Pedro Rocha fala do bom momento e da época em que teve... cabelo comprido? Aos 31 anos, Pedro Rocha vive no Coritiba um dos momentos que mais esperou na carreira: sequência, confiança e protagonismo dentro de campo no Campeonato Brasileiro. O atacante é o artilheiro do Coxa na temporada, com 10 gols. Na elite nacional, são sete, três deles nos últimos quatro jogos — uma fase que o próprio jogador trata como resultado de muito trabalho e comprometimento. 🗞️ Leia mais notícias sobre o Coritiba ✅ Clique aqui e siga o canal ge Coritiba no WhatsApp 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google O momento vivido no Coritiba também ajuda a contar a história de uma relação com o futebol que começou cedo. Aos quatro anos, quando recebeu a primeira bola e passou a frequentar uma escolinha, Pedro Rocha estabeleceu um objetivo que nunca abandonou. Nem mesmo quando os "nãos" apareceram pelo caminho. O atacante relembra uma infância humilde e afirma que nunca chegou a imaginar uma alternativa profissional caso o futebol não desse certo. Para ele, a carreira sempre esteve ligada a um talento que precisava ser desenvolvido com trabalho e paciência. — Eu sempre tive muito claro na minha cabeça que eu viraria jogador profissional e, com muita luta, muito trabalho, consegui — afirmou. Os obstáculos, segundo ele, ajudaram a amadurecer sua maneira de enxergar a carreira. Pedro Rocha chegou a disputar até o último ano da base antes de conquistar espaço no futebol profissional e precisou entender que a oportunidade chegaria no momento certo. — A cada momento Deus foi me mostrando que não era no meu tempo. Eu queria que acontecesse antes, que as coisas acontecessem da minha forma, mas Deus me mostrou que era da forma que queria e foi tudo perfeito — declarou. Pedro Rocha, atacante do Coritiba Everton Franco/RPC Do Juventus ao cenário nacional O primeiro grande passo aconteceu no Juventus, em São Paulo. Ainda jovem, Pedro Rocha começou a atuar no futebol profissional e alternava partidas entre o time principal e as categorias de base. Foi ali também que passou a enxergar o futebol como uma vitrine. O Juventus tinha um grupo jovem, e Pedro Rocha soube aproveitar a oportunidade para chamar a atenção de clubes maiores. — Eu agarrei o máximo que pude essa oportunidade. Sabia que era uma vitrine tanto para mim quanto para o Juventus. Sabia que, jogando bem, fazendo bons jogos, poderia ter chance de ir para outros times, times maiores. E foi o que aconteceu — lembrou. A trajetória ganhou força depois de um confronto contra o Grêmio pela Copa São Paulo. O desempenho ajudou a despertar o interesse do clube gaúcho, que posteriormente levou o atacante para Porto Alegre. Foi no Grêmio que Pedro Rocha viveu alguns dos primeiros grandes momentos da carreira, com gols importantes e projeção nacional. Depois, passou por São Paulo e pelo futebol internacional, construindo uma trajetória que hoje classifica como vitoriosa. — Eu considero minha carreira muito vitoriosa. Por onde passei, na maioria dos lugares eu conquistei, consegui ajudar de alguma forma — afirmou. Pedro Rocha, atacante do Coritiba, nos tempos de Juventus Arquivo Pessoal Ronaldinho e o cabelo comprido Antes de se tornar profissional, Pedro Rocha também teve seus ídolos. E um deles influenciou até mesmo sua aparência. Ronaldinho Gaúcho era a principal referência do atacante na infância. Aos 12 ou 13 anos, Pedro Rocha deixou o cabelo crescer para tentar ficar parecido com o craque brasileiro, que brilhava pelo Barcelona. — Eu deixei o cabelo crescer para aparecer como o Ronaldinho. Eu tinha um cabelo parecido com o Ronaldinho. Hoje em dia eu olho aquelas fotos e acho engraçado — contou. Na lista de jogadores que mais admirou, Ronaldinho aparece ao lado de Ronaldo, Cristiano Ronaldo, Neymar e Messi. Uma seleção de ídolos formada por diferentes gerações e estilos que ajudaram a alimentar, desde cedo, o sonho de Pedro Rocha. Pedro Rocha, atacante do Coritiba, na juventude com o "cabelo do Ronaldinho" Arquivo Pessoal Amor e cobrança da torcida No Coritiba, Pedro Rocha vive uma relação intensa com os torcedores. É personagem tanto nos momentos de carinho quanto nas cobranças, algo que o atacante diz saber administrar depois de tantos anos no futebol profissional. A resposta mais objetiva tem vindo dentro de campo. Nos últimos quatro jogos, foram três gols que ajudaram o Coxa a chegar aos 37 