Zagueiro de Orlândia (SP) é um dos convocados da “nova” Seleção Brasileira Titular da Seleção pela primeira vez na vitória por 4 a 2 sobre a Austrália, em Brisbane, o zagueiro Jair Cunha deu mais um passo importante em sua trajetória, que começou bem longe dali. Foi em Orlândia, a 365 km de São Paulo, que o hoje convocado por Carlo Ancelotti iniciou no futebol. O caminho foi longo e exigiu sacrifícios não apenas dele, mas também de toda a família. No interior de São Paulo, Jair cresceu cercado pelo esporte. O primeiro contato com o futebol veio através do pai, Jair Paula da Cunha, que jogava futebol amador e levava o filho para acompanhar as partidas de várzea. + Confira aqui as notícias da Seleção Brasileira + Ancelotti define jogo contra a Índia como oportunidade e tira peso de jogadores: “Não é um teste” Seleção Brasileira vence Austrália em amistoso com seis gols Enquanto os adultos estavam em campo, o pequeno Jair jogava futebol com os filhos dos outros atletas. Mais tarde vieram as escolinhas de futebol de campo e de salão. — Eu sempre joguei futebol amador na várzea, não tive oportunidade de ser profissional. Levava ele para todos os lugares que ia jogar. Eu já encerrando a carreira, tinha uma certa idade, mas eu sempre levava ele. A gente ficava brincando de bola, eu e ele ali, meus amigos também levavam os filhos e ele foi pegando gosto e eu fui colocando nas escolinhas de futebol de campo e de futebol de salão — relembrou o pai. Jair Cunha, do Brasil, em amistoso contra a Austrália Rafael Ribeiro/CBF Mas a paixão não era apenas pelo futebol. Na escola, Jair também participava e se destacava nas competições de atletismo. — Na escola, eles faziam as competições de corrida, de 100m, 200m, e ele ganhava todas. Passada muito larga, sempre mais alto, sempre foi alto. E eu ia lá acompanhar as vitórias dele — disse. Quadro feito pelos pais de Jair com fotos do zagueiro na base do Santos Fabio Junior/EPTV Mais tarde, Jair deixou as pistas e optou pelo futebol. A dedicação começou logo aos dez anos, como lembra a mãe do atleta, Ivana Horácio Pinto da Cunha. — Ele adorava bicicleta, carrinho de rolimã e bola. Sempre chutando a bola. Ele era bem agitado, bem arteiro e bem atleta - recordou a mãe, que lembrou da rotina intensa com cobranças e responsabilidades: — A gente ficava uma culpa que ele não teve tanta infância igual às outras crianças. Ele teve que ter responsabilidade muito cedo, com dez anos já tinha horários, alimentação, já tinha que dormir cedo, então não tinha como ter festinha de escola, viajar com a escola, pois tinha treino todos os dias. Jair e Ivana, pais do zagueiro Jair Cunha, da Seleção Brasileira Fabio Junior/EPTV Jair participou de avaliações no Santos com dez anos. A família se dividia para acompanhar o garoto nos testes. O pai chegou a pedir dias de folga no trabalho para ficar com o filho no litoral paulista. Quando precisou voltar, foi a vez de Ivana acompanhar o menino. Até então, diferente do pai, ela encarava a possibilidade de o filho se tornar jogador com certa desconfiança. — No meu caso eu sempre achava que era brincadeira… “não imagina, milhões de crianças, logo o Jairzinho, do interior vai passar, vai conseguir. Mas eu não entendia nada. O pai sempre sentiu, tinha certeza que ele tinha potencial e tudo mais — contou Ivana. A semana que acompanhou as avaliações mudou a percepção dela. Ivana percebeu a maneira como o filho era tratado pelos profissionais do Santos e entendeu que a oportunidade poderia ir além de uma simples tentativa. - O último teste [...] eu fui acompanhar ele e fiquei lá uma semana. Nessa semana que eu vi o futebol lá e como ele era tratado perante os outros meninos, aí eles mostravam que ele tinha muito potencial. Eu pensei assim, “a gente tem que tentar mesmo” - disse. Pai do zagueiro acompanhava o filho nas avaliações e fala sobre importância da mãe na carreira de Jair Fabio Junior/EPTV E ainda nos testes da base santista, o até então atacante Jair, por orientação