A morte precoce do fisiculturista e influenciador fitness Gabriel Ganley segue repercutindo nas redes sociais. O treinador e preparador do atleta, Marcelo Cruz, passou a ser alvo de críticas após influenciadores e atletas relatarem experiências negativas vividas sob a orientação do profissional, além de questionarem os protocolos e estratégias adotados durante as preparações. Ramon Dino lamenta a morte de Gabriel Ganley Ganley morreu neste sábado (23), aos 22 anos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), ele foi encontrado caído no chão da cozinha de seu apartamento por um amigo. Ainda de acordo com o órgão, não havia sinais aparentes de violência no local. O caso foi registrado como morte suspeita (morte súbita). A causa não foi divulgada. Marcelo Cruz acompanhava Gabriel Ganley nos treinos Reprodução/YouTube Sob a orientação de Cruz, Ganley estava a poucas semanas de retornar aos palcos depois de mais de dois anos afastado das competições. O treinador era o responsável por montar a dieta e os protocolos hormonais utilizados pelo atleta. Após a morte do jovem, o trabalho do preparador passou a ser questionado. Um dos que se manifestaram foi Davi Kneip. O DJ e atleta, que estreou no fisiculturismo há cerca de um ano, publicou um vídeo contando que trabalhou com Cruz durante parte de sua preparação. O atleta expôs o protocolo hormonal recebido pelo treinador e afirmou que a morte de Ganley o fez refletir sobre os riscos envolvidos no esporte. – Eu trabalhei com o mesmo profissional que ele, e ontem vendo isso me deixou muito triste. Me deixou falando: "poderia ter sido você". Eu também tenho 20 e poucos anos, não tenho nem um ano de esporte e isso mexeu muito comigo. Faço esse vídeo para alertar. Cuidem da saúde de vocês. Hoje eu tenho um coach e um médico que eu confio, mas poderia ter sido eu – disse Davi Kneip. Initial plugin text Outro atleta que se pronunciou foi o influenciador Gabriel Morais, conhecido como "Camisa Roxa". Em um vídeo que já ultrapassa 1 milhão de visualizações no Instagram, ele desabafou sobre experiências negativas vividas com um antigo treinador. Embora não cite Cruz diretamente, o nome do preparador aparece em trocas de mensagens exibidas no vídeo. Gabriel afirmou ter recebido um protocolo que previa o consumo de 75 gramas de sal em apenas três dias durante a fase final de preparação, quantidade considerada "exorbitante" por ele. Segundo o influenciador, a estratégia provocou dores de cabeça e mal-estar. Ele também mostrou uma dieta composta por oito refeições no dia da competição, o que, segundo relatou, o deixou "retido" no palco. Initial plugin text – Tomem cuidado. Tem muita gente que não faz ideia do que está fazendo e, às vezes, pode te passar uma coisa que vai acabar com a tua saúde e com a tua própria vida. Não se brinca com a vida e com quem você é – afirmou Gabriel, que disse ter tido receio de gravar o vídeo por medo de retaliações. Treinador homenageia Ganley Logo após a morte de Ganley, Cruz publicou uma homenagem ao atleta em seu perfil no Instagram. Na postagem, o treinador lamentou a perda do jovem fisiculturista, chamado por ele de "Bbzinho". O post ultrapassou 400 mil curtidas em menos de 24 horas. Em meio às críticas recebidas nas redes sociais, o treinador também bloqueou os comentários de suas publicações. Initial plugin text – Esse talvez seja um dos piores dias da minha vida, Ganley pra mim era muito mais que um promissor atleta, ele foi uma pessoa que me mostrou o caminho da força de vontade, do querer vencer, da resiliência em sempre alcançar os objetivos que tinha em mente. (...) Obrigado por tudo que você fez por mim, por nós, minha gratidão será eterna – escreveu Cruz, que é ex-atleta de fisiculturismo. Em contato com a reportagem do ge, Cruz afirmou que não irá se manifestar neste momento em respeito ao período de luto da família. Segundo o treinador, ele está ao lado da mãe de Gabriel Ganley e pretende falar publicamente quando houver autorização da família. Gabriel Ganley em ensaio de pose com Marcelo Cruz Reprodução/YouTube Entenda o caso Segundo a coluna Músculo, da Folha de S. Paulo, as suspeitas iniciais indicam que o óbito teria acontecido por conta de um quadro de hipoglicemia, condição caracterizada pela queda acentuada dos níveis de glicose no sangue. O problema pode causar sintomas como tontura, fraqueza, confusão mental, suor excessivo e desmaio. Em casos graves, pode levar à morte. No entanto, ainda não há informações oficiais ou laudos divulgados que confirmem a causa. Há algumas semanas, Ganley já havia passado mal após um episódio semelhante, depois de ingerir insulina após um treino. O hormônio, utilizado no tratamento de diabetes, também é usado por alguns fisiculturistas por favorecer o transporte de glicose e nutrientes para dentro das células musculares, o que pode potencializar ganho de volume e recuperação. Ganley começou a praticar musculação aos 15 anos e estreou nos palcos de fisiculturismo aos 20. No início da carreira, tornou-se um dos principais expoentes do fisiculturismo natural, vertente sem uso de hormônios ou esteroides anabolizantes. No entanto, passou a utilizar fármacos para fins estéticos em 2025, e começou a falar abertamente sobre o tema em vídeos e entrevistas.

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