Clubes e jogadores se solidarizam com a Colômbia após terremoto O terremoto que atingiu a Colômbia na última segunda-feira deixou milhares de pessoas desaparecidas e mais de 250 mortos. Jogadores ficaram feridos e partidas foram suspensas. Por outro lado, atletas se mobilizaram para ajudar as vítimas. Suspenso na segunda-feira, tanto por solidariedade quanto por dificuldades logísticas, o calendário do Campeonato Colombiano será retomado na sexta-feira. + O que se sabe sobre o terremoto na Colômbia Colômbia foi atingida por terremoto maior forte no século XXI no país Reuters + Colômbia enfrenta colapso hospitalar e toques de recolher após terremoto de magnitude 7,4 O terremoto de magnitude 7,4 teve epicentro em San José del Palmar, no oeste da Colômbia. Outras cidades foram atingidas, como Cáli e Bogotá. Trata-se do maior abalo sísmico no país na última década. O tremor foi sentido no Equador, na Venezuela e até em Manaus, no Brasil. O ge entrou em contato com a DIMAYOR, a principal liga do futebol colombiano. Há jogadores que tiveram as casas danificadas pelo terremoto, mas não houve até agora registros de danos à infraestrutura de clubes, segundo a liga. Porém, imagens nas redes sociais mostram problemas na fechada do estádio Pascual Guerrero de Cali. A Conmebol informou as novas datas dos jogos das equipes colombianas na Libertadores e na Sul-Americana. A entidade também explicou que questões de operação e de segurança dizem respeito aos clubes mandantes e as autoridades de cada país. O meio-campista Ronaldo Pájaro, do Deportivo Cáli, sofreu lesões durante o terremoto. Ele fraturou o cotovelo direito e teve uma fissura no tornozelo direito, após cair no chão, e precisará passar por cirurgia. Por outro lado, a competição "Vuelta a Colombia", de ciclismo, não foi interrompida neste início de semana — mesmo com delegações sentindo o tremor —, o que rendeu fortes críticas da população. A federação colombiana de ciclismo reconheceu que próximas etapas dependerão das condições de segurança e das decisões de autoridades. + Chapecoense se solidariza com terremoto na Colômbia ONU: terremoto danificou 5 mil residências na Colômbia Mobilização a partir do Brasil O atacante Arias, do Palmeiras, enviou aviões com mantimentos para ajudar vítimas do terremoto na Colômbia. Ele é natural de Chocó, distrito litorâneo, um dos mais atingidos pelo abalo sísmico. Artilheiro do Campeonato Brasileiro até agora, com 14 gols, o atacante Viveros também se manifestou sobre a tragédia. O Athletico-PR é o clube do Brasil com mais colombianos em seu elenco, oito no total, incluindo Viveros, segundo dados do Gato Mestre. — Há muitos danos em infraestrutura, algumas pessoas seguem em meio aos escombros, vidas que lamentavelmente se perderam no terremoto. Não contamos com os recursos necessários para atravessar uma emergência como essa — declarou o atacante nas redes sociais, sobre a situação em Buenaventura. Capitão da seleção colombiana e jogador com mais partidas com a camisa da equipe nacional, o meia James Rodríguez prometeu enviar ajuda para as vítimas. — Já se passaram 24 horas desde o forte terremoto que pegou meu país de surpresa. A situação é devastadora e comovente. Ver os danos e as pessoas afetadas me deixa com uma sensação de impotência. A força da natureza está além da nossa compreensão, mas nos deixa uma mensagem: superar os momentos mais difíceis depende de nós — declarou James Rodríguez. + Terremoto na Colômbia: três dos maiores tremores da história aconteceram na América do Sul; relembre Futebol pode ajudar com o engajamento de voluntários para ajudar as vítimas de tragédias naturais Reuters + Irmão de Viveros, do Athletico, faz relato de terremoto na Colômbia: "Nunca senti tanto medo" No final de junho, dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela e tiveram consequências diretas sobre o futebol local. Foi o pior desastre natural da história recente do país. Jogadores perderam familiares, e houve vítimas fatais entre atletas, segundo o sindicato de futebolistas venezuelanos. Mais de seis mil pessoas morreram, e 73 mil precisaram de atendimento hospitalar. Jogadores venezuelanos como Robert Garcés e Edson Tortolero Jr. participaram diretamente das operações de remoção de escombros. Atletas da seleção, Tomás Rincón, Telasco Segovia e Jon Aramburu estiveram em centros de coleta e de distribuição de ajuda. Deyna Castellanos, uma das estrelas do futebol feminino do país, mobilizou sua audiência internacional e arrecadou mais de 300 mil dólares. Houve manifestações de apoio à Venezuela durante a Copa do Mundo de 2026, como no treino da Espanha antes do jogo contra o Uruguai, e nas partidas entre Senegal e Iraque e França e Noruega, com um minuto de silêncio pelas vítimas. + Terremoto interrompe jogo de beisebol na Venezuela e causa correria em estádio; veja Terremoto não é mudança do clima Os terremotos na Venezuela e na Colômbia não tem relação entre si. São casos isolados e consequências de movimentações diferentes nas bordas das placas tectônicas do Caribe, Sul-Americana e de Nazca. E esses tremores que atingiram a América do Sul nos últimos meses não são causados pelas mudanças do clima. Essas mudanças aumentam os riscos relacionados a calor extremo, chuvas intensas, secas, incêndios, elevação do nível do mar, entre outros. Fenômenos geológicos, os terremotos pertencem a outra categoria de ameaça. — Os grandes terremotos tectônicos não são causados pelas mudanças climáticas. Eles estão relacionados principalmente ao movimento das placas tectônicas e ao acúmulo de tensões nas rochas, a processos que acontecem no interior da Terra. Hoje estamos muito mais capazes de detectar tremores. Temos mais estações sismológicas, instrumentos mais sensíveis e sistemas que analisam os dados praticamente em tempo real. O fato de ouvirmos falar mais sobre terremotos não significa necessariamente que estejam acontecendo mais — explicou a professora Ellen Gomes da Faculdade de Geofísica da Universidade Federal do Pará. Mas os terremotos colocam uma pergunta que também vale para a crise do clima: estamos preparados para os desastres que sabemos que podem acontecer? E o esporte sinaliza como uma sociedade está preparada ou não para um desastre natural. — São fenômenos diferentes, mas têm algo muito importante em comum: sabemos que podem acontecer e podemos nos preparar melhor para eles. Podemos reduzir muito os seus impactos. Isso envolve construções mais seguras, planejamento urbano, sistemas de monitoramento e alerta, infraestrutura mais resistente e preparação da população. Não podemos controlar o fenômeno natural, mas podemos diminuir a nossa vulnerabilidade e evitar que ele se transforme em um grande desastre — comentou Ellen Gomes. * Esta matéria faz parte do quadro "Clima em Jogo", do Redação sportv. Várias cidades da Colômbia sofreram desabamentos, com prédios e casas danificadas Reuters