de dois ídolos do Peixe, Lima e Juary, conheceu nova posição. — Quando eu levei ele, levei o Jair como atacante. Só que no segundo dia de avaliação, [...] o finado Sr. Lima, e o Juary conversaram e viram, porque ele ficava lá na frente e roubava a bola muito fácil dos meninos. As pernas muito compridas, a passada larga, ele roubava fácil e tinha o passe bom. E eles estavam com carência de zagueiro na categoria sub-11. Aí eles conversaram, foram lá, chamaram ele. Ele fez assim com a cabeça [concordando], chamou um outro menino e trocou o colete. E eu lá em cima do muro, que eu que levava ele e acompanhava a avaliação, eu vi que ele foi indo lá pra trás, falei “ah, já percebi, Sr. Lima e Juary vão colocar ele de zagueiro”. Não saiu mais — lembrou o pai. Zagueiro Jair Cunha junto dos pais durante assinatura de contrato com o Santos Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC Jair foi aprovado nos testes e passou a fazer parte da base do Santos, mas a permanência do menino na cidade do litoral paulista exigiria uma mudança ainda maior. Com o filho aprovado e cada vez mais inserido na rotina da base, Ivana deixou Orlândia para acompanhá-lo no litoral. Ficaram para trás o marido, as duas filhas e a vida construída no interior. A decisão chegou a ser questionada por pessoas próximas. — As pessoas falavam: “Vocês são doidos. Nossa, largar tudo aqui no interior para ir para cidade grande atrás de futebol?”. Aí eu sempre falava: “Se a gente não tentar, como vamos saber se vai dar certo ou não?” — contou Ivana. O próprio pai reconhece que, entre todos os esforços feitos pela família para que o filho tivesse uma oportunidade no futebol, o papel de Ivana foi essencial para a carreira do zagueiro. — Essa mulher foi o carro chefe para tudo isso acontecer. Deixar tudo aqui, duas filhas, e ir tomar conta dele, pra ele se alavancar — afirmou. Jair comemora o primeiro gol do Botafogo na Copa do Mundo de Clubes 2025 Buda Mendes / Getty Images A partir dali, a infância passou a dividir espaço com uma rotina cada vez mais próxima a de um atleta profissional. O pai de Jair também cobrava o desempenho do filho. Uma lembrança das primeiras avaliações do garoto ficou marcada para ele. — Ele olhou para mim e falou: “Pai, eu sou só uma criança”. Você imagina um menino de 11 anos falar isso para o pai. Ali eu pensei: “Será que eu estou pegando pesado demais?” — recordou. Depois de se profissionalizar no Santos, Jair passou pelo Botafogo, onde disputou o Mundial de Clubes, em 2025. No mesmo ano, foi negociado pela equipe carioca por aproximadamente R$ 76 milhões para o Nottingham Forest, na Inglaterra, onde segue até hoje. O jogador já tinha vestido a camisa da Seleção em outra ocasião. Em fevereiro de 2025, na Venezuela, Jair conquistou o Sul-Americano sub-20 pelo Brasil e uma peça usada pelo jogador é guardada com carinho: — Essa camisa tem uma história muito importante para a nossa família, e principalmente pra ele. Foi o Sul-Americano Sub-20, na Venezuela, que eles foram campeões e que deu a vaga para o mundial. Ele jogou com a camisa 3, fez um grande Sul-Americano, que deu o título para o Brasil. É muito orgulho — disse o pai, com a peça nas mãos. Camisa usada por Jair durante a disputa do Sul-Americano Sub-20 pela Seleção Brasileira Fabio Junior/EPTV A convocação Jair foi uma das novidades na lista de Carlo Ancelotti para os amistosos desta Data Fifa, contra Austrália e Índia. Em meio à uma renovação da Seleção, o pai estava esperançoso de que o filho teria uma vaga. — Houve uma entrevista do Ancelotti falando que ia fazer uma renovação, né, uma revolução, renovar mesmo a Seleção. E aí eu falei até para a Ivana: “Nosso filho tem grande chance, que vai ser uma renovação agora.” Mas, mesmo assim, a gente fica surpreso — disse. Carlo Ancelotti em convocação da Seleção Brasileira para amistosos contra Austrália e Índia André Durão Os pais acompanharam a convocação pela televisão. A emoção ao escutar o nome do filho foi tanta, que