Pai e filho trabalham juntos nos bastidores do Coritiba Há alguns anos, o Dia dos Pais para Júnior Correa era sinônimo de saudade. Vigilante embarcado em uma plataforma da Petrobras, ele passava metade do mês longe de casa e, não raramente, via a data comemorativa longe da esposa e dos filhos. Hoje, o cenário é completamente diferente e tem o Coritiba como principal responsável por essa mudança. 🗞️ Leia mais notícias sobre o Coritiba ✅ Clique aqui e siga o canal ge Coritiba no WhatsApp 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Foi o sonho do filho caçula, Mateus, de seguir carreira no futebol que fez a família deixar o interior do Rio de Janeiro e recomeçar a vida em Curitiba, permitindo que Júnior passasse a conviver diariamente com os filhos e a viver de perto momentos que antes eram raros. No Couto Pereira, Júnior divide a rotina de trabalho com o filho mais velho, Felipe, enquanto acompanha de perto a caminhada do caçula, Mateus, que integrou aos 14 anos as categorias de base do Coritiba e atualmente está no São Joseense. Júnior Corrêa e Felipe, pai e filho que trabalham no Coritiba Everton Franco/RPC O que começou como o sonho de um adolescente de vestir a camisa do Coxa transformou a vida inteira da família. Vindos de Carabuçu, distrito de Bom Jesus do Itabapoana, no interior do Rio de Janeiro, eles percorreram cerca de 1.300 quilômetros até Curitiba e recomeçaram do zero. Em troca, encontraram muito mais do que uma oportunidade no futebol: conquistaram a chance de viver juntos. — Eu nunca imaginava estar trabalhando em um clube. Hoje sou só grato a Deus e ao Coxa por proporcionar isso para a nossa família. Depois de passar tantos Dias dos Pais longe deles, poder estar aqui com meus filhos é o maior presente que eu poderia ganhar — resume Júnior. Mateus, Júnior e Felipe em time de futebol na cidade natal Arquivo Pessoal Um sonho que mudou o destino de todos A mudança aconteceu por causa de Mateus. Ambidestro e destaque de uma escolinha de futebol em Campos dos Goytacazes, o garoto chamou a atenção de um observador técnico das categorias de base do Coritiba e recebeu o convite para um período de avaliações. A decisão foi rápida. Madalena, matriarca da família, embarcou primeiro para Curitiba com o filho e 11 malas. Pouco depois, Júnior e Felipe seguiram o mesmo caminho. Deixaram para trás empregos, familiares e uma vida construída no interior fluminense para apostar em um sonho que ainda estava apenas começando. — Quando a gente mudou para cá, eu ainda tive que fazer um embarque. Então, eu peguei o ônibus aqui, foram 14 horas de viagem para ir e ficar no hotel para eu embarcar no outro dia, depois fazer o mesmo percurso para casa. Não compensava, porque o dinheiro ficava todo em passagem. Foi quando resolvi deixar o emprego e buscar uma nova vida por aqui em Curitiba — explicou o pai. Júnior Corrêa, funcionário do Coritiba Everton Franco/RPC A adaptação em Curitiba exigiu coragem. A família saiu do calor de mais de 40 graus do Norte Fluminense para enfrentar o inverno rigoroso da capital paranaense. — Foi tensa, porque o frio daqui é coisa de outro nível. A gente veio para cá justamente no inverno e pegou sensação de -2, -3 graus. A gente olhava para o gramado e estava gelo puro. Aquele branco de geada. A gente nunca tinha pegado isso lá. Lá é totalmente diferente, é calor de 40, 42 graus e aqui para se acostumar foi difícil — lembrou o filho. Os quatro passaram os primeiros meses dividindo uma pequena quitinete, onde os pais ocupavam o único quarto e os filhos dormiam em um sofá-cama na sala. Júnior Corrêa, funcionário do Coritiba Everton Franco/RPC Pai e filho seguiram os mesmos passos Enquanto Mateus buscava espaço dentro de campo, Júnior e Felipe começaram uma nova história nos bastidores do Coritiba. Os dois iniciaram trabalhando na limpeza das dependências do clube. Depois, migraram para a manutenção dos gramados no Centro de Treinamento e aprenderam uma profissão completamente nova. Felipe viveu cada etapa de perto. Cuidou do corte, da pintura e do replantio do gramado até receber uma promoção e assumir recentemente a função de roupeiro das categorias de iniciação. Hoje, já faz planos para iniciar a faculdade de Educação Física e seguir carreira no futebol. — Para quem há poucos anos estava indo para o curral tirar leite de vaca com meu pai e meu avô, estar hoje convivendo diariamente com jogadores profissionais é uma coisa que eu nunca imaginei. Não tem palavras para explicar — apontou Felipe. Júnior percorreu praticamente o mesmo caminho. Depois de tentar conciliar o antigo emprego embarcado com as viagens constantes entre Rio de Janeiro e Paraná, percebeu que fazia mais sentido abrir mão da estabilidade para permanecer perto da família. Atualmente, trabalha no almoxarifado do clube. Felipe Corrêa, funcionário do Coritiba Everton Franco/RPC O presente que dinheiro nenhum compra A convivência diária fortaleceu uma relação que já era próxima entre pai e filho. Durante o período em que trabalharam juntos na manutenção dos gramados, saíam e voltavam do Couto Pereira lado a lado todos os dias. — Ter ele por perto aqui me faz sentir mais seguro. Ele é como um anjo da guarda para mim — disse o filho. O reconhecimento é mútuo, tanto que o jovem faz questão de destacar o esforço do pai para que a família pudesse recomeçar em outra cidade. — Tem que tirar o chapéu para ele. Sempre incentivou a mim e ao meu irmão a correr atrás dos nossos sonhos. Não é qualquer pessoa que larga tudo, deixa a família para trás e começa uma vida nova em outro estado para apoiar os filhos. Eu e meu irmão somos muito gratos por tudo o que ele fez — finalizou Felipe. Mateus, Madalena, Júnior e Felipe no jogo do Coritiba Arquivo Pessoal Um Dia dos Pais que vale por muitos Se Mateus ainda luta pelo sonho de se tornar jogador profissional, a família já comemora uma vitória que independe dos resultados dentro de campo. O Coritiba deixou de ser apenas o clube que abriu as portas para um garoto da base. Tornou-se o lugar onde a família conseguiu reconstruir a própria vida. Para quem passou tantos anos distante em datas especiais, Júnior não tem dúvidas sobre qual é o melhor presente neste Dia dos Pais. — O presente é ter o Felipe e o Mateus do meu lado. Não existe nada melhor do que isso — completou Junior. Neste Dia dos Pais, a maior conquista da família Correa não está ligada ao futebol em si, mas à chance de transformar um sonho do filho em um novo começo para todos. Afinal, algumas vitórias não cabem em troféus nem aparecem no placar — elas acontecem no privilégio de estar presente. Mateus no período de atuação pelo Coritiba Divulgação/Coritiba Mais notícias do esporte paranaense no ge.globo/pr