situação muito parecida com a que ele viveu no próprio Flamengo quando chegou, para reorganizar a casa na reta final, mas especialmente com a chegada dele ao Corinthians, em 2010. O Corinthians perde o Mano para a Seleção, era líder e acaba perdendo aquele campeonato na reta final. Ele chega para reestruturar a equipe e reestrutura para depois viver tudo o que viveria: campeão brasileiro em 2011, campeão da Libertadores, campeão mundial e toda aquela história que posteriormente o levou à Seleção. Tite e Matheus Bachi em treino do Botafogo Vitor Silva/Botafogo. – O que eu espero do Tite é entender qual é a energia dele para ser técnico de futebol nos dias de hoje. Agora, com esse novo projeto do Botafogo, que é um clube completamente diferente, com uma estrutura política diferente daquilo a que ele está acostumado, a sensação que eu tenho é de que o Tite quer trabalhar e, pela informação que eu tenho, ele gostou de retomar o trabalho em clubes depois da Seleção. – Só que a sensação que existe hoje ainda é de que o Tite quer transformar o filho dele (Matheus Bachi, seu auxiliar) em técnico de futebol e que ele continua emprestando a própria imagem e os bons trabalhos que teve no passado, não muito distante, como uma espécie de válvula que pode inflar ou não a carreira do Matheus. Essa é a grande dúvida que eu tenho: qual é o treinador que o Botafogo está contratando? É o treinador Tite ou é o treinador Tite que quer transformar o Matheus em treinador de futebol? Matheus tem formação e tem direito de traçar seu caminho como Davide Ancelotti, Lucas Braga (filho do Dorival). Acontece que o Botafogo está precisando da liderança de um treinador depois de tantos fracassos com apostas. Então, o que todo mundo que acompanha o trabalho do Tite espera é a volta por cima dele, e se essa volta por cima for de sucesso ela possa sim impulsionar a carreira do Matheus, mas o mais importante é a marca do trabalho do Tite que não temos notícias desde a saída da seleção brasileira – disse Ana Thaís Matos. Paulo César Vasconcellos – No Flamengo e no Cruzeiro, neste mais do que naquele, faltou construir uma relação de cumplicidade com os jogadores. Tite é um dos melhores treinadores brasileiros deste século, mas isso não basta para a confecção de um bom trabalho. A palavra recomeço pode soar um pouco forte para quem tem este currículo. A substituiria por desafio. As ideias e o ótimo profissional continuam a existir. Mas é preciso mostrar isso na prática. Talento o Tite possui e o elenco do Botafogo, com jogadores de caráter e talento, pode ajudar. Precisa estabelecer uma relação de cumplicidade, que ele já conseguiu em outra situações. Quando assumiu a Seleção nas eliminatórias para a Copa de 18, o descrédito acompanhava o time. E o resto é história! – disse o comentarista. Veja as reações de Tite na vitória do Botafogo sobre o Grêmio Rodrigo Coutinho – Falar do Tite taticamente é uma coisa até relativamente fácil, porque as equipes dele não mudam tanto o sentido de organização coletiva. Geralmente jogam no 4-2-3-1 ou no 4-3-3. A variação que existe é essa. Às vezes, até para atacar, para defender, ele usa essa variação. Saídas de bola quase sempre ali com os dois zagueiros e dois laterais alinhados, e os volantes à frente. É um treinador que preza, pelo menos nos trabalhos recentes, pela posse de bola. Eu acho que há um equívoco quando vai se analisar o Tite, de que é um treinador retranqueiro. Isso não é verdade. O Tite gosta que as equipes dele tenham a bola, que marquem o campo de ataque. – A questão é a agressividade dos times dele. Esse é um ponto que eu pego do Flamengo e do Cruzeiro, principalmente do Cruzeiro. Flamengo só apareceu mais no final do trabalho. Às vezes, são equipes que ficam muito tempo com a bola, que mostram organização para circular a bola, mas que, quando se aproximam da área, têm menos repertório do que deveriam. Não há tanto repertório de jogadas ou situações para deixar os jogadores que mais desequilibram de maneira favorável em campo. Acho que no Flamengo isso aconteceu durante um tempo. Acho que ele começa bem no Flamengo, depois ele cai bastante. A ponto, inclusive, de perder um outro detalhe que quase sempre aparece nos times dele, que é o equilíbrio defensivo. Tite em primeiro dia no Botafogo Vitor Silva/Botafogo. – Raramente, a gente vai ver as equipes do Tite com sete jogadores à frente da linha da bola. Geralmente, ele bota seis à frente da linha da bola, quatro atrás da linha da bola, quando o time está atacando. Para quê? Para garantir uma transição defensiva segura, para não ceder contra o golpe ao adversário. Na reta final do Flamengo isso não funcionou, o time acabava se desorganizando. Levou muitos gols, levou até uma goleada do Botafogo, aquele Botafogo foi campeão do Brasileiro e da Libertadores. – E, no Cruzeiro, achei sempre um time muito sem vibração. Um time que aceitava passivamente algumas derrotas, que não era tão impositivo, e isso acho que tem a ver também com o trabalho da comissão técnica. Não era um time desorganizado, mas era um time que parecia que não tinha alma em campo. Não tinha algo ali que movesse os jogadores. Óbvio que não é só do treinador, da comissão técnica, mas também passa por isso, tanto é que depois a equipe melhorou nesse sentido. – Acho que, taticamente, são equipes que jogam assim: dificilmente os dois laterais avançando simultaneamente. Geralmente um vai e o outro fica, um volante mais fixo, um ponta mais preso, outro ponta que circula mais o campo. No Flamengo, o Gerson que fazia isso, a partir do lado direito. No Cruzeiro era o Christian que fazia isso. No Botafogo deve ser o Montoro, ele já fazia esse papel, e aí abrindo o corredor para o Alex Telles atacar. E, quando o Vitinho atacar pelo outro lado, o ponta do lado direito fazendo o mesmo movimento, ou o Vitinho atacando por dentro do ponta mais aberto. Acho que o Danilo tem tudo para se dar muito bem com o Tite, porque o Tite, ao longo da carreira, trabalhou com meio-campistas que tinham um bom timing de entrada na área, principalmente o Paulinho. O Paulinho fez muito gol com o Tite na Seleção e no Corinthians. Tite sabe explorar bem esse jogador que chega como elemento de surpresa, como o Danilo geralmente faz. + ✅Clique aqui para seguir o canal ge Botafogo no WhatsApp 🗞️ Leia mais notícias do Botafogo 🎧 Ouça o podcast ge Botafogo 🎧 Assista: tudo sobre o Botafogo no ge, na Globo e no sportv