Jair “saiu do ar”. — Uma loucura, uma emoção. Ele [Jair pai], muito mais. Ele saiu do ar. E ele tava ainda. Ele está ainda. Eu falei: “Jair, volta, volta ao normal". Até dei um chacoalhão nele. “Volta ao normal. Você tá fora do ar.” Ele estava assim, sabe, tão emocionado, não estava acreditando — lembrou a mãe. Jair Cunha reage a sua primeira convocação para a Seleção Brasileira Depois do anúncio, o telefone não parou de tocar. — É pessoa ligando, repórter querendo fazer entrevista, querendo saber como que é, mandando mensagens positivas. Uma loucura — disse Ivana. O pai, apesar de toda a expectativa, reconheceu a surpresa: — Eu sempre acreditei no potencial dele. Deus deu esse dom para ele. E mais cedo ou mais tarde eu sabia que isso ia acontecer, mas foi assim… pegou a gente meio de surpresa, sabe. E a ficha não caía, falava “nossa, meu filho, 21 anos, logo recém acabado a Copa do Mundo, vai servir a pátria dele, vai vestir a camisa da Seleção. Eu joguei futebol também, é um sonho realizado. Jair Cunha durante treinamento da Seleção para amistosos da 1ª data Fifa pós-Copa Rafael Ribeiro/CBF Depois de uma convocação, Jair lembra do que falavam sobre os sacrifícios que fizeram pela profissionalização do filho. — Fui chamado de louco — disse. Mas o esforço, ou melhor, a loucura de Jair e Ivana valeu a pena. Na última sexta-feira, mais de uma década depois de deixar Orlândia, o zagueiro entrou pela primeira vez em campo com a camisa da Seleção Brasileira. Na terça, foi titular. Jair se emociona ao ver onde o filho chegou, e diz que vê nele o seu sonho também ser realizado. — É um sentimento ímpar, é uma coisa dobrada, a gente fica realizado duas vezes. Você vê um filho realizando um sonho que você tinha, que é o meu caso, que tive o sonho de ser jogador profissional mas não tive oportunidade. Meu filho conseguiu e eu pude colaborar com ele. Então isso não tem preço, é gratificante demais, é muito emocionante — concluiu.
Do interior de São Paulo à Seleção: sacrifício dos pais marca trajetória de Jair Cunha
Zagueiro de Orlândia (SP) é um dos convocados da “nova” Seleção Brasileira Titular da Seleção pela primeira vez na vitória por 4 a 2 sobre a Austrália, em Brisbane, o zagueiro Jair Cunha deu mais um passo importante em sua trajetória, que começou bem longe dali. Foi em Orlândia, a 365 km de São Paulo, que o hoje convocado por Carlo Ancelotti iniciou no futebol. O caminho foi longo e exigiu sacrifícios não apenas dele, mas também de toda a família. No interior de São Paulo, Jair cresceu cercado pelo esporte. O primeiro contato com o futebol veio através do pai, Jair Paula da Cunha, que jogava futebol amador e levava o filho para acompanhar as partidas de várzea. + Confira aqui as notícias da Seleção Brasileira + Ancelotti define jogo contra a Índia como oportunidade e tira peso de jogadores: “Não é um teste” Seleção Brasileira vence Austrália em amistoso com seis gols Enquanto os adultos estavam em campo, o pequeno Jair jogava futebol com os filhos dos outros atletas. Mais tarde vieram as escolinhas de futebol de campo e de salão. — Eu sempre joguei futebol amador na várzea, não tive oportunidade de ser profissional. Levava ele para todos os lugares que ia jogar. Eu já encerrando a carreira, tinha uma certa idade, mas eu sempre levava ele. A gente ficava brincando de bola, eu e ele ali, meus amigos também levavam os filhos e ele foi pegando gosto e eu fui colocando nas escolinhas de futebol de campo e de futebol de salão — relembrou o pai. Jair Cunha, do Brasil, em amistoso contra a Austrália Rafael Ribeiro/CBF Mas a paixão não era apenas pelo futebol. Na escola, Jair também participava e se destacava nas competições de atletismo. — Na escola, eles faziam as competições de corrida, de 100m, 200m, e ele ganhava todas. Passada muito larga, sempre mais alto, sempre foi alto. E eu ia lá acompanhar as vitórias dele — disse. Quadro feito pelos pais de Jair com fotos do zagueiro na base do Santos Fabio Junior/EPTV Mais tarde, Jair