Acevedo é a arma do Bahia para o BAVI de domingo O Nicolás Acevedo que recebeu o ge em casa para uma entrevista não estava na versão guerreiro que cativa os torcedores do Bahia pela entrega em campo. As chuteiras de trava deram lugar aos chinelos de dedo, a imposição deu lugar à tranquilidade e a faixa de capitão no braço foi substituída pelo chimarrão nas mãos, como um bom uruguaio. Cada vez mais brasileiro, Acevedo desembarcou em Salvador em dezembro de 2022 com a esposa Sasha Morales para encarar o desafio do "ano zero" do Grupo City no Bahia. Quase quatro anos depois, ele cresceu junto com o clube e a família, que agora também tem Valentino, de três anos, e Santino, de dez meses, dois pequenos baianos. Siga o ge Bahia nos Canais do WhatsApp Veja quem chega e quem sai do Bahia Acevedo, do Bahia, em entrevista ao ge e ao Globo Esporte BA Reprodução / TV Bahia A identificação com o clube e com a cidade é construída há quase quatro anos, e o contrato promete continuar a relação até o fim de 2031. Mas já houve tempo para que Acevedo atingisse patamar histórico: o volante igualou José Sanfilippo como o estrangeiro que mais jogou pelo Bahia, com 152 partidas. Ele também é tricampeão baiano (2023, 2025 e 2026) e levantou a taça da Copa do Nordeste de 2025. - Representa muito, é difícil jogar no Brasil para todo estrangeiro. Uma liga muito competitiva, para mim um dos melhores campeonatos do mundo. Atingir essa marca neste clube é especial para mim - avaliou Acevedo em entrevista exclusiva ao ge. Ele deve ser titular contra o Internacional, neste domingo, e ultrapassar a marca. + Sanfilippo, ídolo que defendeu o Bahia entre 1969 e 1971, morreu em junho deste ano E o número poderia ter sido batido ainda mais cedo se não fosse a grave ruptura de ligamento cruzado do joelho direito no último jogo de 2023, que o afastou de quase toda a temporada seguinte. Como símbolo de força, ele tatuou o nome do primeiro filho a poucos centímetros da cicatriz da cirurgia. O nome do mais novo também ganhou um lugar no outro joelho esquerdo anos depois. - Fiz essa [tatuagem] primeiro [de Valentino, filho mais velho, no joelho direito]. Escolhi esse lugar quando me machuquei, para ficar forte. Queria fazer perto da cirurgia. O Valentino me deu uma energia, um novo modo de ver a vida, fico muito feliz por ele estar crescendo com saúde. É minha motivação. Meus filhos são minha motivação. Tatuagens de Acevedo, do Bahia: Valentino no joelho direito e Santino no esquerdo Reprodução / TV Bahia A identificação de Acevedo com a torcida e o poder de liderança no elenco foram reconhecidos com a faixa de capitão na ausência do camisa dez Everton Ribeiro. O uruguaio confessou que não imaginava que chegaria a este nível quando chegou ao Bahia por empréstimo do New York City. - É muita responsabilidade. Ser capitão para mim é um orgulho, estou muito feliz. Tem uma responsabilidade muito grande pela torcida, pelo clube grande que é. Como eu sempre falo, tento contagiar meus companheiros com a raça, disposição. Talvez não seja o cara que fala mais no vestiário e no campo, porque meu jeito de ser é mais tranquilo, mas tento sempre contagiar, levar a energia do time para cima. +🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google A influência de Acevedo sobre o elenco não se restringe à liderança e vai também para o campo culinário. Ele revelou que até Dell, garoto do sub-20, começou a beber chimarrão, e que virou fã da feijoada, acarajé e das frutas brasileiras. - Gosto muito de feijoada, muito boa. Sempre torço para que coloquem no clube. Também gostei muito de acarajé. Tem uma menina que trabalha com filho, Érica, muito gente boa, que me fez experimentar em um restaurante e gostei muito. Também gostei muito de água de coco, pão de queijo, que não tem no Uruguai. As frutas também, muito doces. Acevedo, Sasha Morales, Valentino e Santino, família do volante do Bahia Reprodução / TV Bahia Caracterizado com um volante marcador nos primeiros anos da passagem, Acevedo intensificou trabalhos individuais para melhorar o jogo com a bola. As "horas extras" na Cidade Tricolor deram resultado, e Acevedo é titular absoluto na temporada em que se tornou um dos jogadores que mais acertam passes em toda a Série A. - Fico agradecido por ter Caio [Alexandre] no dia a dia. Quando você tem jogadores de qualidade, você se torna bom olhando eles, tentando fazer o mesmo e melhorar. Ali tem uma competitividade