Há 36 anos, falecia João Saldanha, um dos maiores nomes do jornalismo esportivo do Brasil Técnico que classificou a Seleção Brasileira para Copa de 1970 e comentarista esportivo, João Saldanha tem o nome marcado na história do futebol brasileiro. Mas muito antes de formar a base do esquadrão tricampeão e assumir a personalidade forte como comunicador, Saldanha se apaixonou pelo futebol em um até então modesto clube recém-fundado em Curitiba: o Athletico. O dia 12 de julho marca 36 anos da morte do jornalista, que faleceu quando trabalhava na Copa do Mundo de 1990, em Roma. 🗞️ Mais notícias do Athletico ✅ Clique aqui e siga o canal ge Athletico no WhatsApp João Saldanha se consagrou com frases antológicas e conquistas no futebol Nascido no Rio Grande do Sul, Saldanha se mudou ainda criança para Curitiba. Ele fazia parte de uma família de maragatos, termo usado para identificar os líderes da Revolução Federalista que aconteceu no estado entre 1893 e 1895. Na guerra, o grupo, conhecido por usar lenços vermelhos no pescoço, lutava contra os chimangos, que usavam lenços brancos e representavam os republicanos O pai dele, Gaspar Saldanha, era um dos líderes do movimento maragato. Em 1923, o grupo iniciou uma nova revolução no estado, em protesto à reeleição de Borges de Medeiros. O Rio Grande do Sul passou por uma guerra que durou quase um ano e a família Saldanha precisou deixar o estado. Depois de passar um tempo no Uruguai, a família se estabeleceu em Curitiba em 1924. Foi quando o jovem Saldanha trocou a paixão por cavalos pelo futebol. — O João era fascinado por cavalos no Rio Grande do Sul, nunca tinha visto bola na vida. Ele vai para para Curitiba com sete anos e, por coincidência da vida, o fundo da casa onde ele morava dava para a área do Athletico Paranaense — conta o jornalista André Iki Siqueira, autor da biografia “João Saldanha: uma vida em jogo". João Saldanha (em pé) em jantar comemorativo em Curitiba com e elenco do tri de 1970 Arquivo exposição "O Poder do Futebol e o Futebol do Poder"/MIS Chegada em momento histórico no futebol do PR Saldanha chegou a Curitiba em um momento que se tornaria histórico no futebol paranaense. No dia 26 de março de 1924, na Rua XV de Novembro, centro da cidade, as diretorias do Internacional, clube criado em 1912, e do América, criado em 1914, concordaram em se fundir e dar origem ao Club Athletico Paranaense. A relação de Saldanha com o clube deixou de ser apenas uma coincidência e passou a fazer parte da rotina do jovem estudante do Colégio Estadual Conselheiro Zacarias. Foi o Athletico o embrião de uma paixão que duraria até o último dia de sua vida. — Um dia ele resolveu conhecer o campo. Tinha pelada, racha todo dia. Ele virou Athletico, deixou os cavalos de lado e passou a conhecer um objeto que ficou com ele a vida inteira, que foi a bola — disse Siqueira. A biografia de Saldanha conta que o jornalista morou na Rua Iguaçu, no bairro Água Verde, região mais central da cidade. O ge conversou com o historiador Felippy Strapasson, que pesquisa a história das ruas da capital paranaense, e encontrou uma localização aproximada de onde a família Saldanha teria morado nos quatro anos em que ficou na cidade. Local que João Saldanha morou em Curitiba Infoesporte/ge e Google Maps Nos treinos do Athletico O novato Rubro-Negro mandava seus treinos no Joaquim Américo Guimarães, um pequeno campo de futebol construído junto a um ginásio escolar, que décadas mais tarde se tornaria a Arena da Baixada. Naquela época, era só Baixada. João Saldanha contou que foi assistir aos treinos e acabou fazendo parte do "Filhotes do Athletico". — Fui lá ver como era e acabei escalado no Filhotes do Athletico. Engraçada a mentalidade perfeita deles, fora o goleiro, ninguém tinha posição. Só vi isso em 1969, na Alemanha. Se aos dezoito, dezenove anos, a gente não sabe o que quer ser na vida, imagina se guri sabe a posição em que vai jogar? — relata um trecho da biografia de Saldanha. Como era a Baixada, estádio do Athletico, antigamente Arquivo da exposição "O Poder do Futebol e o Futebol do Poder" / MIS O jornalista Sandro Moser, pesquisador da história do Athletico, conta que a partir daquele momento, Saldanha passou a se declarar torcedor do Athletico. — Ele sempre contou que se tornou atleticano e conheceu o futebol aqui. E sempre que pôde, muitas vezes, durante essa vida fantástica que ele teve, ele falou do Athletico, dessas lembranças. Sempre que voltava a Curitiba, muitas vezes como comentarista, fazia questão de falar que era atleticano — afirmou Moser. 