Remo confirma a contratação do técnico Thiago Carpini Thiago Carpini foi anunciado como novo técnico do Remo. Aos 41 anos, o treinador chega ao clube para sua primeira experiência no futebol paraense depois de passar por equipes como Guarani, Oeste, Inter de Limeira, Santo André, Ferroviária, Água Santa, São Paulo, Vitória, Juventude e Fortaleza. Ao longo da carreira, também protagonizou alguns episódios de discussão e declarações que repercutiram dentro e fora dos clubes. Carpini admite grande desafio que terá no Remo, mas ressalta grande oportunidade Thiago Carpini chega a Belém pra comandar o Remo Os casos aconteceram em diferentes momentos da trajetória de Carpini e envolveram torcedores, dirigentes, integrantes de comissões técnicas e até jogadores. O treinador, que conquistou a Supercopa do Brasil pelo São Paulo em 2024, teve passagens marcadas por momentos de tensão, principalmente nas experiências mais recentes. Técnicos de Fortaleza e Cuiabá brigam e recebem cartão vermelho; veja Enquete: Remo acertou em trazer Thiago Carpini? Initial plugin text Guarani: críticas a dirigente e despedida em tom forte Foi no Guarani, primeiro clube profissional comandado por Carpini, que o treinador protagonizou um dos episódios mais contundentes. Em 2020, após ser demitido do cargo em meio a uma sequência de cinco derrotas em seis jogos na Série B, o técnico fez um discurso de despedida de quase 12 minutos e direcionou críticas a um integrante do Conselho de Administração. Thiago Carpini Guarani Reprodução TV Guarani Sem citar o nome da pessoa, Carpini afirmou que teve um desentendimento antigo com um integrante da diretoria. Na declaração, utilizou a expressão "matar um leão por dia é fácil até, o duro é conviver com cobra" e acusou o dirigente de tentar interferir no trabalho da comissão técnica. — - Não é segredo para ninguém que tenho desentendimento com uma pessoa aqui dentro. Tive rusga no passado, ela voltou agora, e vocês sabem quem é. Eu costumo dizer que matar um leão por dia é fácil até, o duro é conviver com cobra. Depois do dérbi, coincidentemente ou não, as coisas começaram a enroscar. Eu acredito em energia, se você faz o bem, colhe o bem. Essa pessoa tem insistido em interferir no trabalho da comissão técnica e se fortaleceu dentro do CA (Conselho de Administração). Se ela for bugrina como eu sou, que se sacrifique também. Tira o time de campo e deixa as outras pessoas sérias trabalharem — disse Carpini na época. Vitória: declaração sobre negociação de Lucas Arcanjo Em 2024, já no Vitória, Carpini se envolveu em outro episódio que ganhou repercussão. O Fluminense negociava a contratação do goleiro Lucas Arcanjo, e o clube baiano discutia os valores e os jogadores que poderiam ser envolvidos na operação. Em entrevista, Carpini foi questionado sobre os atletas oferecidos pelo clube carioca e afirmou que alguns nomes não se encaixariam no modelo de jogo do Vitória. — Eu, no Vitória, se eu fosse envolver algum atleta em negociação, eu envolveria Matheusinho, Lucas Esteves e Wagner Leonardo ou jogadores fora do processo. (...) Mas quando se trata de atleta que vem, eu participo. Têm atletas que eu acho que não vão encaixar no nosso modelo de jogo e talvez não seja o que a gente precisa — declarou. Na sequência, citou alguns dos principais jogadores do Fluminense. — Não vai chegar o Kauã Elias, o John Arias. E se eu puder escolher, claro que tem grandes jogadores no Fluminense. Mas talvez o que eles pretendem liberar, para o projeto do Vitória, não serve. Apesar das críticas aos nomes oferecidos, Carpini defendeu a saída de Lucas Arcanjo. Segundo ele, o goleiro, formado no Vitória, poderia viver um novo desafio na carreira. Thiago Carpini tira satisfação do zagueiro Ramos Mingo no Ba-Vi Reprodução / TVE Meses depois, o treinador voltou a aparecer em meio a uma situação de tensão no Vitória. Em março de 2025, durante o Ba-Vi que terminou empatado por 1 a 1 e garantiu o título baiano ao Bahia, houve uma série de confusões no Barradão. Após o gol de empate do Bahia, marcado nos acréscimos, os jogadores se envolveram em nova discussão. Carpini foi um dos mais exaltados e acabou expulso, assim como o goleiro Marcos Felipe. Segundo o árbitro, Thiago Carpini invadiu o campo, confrontou o zagueiro Ramos Mingo "pegando na gola da camisa com brutalidade e sendo contido". Fortaleza: discussão com comissão técnica e resposta à torcida Mais recentemente, Carpini protagonizou duas situações de repercussão no Fortaleza, clube que antecedeu a chegada ao Remo. Na segunda rodada da Série B, em um empate sem gols com o Cuiabá, o treinador se envolveu em uma discussão com Eduardo Barros, integrante da comissão técnica adversária. Houve bate-boca e empurrões na área técnica, e Carpini acabou expulso. Depois da partida, o técnico afirmou que havia sido abordado de maneira "impetuosa" e "desrespeitosa" e disse que apenas havia se defendido. — Poucas vezes eu fui expulso, poucas vezes eu criei algum tipo de atrito. Se todos viram, pelas imagens, quem que vem em minha direção de uma maneira bem impetuosa, desrespeitosa e proferindo palavras desnecessárias para nossa equipe, para o Fortaleza e para mim? Eu me defendi e a imagem está bem clara — afirmou. Thiago Carpini no duelo entre Fortaleza x Novorizontino Kid Júnior/SVM Pouco depois, o treinador voltou a ser alvo de críticas, desta vez por parte da torcida do Fortaleza. Na vitória por 3 a 2 sobre o Criciúma, pela quinta rodada da Série B, Carpini foi chamado de "burro" por torcedores que estavam atrás do banco de reservas durante uma substituição. Minutos depois, o Fortaleza marcou um gol contra e retomou a vantagem. Na comemoração, Carpini virou para os torcedores, abriu os braços e apontou para o escudo do clube na camisa. Após a partida, o treinador negou que tivesse intenção de afrontar os torcedores e pediu desculpas caso o gesto tivesse sido interpretado dessa maneira. — Queria falar mais uma vez que eu não afrontei os torcedores. Eu respeito demais o nosso torcedor e, se por algum momento eles se sentiram desrespeitados ou interpretaram de uma maneira diferente da qual eu me posicionei, eu peço desculpa, porque não foi a minha intenção — explicou. Na mesma entrevista, porém, Carpini respondeu aos xingamentos: — Eu posso ser teimoso, eu posso ser fraco, ruim, mas burro eu não sou. Os episódios no Fortaleza foram os mais recentes antes de Carpini ser anunciado pelo Remo. Agora, o treinador inicia uma nova etapa da carreira no futebol paraense, em um clube que disputa a Série A do Campeonato Brasileiro.