Suspeitos de ataque ao ônibus do Bahia se apresentam em delegacia de Salvador No dia em que o ataque ao ônibus do Bahia completou quatro anos e sete meses, o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) informou que vai submeter a julgamento popular quatro integrantes da torcida organizada Bamor acusados de cometer o crime que deixou dois jogadores feridos. Todos os réus respondem em liberdade. Siga o ge Bahia nos Canais do WhatsApp Veja quem chega e quem sai do Bahia Danilo Fernandes sofreu cortes no rosto em ataque a ônibus do Bahia Arquivo pessoal Os quatro suspeitos serão julgados por tentativa de homicídio qualificado, com emprego de meio de que possa resultar perigo comum – neste caso, artefato explosivo. A decisão cabe recurso, e a data do júri só pode ser agendada após o esgotamento da possibilidade de recurso. Em nota (confira o conteúdo completo abaixo), a defesa da torcida organizada Bamor informou que repudia a violência no futebol e alega que não há provas para confirmar o crime. - A defesa se solidariza com os atletas atingidos e repudia toda forma de violência no futebol. Mas a gravidade do episódio não autoriza que se atribua a alguém um crime que a prova não demonstrou - disse a Bamor. O ataque Em fevereiro de 2022, o ônibus com a delegação do Bahia foi atingido por rojões e artefatos explosivos na chegada à Arena Fonte Nova, em noite que enfrentaria o Sampaio Corrêa, pela Copa do Nordeste. Àquela altura, a frustração com o time era alta pelo rebaixamento para a Série B em 2021, além dos desempenhos ruins nos primeiros jogos de 2022. Ficaram feridos o goleiro Danilo Fernandes e o lateral-esquerdo Matheus Bahia. O primeiro foi a maior vítima do atentado ao sofrer múltiplos ferimentos, chegou a ser hospitalizado, recebeu 20 pontos e quase perdeu a visão. Por meses, Danilo teve de retirar estilhaços do corpo (assista abaixo em vídeo divulgado pelo clube). Danilo Fernandes ainda tem pedaços de vidro espalhados pelo corpo As principais autoridades estaduais prometeram rápida investigação e punição aos envolvidos no atentado e, após usar imagens de câmeras de segurança e ouvir testemunhas, a Polícia Civil identificou os quatro homens envolvidos, todos da Torcida Organizada Bamor. Danilo Fernandes ficou ferido após ataque ao ônibus do Bahia Reprodução / Redes Sociais Hugo Oliveira da Silva Santos, Janderson Santana Bispo, Marcelo Reis dos Santos Junior e Marcelino Ferreira Barreto Neto foram denunciados pelo Ministério Público por tentativa de homicídio em setembro de 2022 e respondem em liberdade desde então. À época, Otto Lopes, advogado que representa a Bamor, afirmou que, no dia do ataque, seus clientes soltaram fogos como forma de incentivar o time antes da partida. Ônibus do Bahia passou por perícia Giana Mattiazzi / TV Bahia Marcelino Ferreira Barreto Neto, um dos denunciados pelo MP, e que responde em liberdade, se envolveu em outra situação envolvendo violência em setembro do mesmo ano. Ele foi internado no Hospital Geral do Estado (HGE) e passou por uma cirurgia na pálpebra após briga entre torcidas organizadas de Bahia e Vitória. Quatro envolvidos no ataque ao ônibus do Bahia são indiciados pela Polícia Civil Outro investigado, Janderson Santana Bispo, chegou a participar de uma reunião entre membros da torcida organizada e lideranças do elenco do Bahia em 2023. O intuito do encontro era cobrar os jogadores por melhores resultados e desempenhos na reta final da Série A. Durante a cobrança, que aconteceu nas dependências do clube, Janderson esteve na mesma sala que Danilo Fernandes, principal vítima do ataque ao ônibus. Veja na íntegra a nota oficial da Bamor: A defesa técnica dos réus no processo nº 814688387.2022.8.05.0001, exercida pelo escritório Otto Lopes Advocacia & Consultoria Jurídica, em que pese respeitar a decisão proferida pelo Poder Judiciário do Estado da Bahia, buscará as vias recursais para a sua reforma, uma vez que a sentença de pronúncia não condiz com a realidade apresentada nos autos. A defesa se solidariza com os atletas atingidos e repudia toda forma de violência no futebol. Mas a gravidade do episódio não autoriza que se atribua a alguém um crime que a prova não demonstrou. Pronúncia não é condenação. É decisão de