muito saudável. Eu ficava depois dos treinos com Nelson [Simões] e Charles [Hembert, auxiliares de Ceni] fazendo trabalhos de giro, acertar o passe no golzinho. Quando não fico muito cansado do treino, tento ficar dez, 15 minutos fazendo bola longa, outras coisas que tenho mais dificuldade, para tentar melhorar em todos os aspectos - revelou Acevedo. Acevedo dá mais um passo na temporada de maior protagonismo no Bahia neste domingo, quando enfrenta o Internacional na Casa de Apostas Arena Fone Nova. O jogo começa às 19h30 (de Brasília) e vale pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Tricolor está na sexta posição com 37 pontos, fora da zona de classificação para a Libertadores. Leia a entrevista na íntegra: ge: Você foi uma das primeiras contratações do Grupo City no Bahia. De lá para cá, o que mudou na sua trajetória? Nicolás Acevedo: Acho que cresci muito aqui como jogador. Os treinadores que tive, Renato Paiva e Rogério, me ajudaram muito a crescer, ver outras coisas do jogo. Como pessoa, cheguei aqui só com minha mulher, agora estou com dois filhos baianos. Fico feliz pelo que venho construindo aos poucos, me sinto muito feliz aqui. Essa cidade é como minha segunda casa. ge: Como foi construir uma família com dois filhos baianos? NA: Foi bom, a gente já tinha pensado que queríamos ter filhos. A gente está junto há muito tempo, 12 anos. Quando chegamos aqui, já no começo, ela ficou grávida. Tivemos o primeiro, foi um pouco complicado. Mas passou o tempo e decidimos ter outro filho, outro baiano. Daqui a pouco chega o terceiro. ge: Quando você chegou ao Bahia, imaginava que se tornaria capitão? NA: Não imaginava. Cheguei emprestado, fiz uma temporada muito boa individualmente. Tive a lesão no ligamento, fiquei parado um tempo e renovamos o contrato. Nunca imaginei que chegaria a como estou agora, capitão do time. Sinto que melhorei muito e estou muito agradecido com as pessoas que trabalham no clube, todo o estafe. ge: Como foi viver o processo da lesão? NA: Foi muito difícil, porque cheguei em dezembro de 2022 já tinha passado um Natal e um Ano Novo aqui, longe da família. Aí joguei o ano todo, e no último jogo machuquei e tive que ficar outro Natal e outro Ano Novo aqui. Minha mulher e um amigo que tenho aqui me ajudaram muito a me manter focado na recuperação. O clube também, me abrindo todas as ajudas possíveis. Comecei a trabalhar com um fisioterapeuta argentino, Gaspar, que me ajudou muito também. E graças a Deus consegui voltar a jogar em um bom nível. ge: Você está há quase quatro anos no time de maior torcida que já defendeu. Qual a responsabilidade de defender um clube como o Bahia? NA: É muita responsabilidade. Ser capitão para mim é um orgulho, estou muito feliz. Tem uma responsabilidade muito grande pela torcida, pelo clube grande que é. Como eu sempre falo, tento contagiar meus companheiros com a raça, disposição. Talvez não seja o cara que fala mais no vestiário e no campo, porque meu jeito de ser é mais tranquilo, mas tento sempre contagiar, levar a energia do time para cima. ge: Tem alguém que você precisa dar uma dose a mais de motivação, de forma reservada? NA: Todos os jogadores são muito dedicados, trabalhadores, todo mundo focado. É um grupo bonito de trabalhar. Tento falar mais com os uruguaios e argentinos se vejo que tem alguma coisa que não está dando certo. É bom para o time. Todo mundo aqui é muito unido. ge: Você disse que a Bahia é sua segunda casa. Conhece Salvador? O que faz no tempo livre? NA: Conheço [Salvador]. No meu tempo livre fico mais com meus filhos, brincando aqui. Mas a gente vai para o Pelourinho, Farol da Barra, quando minha família vem a gente leva eles para lá. Todo mundo está apaixonado, minha família gosta muito daqui. Eu gosto muito, o carinho que a torcida me dá na rua é impressionante, nunca tinha vivido esse amor. Fico muito feliz e tento devolver no campo. ge: Tem um lugar favorito? NA: Gosto muito do Farol da Barra. Lá no Uruguai tem uma praia, e o Farol me lembra muito o Uruguai. Gosto às vezes de ir para lá, tomar um chimarrão, passear com a família. Me sinto um pouco mais em casa lá. ge: Você igualou Sanfilippo como estrangeiro com mais jogos na história do Bahia. O que isso significa para você? NA: Representa muito, é difícil jogar no Brasil para todo estrangeiro. Uma liga muito competitiva, para mim um dos melhores campeonatos do mundo. Atingir essa marca neste clube é