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google ✅ Clique aqui e siga o canal do ge PR no WhatsApp No Rio, outra paixão da bola Em 1928, a família de Saldanha voltou para o Rio Grande do Sul. Três anos depois, ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde conhecou outra paixão no futebol: o Botafogo. Paralelo ao esporte, João trilhava seu caminho na política, e se tornaria filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). — Ele chegou a jogar no Botafogo, mas aí teve um problema muscular e parou de jogar. Não era um cracaço. E então Saldanha virou diretor de futebol de clube. Em 1957, com a saída de Geninho, pediram para João assumir o time de fora provisória — contou Siqueira. — Era um timaço e aí ele faz o Botafogo campeão carioca em 1957 numa final histórica contra o Fluminense. Ali consagrou o João como treinador de futebol. O curioso é que ele não recebia salário, era apaixonado — completou o jornalista. Confira dois gols de Paulinho Valentim na goleada do Botafogo sobre o Fluminense em 1957 Na rodada final daquela edição do Campeonato Carioca, o Fluminense jogava por um empate para ser campeão. O último jogo foi contra o Botafogo, que tinha craques como Garrincha, Didi e Nilton Santos. O Alvinegro venceu por 6 a 2, com cinco gols de Paulinho Valentim e um do ainda jovem Garrincha, e foi campeão. — Dali para frente, ele vai para o comentário esportivo, e começa a ser o grande nome do comentarismo esportivo, eu diria que multimídia na sua época, porque ele fazia rádio, jornal e televisão. O João passa a ser uma grande audiência, muito popular, uma das maiores credibilidades do Brasil — disse Siqueira. Feras do Saldanha João Saldanha, que completaria 100 anos, recebe homenagens do mundo do futebol Em plena Ditadura Militar, Saldanha foi convidado por João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desporto (CBD) para comandar a Seleção Brasileira durante as eliminatórias para a Copa de 1970, no México. A Seleção fez uma campanha memorável nas Eliminatórias, com um time recheado de craques, os "Feras do Saldanha", com Pelé, Tostão, Jairzinho, Carlos Alberto Torres, entre outros, que formaram a base do time campeão mundial no ano seguinte. Ele acabou demitido antes do Mundial do México e Zagallo assumiu a equipe que triunfou no México. Há quem diga que Saldanha foi demitido por não convocar Dario, pedido de Médici, general que governava o país durante a Ditadura naquele momento. Capa do "O Globo" repercutindo a demissão de João Saldanha Acervo O Globo Meses depois da conquista do tri pela Seleção, o elenco do Santos, que tinha Pelé, Carlos Alberto Torres e Clodoaldo, desembarcou em Curitiba para enfrentar o Athletico pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão. Os jogadores campeões foram homenageados em um almoço no Palácio do Iguaçu, sede oficial do governo do Paraná, com o então governador Paulo Pimentel. João Saldanha esteve na comemoração e comentou aquela partida. O jornalista voltou à cidade que o apresentou o futebol já como consagrado personagem do esporte. — O Saldanha estava aqui como comentarista, e também foi convidado para o almoço, apesar de todas as tensões que aconteceram com a demissão dele, antes da Copa. Mas isto já estava, de certa forma, superado. Ele fez um discurso. Nesse jogo o Athletico ganhou o do Santos e o Saldanha pôde comemorar a vitória do seu time de coração — conta Moser. João Saldanha Arquivo Dos treinos do Athletico à Seleção, o futebol foi a vida de João Saldanha. "Comentarista que o Brasil consagrou", ele não deixou a paixão de lado nem quando já tinha a saúde comprometida por um enfisema pulmonar. Viajou à sua última Copa do Mundo como comentarista da TV Manchete e desembarcou de cadeira de rodas em Roma. Morreu quatro dias após a final do Mundial, que teve a Alemanha como campeã, no hotel na capital da Itália. Mais do esporte paranaense em ge.globo/pr

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