primeira instância, sem exame aprofundado do mérito, que apenas admite o envio do caso ao Tribunal do Júri. Os réus seguem amparados pela presunção de inocência e respondem ao processo em liberdade. Em juízo, foram ouvidas as vítimas e as testemunhas. Nenhum depoimento demonstrou a intenção de matar — o animus necandi —, requisito primário para que alguém seja submetido ao Tribunal do Júri. A própria sentença não aponta essa intenção e se apoia apenas no dolo eventual. Ainda assim, afirma que a morte só não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade dos réus. Como pode ter sido frustrada a vontade de quem, segundo a própria decisão, não queria matar? Essa incompatibilidade entre tentativa e dolo eventual é sustentada por relevante parcela da doutrina penal e será levada ao Tribunal. O Supremo Tribunal Federal (ARE 1.067.392/CE) e o Superior Tribunal de Justiça (REsp 2.091.647/DF) já rejeitaram o chamado in dubio pro societate como fundamento da pronúncia: a dúvida sobre a intenção de matar não pode pesar contra o cidadão. Por isso, a defesa pedirá ao Tribunal de Justiça da Bahia a reforma da decisão ou, subsidiariamente, a desclassificação prevista no art. 419 do Código de Processo Penal, afastando a competência do Júri. “Ouvimos as vítimas, ouvimos as testemunhas, e em nenhum momento surgiu a intenção de matar. Respeitamos a decisão, mas ela não reflete o que está nos autos. Confiamos que o Tribunal de Justiça da Bahia fará essa correção”, afirma o advogado criminalista Otto Lopes. + 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Lateral Matheus Bahia sofreu cortes nos braços em ataque a ônibus Arquivo pessoal Ônibus do Bahia é atingido por artefato explosivo Arquivo Pessoal Ônibus do Bahia é periciado pela polícia técnica Giana Mattiazzi / TV Bahia Carro foi atingido por bomba na chegada do ônibus do Bahia EC Bahia / Divulgação Seis pessoas são vistas em ataque ao ônibus do Bahia, além do motorista do carro branco Reprodução Um dos carros envolvidos no ataque ao ônibus do Bahia pertence ao presidente da Bamor Dalton Soares/TV Bahia
TJBA leva a júri popular quatro acusados de ataque a ônibus do Bahia
Suspeitos de ataque ao ônibus do Bahia se apresentam em delegacia de Salvador No dia em que o ataque ao ônibus do Bahia completou quatro anos e sete meses, o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) informou que vai submeter a julgamento popular quatro integrantes da torcida organizada Bamor acusados de cometer o crime que deixou dois jogadores feridos. Todos os réus respondem em liberdade. Siga o ge Bahia nos Canais do WhatsApp Veja quem chega e quem sai do Bahia Danilo Fernandes sofreu cortes no rosto em ataque a ônibus do Bahia Arquivo pessoal Os quatro suspeitos serão julgados por tentativa de homicídio qualificado, com emprego de meio de que possa resultar perigo comum – neste caso, artefato explosivo. A decisão cabe recurso, e a data do júri só pode ser agendada após o esgotamento da possibilidade de recurso. Em nota (confira o conteúdo completo abaixo), a defesa da torcida organizada Bamor informou que repudia a violência no futebol e alega que não há provas para confirmar o crime. - A defesa se solidariza com os atletas atingidos e repudia toda forma de violência no futebol. Mas a gravidade do episódio não autoriza que se atribua a alguém um crime que a prova não demonstrou - disse a Bamor. O ataque Em fevereiro de 2022, o ônibus com a delegação do Bahia foi atingido por rojões e artefatos explosivos na chegada à Arena Fonte Nova, em noite que enfrentaria o Sampaio Corrêa, pela Copa do Nordeste. Àquela altura, a frustração com o time era alta pelo rebaixamento para a Série B em 2021, além dos desempenhos ruins nos primeiros jogos de 2022. Ficaram feridos o goleiro Danilo Fernandes e o lateral-esquerdo Matheus Bahia. O primeiro foi a maior vítima do atentado ao sofrer múltiplos ferimentos, chegou a ser hospitalizado, recebeu 20 pontos e quase perdeu a visão. Por meses, Danilo teve de retirar estilhaços do corpo (assista abaixo em vídeo divulgado pelo clube). Danilo Fernandes ainda tem pedaços de vidro espalhados pelo corpo As principais autoridades estaduais prometeram rápida investigação e punição aos envolvidos no atentado e, após