Jorge Jesus diz que não muda suas ideias por causa de Cristiano Ronaldo O diretor de futebol do Flamengo, o português José Boto, opinou sobre o atrito entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus que fez o craque abandonar a seleção de Portugal. O executivo rubro-negro lamentou o ocorrido e disse que decisões dos treinadores devem prevalecer em casos desse tipo. + Cristiano se sentiu traído após promessa descumprida por Jesus + Web não perdoa polêmica; veja reações — É uma novela. É triste para Portugal ser falado não pelos bons resultados que teve, e sim sobre o desportista mais conhecido e representativo de Portugal estar em uma situação dessas. Tenho dificuldades de falar, porque não sei o que se passou lá dentro para dar razão a um ou outro. A decisão do treinador tem que prevalecer, sempre, sobre qualquer interesse pessoal. O Cristiano é uma marca maior do que a seleção de Portugal, mas é uma pena que se passou assim. Se isso fizer com que Portugal ganhe mais e aproveite mais uma geração de jogadores, é o que interessa. Tem que se respeitar os ídolos, mas os interesses pessoais não podem ser colocados acima da equipe. Troca de Passes comenta crise entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa José Boto em entrevista coletiva no Flamengo Emanuelle Ribeiro / ge Entenda a polêmica A relação entre técnico e jogador azedou por conta de titularidade. Na entrevista coletiva da última quarta-feira, o Mister elogiou seu camisa 7, dizendo que ele era um símbolo de Portugal. Mas, como se antecipasse um problema, avisou que as decisões sobre a escalação caberiam apenas à comissão técnica. Cristiano Ronaldo, por sua vez, não deixou por menos: — Se ele (Jorge Jesus) não contar comigo, posso sair já hoje. Não tem problema nenhum. O presidente também, quando eles não quiserem contar comigo, quando sentirem que não estou fazendo nada, que não dou nada dentro de campo, que não faço gols ou faço um ambiente ruim ou que não querem que eu esteja aqui, sou o primeiro a pegar minha mala e ir embora — disse o atacante na mesma entrevista. No dia seguinte, CR7 foi titular contra o País de Gales, mas não jogou bem. Até fez um gol, impedido, e perdeu uma chance claríssima diante do goleiro. Foi substituído aos 23 minutos do segundo tempo, e Jorge Jesus explicou, depois, que precisava de um atacante de velocidade, capaz de pressionar a saída de bola adversária: "Cris não conseguia mais fazer isso. Eu sabia que, ofensivamente, ele não podia fazer muito mais", explicou o treinador. O problema aumentou no duelo contra a Noruega, no último domingo. CR7 começou no banco de reservas, dando lugar a Gonçalo Ramos, algo que já havia sido indicado pelo treinador antes. Porém, houve uma divergência com relação à utilização de Cristiano na reta final da partida. O camisa 7 foi para o aquecimento junto aos outros reservas logo depois do intervalo. E, em meio ao desenrolar do jogo, não foi a campo, vendo Gonçalo Ramos fazer o gol que garantiu a vitória para Portugal, fora de casa. A polêmica começou assim que a partida terminou: Cristiano Ronaldo deixou o campo logo após o apito final, demonstrando irritação. Cristiano Ronaldo não participou do treino de terça-feira. O Mister, por sua vez, chegou a dizer que seu plano era ter Gonçalo Ramos como titular novamente e reforçou que "nenhum jogador mudará suas ideias". Foi então que o jogador abandonou o estádio antes do treino, justamente após a coletiva do técnico. Depois, nas redes sociais, indicou que pretende, em breve, dizer "a verdade a todos os portugueses" sobre a sua saída. *Estagiário