especial para mim. ge: Agora você tem muito mais companheiros estrangeiros no Bahia. Tem alguém de quem você é mais próximo? NA: Com Michel [Araujo] tenho uma amizade muito forte. Com todo mundo, mas com ele fiz uma amizade boa. Tenho amigos aqui, um uruguaio que jogou comigo no Liverpool-URU. Um cara que sempre esteve comigo quando eu machuquei, são pessoas que ficam no coração, para a gente se sentir mais em casa no dia a dia. ge: Você disse que alguns jogadores brasileiros passaram a beber chimarrão. Você gostou de alguma comiida brasileira que eles te apresentaram? NA: Gosto muito de feijoada, muito boa. Sempre torço para que coloquem no clube. Também gostei muito de acarajé. Tem uma menina que trabalha com filho, Érica, muito gente boa, que me fez experimentar em um restaurante e gostei muito. Também gostei muito de água de coco, pão de queijo, que não tem no Uruguai. As frutas também, muito doces. ge: Você fez trabalhos individuais para melhorar com a bola e hoje é um dos jogadores que mais acerta passes na Série A. Como foram esses trabalhos específicos? NA: Fico agradecido por ter Caio no dia a dia. Quando você tem jogadores de qualidade, você se torna bom olhando eles, tentando fazer o mesmo e melhorar. Ali tem uma competitividade muito saudável. Eu ficava depois dos treinos com Nelson [Simões] e Charles [Hembert, auxiliares de Ceni] fazendo trabalhos de giro, achar o golzinho. Quando não fico muito cansado do treino, tento ficar dez, 15 minutos fazendo bola longa, outras coisas que tenho mais dificuldade, para tentar melhorar em todos os aspectos. ge: O que falta conquistar no Bahia? NA: Um título grande, Brasileirão, Libertadores, Sul-Americana. Seria algo especial para o clube e a torcida, que merece muito e é muito apaixonada. Todo jogo coloca 40, 42 mil pessoas no estádio. Estão merecendo um título grande. ge: Você jogou como lateral-direito do Bahia, uma posição que costuma ver o jogo de frente. Enquanto o primeiro volante passa muito tempo de costas para a marcação. Esse é o maior desafio de saber jogar nas duas posições? NA: Na construção eu me sentia mais confortável porque olhava o campo todo de frente, e o volante tem que olhar para todo lado. Defensivamente, na lateral tinha que ficar muito mais alerta, atento a jogadores que podem passar na frente. Exige também da parte física, a ida e volta. Eu gostei de jogar de lateral, tem coisas boas. Acho que me adaptei bem à posição. Mas prefiro jogar de volante. ge: Você tem o nome dos filhos tatuado nos joelhos. Fez as duas ao mesmo tempo? NA: Fiz essa [tatuagem] primeiro [de Valentino, filho mais velho, no joelho direito]. Escolhi esse lugar porque foi quando me machuquei, para ficar forte. Queria fazer perto da cirurgia. O Valentino me deu uma energia, um novo modo de ver a vida, fico muito feliz por ele estar crescendo com saúde. É minha motivação. Meus filhos são minha motivação. ge: Onde vai fazer a tatuagem do terceiro filho? NA: Ainda não sei. Quero uma menina baiana. ge: Você faz consultoria tática individual. Como se complementa com o trabalho no clube? NA: Kleyton [Sampaio, consultor tático de Acevedo] tem me ajudado muito. O que eu gosto dele é que a gente faz avançado, na ideia de Rogério. A gente tenta juntar as duas coisas. O que melhorar e o que Rogério quer. Toda semana eu faço a sessão com ele. Ele me dá as opções, olho meu jogo com ele, vendo a melhor escolha possível, e acho que tenho melhorado muito com ele e estou feliz com o trabalho que venho fazendo. ge: Você trabalha com Rogério praticamente desde o início de sua passagem no Bahia. Como á relação profissional e pessoal? NA: A relação é muito boa. Rogério é um cara sensacional, trabalhador como ninguém, se dedica muito. Ele não deve dormir mais que três, quatro horas. Fica vendo o jogo, vê o que faz diferente. Muito trabalhador, ele tem me ajudado muito a melhorar em todos os aspectos. Ele me chama, mostra as coisas que tenho que melhorar, e isso faz o jogador crescer. Acho que ele é um cara que tenta potencializar as características de todo jogador. ge: O fato de ele ter sido multicampeão como jogador ajuda na transmissão de experiência? NA: Certeza que ajuda muito. Ganhou tudo, e ele ainda está com essa fome de querer ganhar, vencer. Todo jogo ele quer ganhar. Acho que ele sempre transmite isso e isso é bom para o grupo, que ele seja assim um cara que sempre queira melhorar. *Sob supervisão do repórter Rafael Teles.