usar imagens de câmeras de segurança e ouvir testemunhas, a Polícia Civil identificou os quatro homens envolvidos, todos da Torcida Organizada Bamor. Danilo Fernandes ficou ferido após ataque ao ônibus do Bahia Reprodução / Redes Sociais Hugo Oliveira da Silva Santos, Janderson Santana Bispo, Marcelo Reis dos Santos Junior e Marcelino Ferreira Barreto Neto foram denunciados pelo Ministério Público por tentativa de homicídio em setembro de 2022 e respondem em liberdade desde então. À época, Otto Lopes, advogado que representa a Bamor, afirmou que, no dia do ataque, seus clientes soltaram fogos como forma de incentivar o time antes da partida. Ônibus do Bahia passou por perícia Giana Mattiazzi / TV Bahia Marcelino Ferreira Barreto Neto, um dos denunciados pelo MP, e que responde em liberdade, se envolveu em outra situação envolvendo violência em setembro do mesmo ano. Ele foi internado no Hospital Geral do Estado (HGE) e passou por uma cirurgia na pálpebra após briga entre torcidas organizadas de Bahia e Vitória. Quatro envolvidos no ataque ao ônibus do Bahia são indiciados pela Polícia Civil Outro investigado, Janderson Santana Bispo, chegou a participar de uma reunião entre membros da torcida organizada e lideranças do elenco do Bahia em 2023. O intuito do encontro era cobrar os jogadores por melhores resultados e desempenhos na reta final da Série A. Durante a cobrança, que aconteceu nas dependências do clube, Janderson esteve na mesma sala que Danilo Fernandes, principal vítima do ataque ao ônibus. Veja na íntegra a nota oficial da Bamor: A defesa técnica dos réus no processo nº 814688387.2022.8.05.0001, exercida pelo escritório Otto Lopes Advocacia & Consultoria Jurídica, em que pese respeitar a decisão proferida pelo Poder Judiciário do Estado da Bahia, buscará as vias recursais para a sua reforma, uma vez que a sentença de pronúncia não condiz com a realidade apresentada nos autos. A defesa se solidariza com os atletas atingidos e repudia toda forma de violência no futebol. Mas a gravidade do episódio não autoriza que se atribua a alguém um crime que a prova não demonstrou. Pronúncia não é condenação. É decisão de primeira instância, sem exame aprofundado do mérito, que apenas admite o envio do caso ao Tribunal do Júri. Os réus seguem amparados pela presunção de inocência e respondem ao processo em liberdade. Em juízo, foram ouvidas as vítimas e as testemunhas. Nenhum depoimento demonstrou a intenção de matar — o animus necandi —, requisito primário para que alguém seja submetido ao Tribunal do Júri. A própria sentença não aponta essa intenção e se apoia apenas no dolo eventual. Ainda assim, afirma que a morte só não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade dos réus. Como pode ter sido frustrada a vontade de quem, segundo a própria decisão, não queria matar? Essa incompatibilidade entre tentativa e dolo eventual é sustentada por relevante parcela da doutrina penal e será levada ao Tribunal. O Supremo Tribunal Federal (ARE 1.067.392/CE) e o Superior Tribunal de Justiça (REsp 2.091.647/DF) já rejeitaram o chamado in dubio pro societate como fundamento da pronúncia: a dúvida sobre a intenção de matar não pode pesar contra o cidadão. Por isso, a defesa pedirá ao Tribunal de Justiça da Bahia a reforma da decisão ou, subsidiariamente, a desclassificação prevista no art. 419 do Código de Processo Penal, afastando a competência do Júri. “Ouvimos as vítimas, ouvimos as testemunhas, e em nenhum momento surgiu a intenção de matar. Respeitamos a decisão, mas ela não reflete o que está nos autos. Confiamos que o Tribunal de Justiça da Bahia fará essa correção”, afirma o advogado criminalista Otto Lopes. + 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Lateral Matheus Bahia sofreu cortes nos braços em ataque a ônibus Arquivo pessoal Ônibus do Bahia é atingido por artefato explosivo Arquivo Pessoal Ônibus do Bahia é periciado pela polícia técnica Giana Mattiazzi / TV Bahia Carro foi atingido por bomba na chegada do ônibus do Bahia EC Bahia / Divulgação Seis pessoas são vistas em ataque ao ônibus do Bahia, além do motorista do carro branco Reprodução Um dos carros envolvidos no ataque ao ônibus do Bahia pertence ao presidente da Bamor Dalton Soares/TV Bahia
