"Tem um cavalo lá": como Felipão descobriu Cristiano Ronaldo por acaso e mudou história de Portugal
Cristiano Ronaldo e amor da torcida: Felipão deixou saudades em Portugal Em sua sexta Copa do Mundo, Cristiano Ronaldo disputou, no sábado, seu jogo de número 231 por Portugal, que empatou por 0 a 0 com a Colômbia na última rodada do Grupo K. O atacante teve atuação discreta e vira a chave para a segunda fase, quando vai enfrentar a Croácia, na quinta-feira, às 20h (de Brasília). O camisa 7 chega a este momento histórico na carreira porque, há 26 anos, um treinador brasileiro abriu as portas para ele. O início da trajetória de CR7 na seleção foi em 2003, com dedo do pentacampeão Luiz Felipe Scolari, o Felipão. + Entenda por que Cristiano Ronaldo, ídolo de Portugal, não tem tatuagens Poucos meses depois de conquistar a Copa do Mundo de 2002 com o Brasil, Felipão assumiu a equipe portuguesa em 2003, quando convocou Cristiano Ronaldo pela primeira vez. O atacante estreou no dia 20 de agosto, ao entrar no intervalo da vitória por 1 a 0 sobre o Cazaquistão. — O Paulo Bento era técnico dele nos juniores do Sporting e havia falado ao meu diretor, Carlos Godinho, que tinha que olhar o jogador tal. "Vou olhar o jogador tal com 17 anos?". A seleção portuguesa tinha o Quaresma, jogava para caramba. Simão. Vou olhar? Pelo amor de Deus. Mandei o Murtosa ir lá — recordou Felipão em entrevista à Globo. — O Murtosa voltou boquiaberto: "Felipe, tem um 'cavalo lá', um jogador que é espetacular, que é isso, que é aquilo". Quem Murtosa? "O Cristiano Ronaldo". Surgiu uma oportunidade, e ele foi convocado. No segundo jogo ele já fez o gol. Foi convocado pelas qualidades dele. Cristiano é uma pessoa espetacular — completou ele. Felipão diz que Messi é gênio e que Cristiano Ronaldo trabalhou para chegar a esse nível O técnico brasileiro foi uma figura importante na formação do jogador e do homem Cristiano Ronaldo. Ele esteve presente em um dos momentos mais difíceis da vida do astro, o falecimento do pai. José Dinis Aveiro morreu no dia 6 de setembro de 2005, aos 51 anos, vítima de uma insuficiência hepática e renal. O atacante estava com a seleção portuguesa. — Quando a notícia chegou até nós, antes de um jogo contra a Rússia, ninguém sabia como contar a ele. E ninguém queria. Então eu disse a eles que faria isso porque sabia como era perder um pai. Eu havia perdido o meu alguns anos antes. Foi muito difícil. Foi o momento que criou um vínculo entre nós, um vínculo que ultrapassa a relação entre treinador e atleta — contou o técnico ao jornal inglês "Daily Mail". + Veja o Guia da Copa do Mundo Ronaldo pediu para jogar a partida contra a Rússia, pelas eliminatórias europeias da Copa de 2006, antes de retornar a Portugal para se despedir do pai. Ele teve boa atuação no empate por 0 a 0. — Depois que o pai dele morreu, ele disse que eu dei muitos conselhos como se fosse um pai. E ele começou comigo muito jovem na seleção, com 17, 18 anos, me chamou de pai desde então e o apelido ficou até hoje — disse Felipão à TV Record. Cristiano Ronaldo foi convocado pela primeira vez para a seleção de Portugal por Felipão Getty Images Felipão construiu um legado importante em Portugal, seleção que comandou por cinco anos e meio. Na Eurocopa de 2004, a primeira grande competição do brasileiro à frente do time, o treinador fez com que os portugueses voltassem a sentir orgulho da equipe. Portugal chegou à decisão pela primeira vez. Na fase mata-mata, eliminou a Inglaterra nos pênaltis e chegou à final após bater a Holanda por 2 a 1. Foi desbancado pela Grécia no último jogo. + Veja a tabela da Copa do Mundo Na Copa do Mundo de 2006, Felipão levou Portugal às semifinais, repetindo o feito da geração de Eusébio, em 1966. Até hoje, esses são os melhores desempenhos da seleção portuguesa. O técnico brasileiro deixou o time em junho de 2008, depois de ser eliminado nas quartas de final da Euro. Felipão orientando Cristiano Ronaldo na Eurocopa de 2008 Getty Images A relação entre Felipão e Cristiano Ronaldo é uma das mais significativas da primeira metade da carreira do atacante. Não tanto por conquistas, embora tenham chegado à final da Euro de 2004 e às semifinais da Copa de 2006, mas porque o treinador acompanhou a transição da promessa de 18 anos para um líder mundial. Mas não foi só Felipão que impactou na formação de Cristiano Ronaldo. O ídolo português também inspirou a continuidade da carreira do treinador. Depois de deixar o comando de Portugal, o brasileiro levou o exemplo de CR7 para motivar os jogadores com quem trabalhou. Os relatos são de que o técnico sempre contava histórias sobre a dedicação do atacante nos treinos e como ele se transformou em um dos maiores jogadores de futebol da história. — O Cristiano era diferente pela forma como se preparava, ao contrário de muitos jogadores que não aproveitam todos os dias para melhorarem. Ele é diferente, prepara-se bem a qualquer altura e em qualquer circunstância de uma forma que eu nunca vi outro futebolista fazer — comentou o treinador em entrevista ao portal árabe "Winwin". Cristiano Ronaldo pela seleção de Portugal: 231 jogos 25 jogos em seis Copas do Mundo 145 gols 46 assistências
