Responsável por organizar o campeonato espanhol de futebol, a LALIGA tem uma batalha há anos contra a transmissão de partidas por sites piratas e tira plataformas do ar. No entanto, um estudo revela que o esforço da liga na iniciativa tem efeitos colaterais que derrubaram sites legítimos. Um relatório do Observatório Aberto de Interferência na Rede (OONI, em inglês), analisou dados de sites derrubados durante transmissões de jogos do futebol espanhol e notou que a prática afetou outros sites aleatórios, incluindo mensageiros, páginas de organizações ambientais e até sites governamentais. De acordo com os dados, mais de 500 mil sites legítimos foram bloqueados na Espanha por engano. O número representa 5,8% de uma amostra de 9,2 domínios mais populares da internet. - Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis. - Algumas das páginas famosas bloqueadas no país como parte do efeito colateral foram o site da organização Anistia Internacional, a divisão argentina do Greenpeace, o mensageiro WeChat e o site do Senado da Austrália. Por que isso acontece? A derrubada de sites aleatórios é consequência do método usado pela LALIGA para derrubar sites piratas: provedoras de internet bloqueiam endereços de IP específicos que estão associados às plataformas ilegais. Na maioria dos casos, a ação ocorreu minutos antes do início de partidas do campeonato espanhol, que inclui Real Madrid e Barcelona, e acaba após as rodadas. O problema é que os endereços de IP são compartilhados entre diferentes sites, então um único endereço armazenado numa infraestrutura de nuvem pode abrigar dezenas de plataformas, incluindo opções legais e ilegais. O relatório alerta justamente para as consequências do método. No lugar de um ataque direcionado, a ação gasta o poder de fogo para levar os sites piratas e outros tantos domínios legítimos juntos numa espécie de efeito cascata. Bloqueio de sites piratas que transmitem jogos do campeonato espanhol de futebol afeta outras páginas (Imagem: Divulgação/LALIGA) Campeonato espanhol contra a pirataria A LALIGA lidera uma série de ações no combate às transmissões piratas, especialmente em território espanhol. No ano passado, a instituição revelou que os clubes participantes deixam de ganhar de 600 a 700 milhões de euros por ano em decorrência de transmissões ilegais, além de alertar para a exposição a vírus e ciberataques nesses sites. A liga atua em conjunto com provedores, empresas do setor e autoridades para combater as transmissões ilegais. No Brasil, a liga vendeu os direitos de transmissão para a LiveMode, proprietária da CazéTV. O acordo vale por seis temporadas e a emissora transmitirá partidas gratuitamente no YouTube. Entenda como sites piratas conseguem se manter ativos mesmo quando um link original é derrubado. Leia a matéria no Canaltech.

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