pontos e ocupar a sétima colocação da Série A após 25 rodadas. — Eu lido bem tranquilamente. Passei por muitos times e sei como é, às vezes muita pressão de torcida. Eu sei muito bem quem eu sou, tudo aquilo que passei para estar aqui. Não é um comentário ou outro que vai me abalar — afirmou. Pedro Rocha entende que o torcedor pode gostar mais de um jogador do que de outro, mas prefere concentrar sua energia no trabalho. — Procuro sempre fazer meu trabalho da melhor maneira, ajudar o clube, a camisa que eu visto da forma que posso. É o que tenho procurado fazer aqui no Coritiba — disse. Coritiba vence o Remo e entra na briga pela Libertadores O sonho de voltar ao cenário internacional A boa campanha do Coritiba também alimenta as ambições de Pedro Rocha. Promovido novamente à Série A, o clube começou a temporada tendo a permanência como principal objetivo, mas o desempenho abriu espaço para pensamentos maiores. O atacante mantém o discurso de cautela, mas admite que o elenco sonha com uma vaga em uma competição internacional. — A gente vai no jogo a jogo, conquistar primeiro o principal objetivo, que é de fato a permanência na Série A. Só que ninguém nos impede de sonhar. Depois de muitos anos, se for da vontade de Deus, podemos voltar novamente a uma competição internacional — afirmou. Pedro Rocha coloca a marca de 45 pontos como primeiro grande alvo. Depois disso, aparece a possibilidade de buscar uma vaga na Sul-Americana e, por que não, até na Libertadores. — Nada impede a gente de sonhar e lutar pelos mais altos lugares. Acho que todo grupo tem que sonhar mesmo — declarou. Pedro Rocha comemora o gol do Coritiba contra a Chapecoense Paulo De Tarso/AGIF "Paizão" fora de campo Se dentro de campo Pedro Rocha vive um momento de protagonismo, fora dele o atacante assume outro papel: o de pai de quatro filhos. Vitória, de sete anos, Pietro, de cinco, Antônio, de um ano e meio, e Bento, que ainda vai nascer, formam a família do jogador com a esposa Tamyres. A chegada do quarto filho apenas reforça uma vontade antiga. Pedro Rocha conta que sempre sonhou em ter uma família numerosa. Antes mesmo de conhecer a esposa, já dizia que queria pelo menos cinco filhos. — Ser pai é uma tarefa difícil, árdua, mas muito prazerosa. Eles tomam muito do nosso tempo, mas é um prazer muito grande — afirmou. Pedro Rocha, atacante do Coritiba, junto da esposa da Tamyres e dos filhos Arquivo Pessoal A rotina de jogador profissional, com viagens e concentrações, faz com que Tamyres tenha papel central na organização da casa. Pedro Rocha reconhece o esforço da esposa para manter a família funcionando enquanto ele está longe. — Eu falo que dentro de campo dou o meu máximo para sustentar a nossa família, mas é ela que mantém a base, digamos, da árvore de pé durante todo o ano. Isso me dá tranquilidade para chegar dentro de campo e fazer meu papel — disse. É essa dinâmica que aparece quando Pedro Rocha retorna das viagens. Mesmo cansado, ele encontra em casa uma cobrança diferente: os filhos esperando para brincar. — Mesmo morto às vezes das viagens, chega em casa e recebe com alegria os filhos. Isso não tem preço — contou. Pedro Rocha, atacante do Coritiba Everton Franco/RPC Filho segue os passos do pai? Entre os quatro filhos, Pietro, de cinco anos, é quem mais demonstra paixão pelo futebol. O garoto já frequenta escolinha, acompanha o pai e gosta de estar próximo dos treinamentos e dos jogos do Coritiba. Pedro Rocha vê a situação com carinho, mas sem pressão. — O Pietro é a realização de um sonho na minha vida, de ter um filho homem. Ele é tão apaixonado, talvez mais do que eu, pelo futebol — brincou. O atacante pretende reproduzir com o filho parte do que viveu com o próprio pai. A ideia é acompanhar, incentivar e deixar que Pietro construa seu próprio caminho. — Sem botar pressão nenhuma, mas como ele gosta, eu incentivo. Acompanho sempre que posso nos treinamentos. Tento passar para ele a experiência que meu pai passou para mim — afirmou. Por enquanto, porém, Pedro Rocha sabe que há apenas uma prioridade para o filho. — Agora, com cinco anos, é só brincar, se divertir, correr atrás da bola e se divertir mesmo — resumiu. Com o artilheiro à disposição, o Coritiba volta a campo no domingo, às 11h (de Brasília), diante do Mirassol, no Couto Pereira, pela 26ª rodada da Série A. O ge acompanha em Tempo Real. Mais notícias do esporte paranaense no ge.globo/pr