Cristiano Ronaldo e amor da torcida: Felipão deixou saudades em Portugal Em sua sexta Copa do Mundo, Cristiano Ronaldo disputou, no sábado, seu jogo de número 231 por Portugal, que empatou por 0 a 0 com a Colômbia na última rodada do Grupo K. O atacante teve atuação discreta e vira a chave para a segunda fase, quando vai enfrentar a Croácia, na quinta-feira, às 20h (de Brasília). O camisa 7 chega a este momento histórico na carreira porque, há 26 anos, um treinador brasileiro abriu as portas para ele. O início da trajetória de CR7 na seleção foi em 2003, com dedo do pentacampeão Luiz Felipe Scolari, o Felipão. + Entenda por que Cristiano Ronaldo, ídolo de Portugal, não tem tatuagens Poucos meses depois de conquistar a Copa do Mundo de 2002 com o Brasil, Felipão assumiu a equipe portuguesa em 2003, quando convocou Cristiano Ronaldo pela primeira vez. O atacante estreou no dia 20 de agosto, ao entrar no intervalo da vitória por 1 a 0 sobre o Cazaquistão. — O Paulo Bento era técnico dele nos juniores do Sporting e havia falado ao meu diretor, Carlos Godinho, que tinha que olhar o jogador tal. "Vou olhar o jogador tal com 17 anos?". A seleção portuguesa tinha o Quaresma, jogava para caramba. Simão. Vou olhar? Pelo amor de Deus. Mandei o Murtosa ir lá — recordou Felipão em entrevista à Globo. — O Murtosa voltou boquiaberto: "Felipe, tem um 'cavalo lá', um jogador que é espetacular, que é isso, que é aquilo". Quem Murtosa? "O Cristiano Ronaldo". Surgiu uma oportunidade, e ele foi convocado. No segundo jogo ele já fez o gol. Foi convocado pelas qualidades dele. Cristiano é uma pessoa espetacular — completou ele. Felipão diz que Messi é gênio e que Cristiano Ronaldo trabalhou para chegar a esse nível O técnico brasileiro foi uma figura importante na formação do jogador e do homem Cristiano Ronaldo. Ele esteve presente em um dos momentos mais difíceis da vida do astro, o falecimento do pai. José Dinis Aveiro morreu no dia 6 de setembro de 2005, aos 51 anos, vítima de uma insuficiência hepática e renal. O atacante estava com a seleção portuguesa. — Quando a notícia chegou até nós, antes de um jogo contra a Rússia, ninguém sabia como contar a ele. E ninguém queria. Então eu disse a eles que faria isso porque sabia como era perder um pai. Eu havia perdido o meu alguns anos antes. Foi muito difícil. Foi o momento que criou um vínculo entre nós, um vínculo que ultrapassa a relação entre treinador e atleta — contou o técnico ao jornal inglês "Daily Mail". + Veja o Guia da Copa do Mundo Ronaldo pediu para jogar a partida contra a Rússia, pelas eliminatórias europeias da Copa de 2006, antes de retornar a Portugal para se despedir do pai. Ele teve boa atuação no empate por 0 a 0. — Depois que o pai dele morreu, ele disse que eu dei muitos conselhos como se fosse um pai. E ele começou comigo muito jovem na seleção, com 17, 18 anos, me chamou de pai desde então e o apelido ficou até hoje — disse Felipão à TV Record. Cristiano Ronaldo foi convocado pela primeira vez para a seleção de Portugal por Felipão Getty Images Felipão construiu um legado importante em Portugal, seleção que comandou por cinco anos e meio. Na Eurocopa de 2004, a primeira grande competição do brasileiro à frente do time, o treinador fez com que os portugueses voltassem a sentir orgulho da equipe. Portugal chegou à decisão pela primeira vez. Na fase mata-mata, eliminou a Inglaterra nos pênaltis e chegou à final após bater a Holanda por 2 a 1. Foi desbancado pela Grécia no último jogo. + Veja a tabela da Copa do Mundo Na Copa do Mundo de 2006, Felipão levou Portugal às semifinais, repetindo o feito da geração de Eusébio, em 1966. Até hoje, esses são os melhores desempenhos da seleção portuguesa. O técnico brasileiro deixou o time em junho de 2008, depois de ser eliminado nas quartas de final da Euro. Felipão orientando Cristiano Ronaldo na Eurocopa de 2008 Getty Images A relação entre Felipão e Cristiano Ronaldo é uma das mais significativas da primeira metade da carreira do atacante. Não tanto por conquistas, embora tenham chegado à final da Euro de 2004 e às semifinais da Copa de 2006, mas porque o treinador acompanhou a transição da promessa de 18 anos para um líder mundial. Mas não foi só Felipão que impactou na formação de Cristiano Ronaldo. O ídolo português também inspirou a continuidade da carreira do treinador. Depois de deixar o comando de Portugal, o brasileiro levou o exemplo de CR7 para motivar os jogadores com quem trabalhou. Os relatos são de que o técnico sempre contava histórias sobre a dedicação do atacante nos treinos e como ele se transformou em um dos maiores jogadores de futebol da história. — O Cristiano era diferente pela forma como se preparava, ao contrário de muitos jogadores que não aproveitam todos os dias para melhorarem. Ele é diferente, prepara-se bem a qualquer altura e em qualquer circunstância de uma forma que eu nunca vi outro futebolista fazer — comentou o treinador em entrevista ao portal árabe "Winwin". Cristiano Ronaldo pela seleção de Portugal: 231 jogos 25 jogos em seis Copas do Mundo 145 gols 46 assistências
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