deixou as pistas e optou pelo futebol. A dedicação começou logo aos dez anos, como lembra a mãe do atleta, Ivana Horácio Pinto da Cunha. — Ele adorava bicicleta, carrinho de rolimã e bola. Sempre chutando a bola. Ele era bem agitado, bem arteiro e bem atleta - recordou a mãe, que lembrou da rotina intensa com cobranças e responsabilidades: — A gente ficava uma culpa que ele não teve tanta infância igual às outras crianças. Ele teve que ter responsabilidade muito cedo, com dez anos já tinha horários, alimentação, já tinha que dormir cedo, então não tinha como ter festinha de escola, viajar com a escola, pois tinha treino todos os dias. Jair e Ivana, pais do zagueiro Jair Cunha, da Seleção Brasileira Fabio Junior/EPTV Jair participou de avaliações no Santos com dez anos. A família se dividia para acompanhar o garoto nos testes. O pai chegou a pedir dias de folga no trabalho para ficar com o filho no litoral paulista. Quando precisou voltar, foi a vez de Ivana acompanhar o menino. Até então, diferente do pai, ela encarava a possibilidade de o filho se tornar jogador com certa desconfiança. — No meu caso eu sempre achava que era brincadeira… “não imagina, milhões de crianças, logo o Jairzinho, do interior vai passar, vai conseguir. Mas eu não entendia nada. O pai sempre sentiu, tinha certeza que ele tinha potencial e tudo mais — contou Ivana. A semana que acompanhou as avaliações mudou a percepção dela. Ivana percebeu a maneira como o filho era tratado pelos profissionais do Santos e entendeu que a oportunidade poderia ir além de uma simples tentativa. - O último teste [...] eu fui acompanhar ele e fiquei lá uma semana. Nessa semana que eu vi o futebol lá e como ele era tratado perante os outros meninos, aí eles mostravam que ele tinha muito potencial. Eu pensei assim, “a gente tem que tentar mesmo” - disse. Pai do zagueiro acompanhava o filho nas avaliações e fala sobre importância da mãe na carreira de Jair Fabio Junior/EPTV E ainda nos testes da base santista, o até então atacante Jair, por orientação de dois ídolos do Peixe, Lima e Juary, conheceu nova posição. — Quando eu levei ele, levei o Jair como atacante. Só que no segundo dia de avaliação, [...] o finado Sr. Lima, e o Juary conversaram e viram, porque ele ficava lá na frente e roubava a bola muito fácil dos meninos. As pernas muito compridas, a passada larga, ele roubava fácil e tinha o passe bom. E eles estavam com carência de zagueiro na categoria sub-11. Aí eles conversaram, foram lá, chamaram ele. Ele fez assim com a cabeça [concordando], chamou um outro menino e trocou o colete. E eu lá em cima do muro, que eu que levava ele e acompanhava a avaliação, eu vi que ele foi indo lá pra trás, falei “ah, já percebi, Sr. Lima e Juary vão colocar ele de zagueiro”. Não saiu mais — lembrou o pai. Zagueiro Jair Cunha junto dos pais durante assinatura de contrato com o Santos Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC Jair foi aprovado nos testes e passou a fazer parte da base do Santos, mas a permanência do menino na cidade do litoral paulista exigiria uma mudança ainda maior. Com o filho aprovado e cada vez mais inserido na rotina da base, Ivana deixou Orlândia para acompanhá-lo no litoral. Ficaram para trás o marido, as duas filhas e a vida construída no interior. A decisão chegou a ser questionada por pessoas próximas. — As pessoas falavam: “Vocês são doidos. Nossa, largar tudo aqui no interior para ir para cidade grande atrás de futebol?”. Aí eu sempre falava: “Se a gente não tentar, como vamos saber se vai dar certo ou não?” — contou Ivana. O próprio pai reconhece que, entre todos os esforços feitos pela família para que o filho tivesse uma oportunidade no futebol, o papel de Ivana foi essencial para a carreira do zagueiro. — Essa mulher foi o carro chefe para tudo isso acontecer. Deixar tudo aqui, duas filhas, e ir tomar conta dele, pra ele se alavancar — afirmou. Jair comemora o primeiro gol do Botafogo na Copa do Mundo de Clubes 2025 Buda Mendes / Getty Images A partir dali, a infância passou a dividir espaço com uma rotina cada vez mais próxima a de um atleta profissional. O pai de Jair também cobrava o desempenho do filho. Uma lembrança das primeiras avaliações do garoto ficou marcada para ele. — Ele olhou para mim e falou: “Pai, eu sou só uma criança”. Você imagina um menino de 11 anos falar isso para o pai. Ali eu pensei: “Será que eu estou pegando pesado demais?” — recordou. Depois de se profissionalizar no Santos, Jair passou pelo Botafogo, onde disputou o Mundial de Clubes, em 2025. No mesmo ano, foi negociado pela equipe carioca por aproximadamente R$ 76 milhões para o Nottingham Forest, na Inglaterra, onde segue até hoje. O jogador já tinha vestido a camisa da Seleção em outra ocasião. Em fevereiro de 2025, na Venezuela, Jair conquistou o Sul-Americano sub-20 pelo Brasil e uma peça usada pelo jogador é guardada com carinho: — Essa camisa tem uma história muito importante para a nossa família, e principalmente pra ele. Foi o Sul-Americano Sub-20, na Venezuela, que eles foram campeões e que deu a vaga para o mundial. Ele jogou com a camisa 3, fez um grande Sul-Americano, que deu o título para o Brasil. É muito orgulho — disse o pai, com a peça nas mãos. Camisa usada por Jair durante a disputa do Sul-Americano Sub-20 pela Seleção Brasileira Fabio Junior/EPTV A convocação Jair foi uma das novidades na lista de Carlo Ancelotti para os amistosos desta Data Fifa, contra Austrália e Índia. Em meio à uma renovação da Seleção, o pai estava esperançoso de que o filho teria uma vaga. — Houve uma entrevista do Ancelotti falando que ia fazer uma renovação, né, uma revolução, renovar mesmo a Seleção. E aí eu falei até para a Ivana: “Nosso filho tem grande chance, que vai ser uma renovação agora.” Mas, mesmo assim, a gente fica surpreso — disse. Carlo Ancelotti em convocação da Seleção Brasileira para amistosos contra Austrália e Índia André Durão Os pais acompanharam a convocação pela televisão. A emoção ao escutar o nome do filho foi tanta, que Jair “saiu do ar”. — Uma loucura, uma emoção. Ele [Jair pai], muito mais. Ele saiu do ar. E ele tava ainda. Ele está ainda. Eu falei: “Jair, volta, volta ao normal". Até dei um chacoalhão nele. “Volta ao normal. Você tá fora do ar.” Ele estava assim, sabe, tão emocionado, não estava acreditando — lembrou a mãe. Jair Cunha reage a sua primeira convocação para a Seleção Brasileira Depois do anúncio, o telefone não parou de tocar. — É pessoa ligando, repórter querendo fazer entrevista, querendo saber como que é, mandando mensagens positivas. Uma loucura — disse Ivana. O pai, apesar de toda a expectativa, reconheceu a surpresa: — Eu sempre acreditei no potencial dele. Deus deu esse dom para ele. E mais cedo ou mais tarde eu sabia que isso ia acontecer, mas foi assim… pegou a gente meio de surpresa, sabe. E a ficha não caía, falava “nossa, meu filho, 21 anos, logo recém acabado a Copa do Mundo, vai servir a pátria dele, vai vestir a camisa da Seleção. Eu joguei futebol também, é um sonho realizado. Jair Cunha durante treinamento da Seleção para amistosos da 1ª data Fifa pós-Copa Rafael Ribeiro/CBF Depois de uma convocação, Jair lembra do que falavam sobre os sacrifícios que fizeram pela profissionalização do filho. — Fui chamado de louco — disse. Mas o esforço, ou melhor, a loucura de Jair e Ivana valeu a pena. Na última sexta-feira, mais de uma década depois de deixar Orlândia, o zagueiro entrou pela primeira vez em campo com a camisa da Seleção Brasileira. Na terça, foi titular. Jair se emociona ao ver onde o filho chegou, e diz que vê nele o seu sonho também ser realizado. — É um sentimento ímpar, é uma coisa dobrada, a gente fica realizado duas vezes. Você vê um filho realizando um sonho que você tinha, que é o meu caso, que tive o sonho de ser jogador profissional mas não tive oportunidade. Meu filho conseguiu e eu pude colaborar com ele. Então isso não tem preço, é gratificante demais, é muito emocionante — concluiu.
