Zico comenta paixão dos indianos pelo Brasil: "É uma loucura" Uma multidão de pessoas reunidas para assistir a um jogo da seleção brasileira de futebol. A festa tem direito a bandeirão e música de torcida entre as centenas de pessoas vestidas a caráter, mas a maior surpresa vem da localização: a Índia. A cada grande competição que tem o Brasil como participante, essa cena se repete nas redes sociais. + ✅Clique aqui para seguir o canal ge Futebol Internacional no WhatsApp Os indianos carregam uma paixão especial pelo futebol brasileiro e pela Seleção, motivada pela história dos grandes ídolos que surgiram aqui. O sentimento permanece até os dias de hoje e vai ser protagonista da partida deste sábado, quando o Brasil vai enfrentar a Índia em território indiano pela primeira vez. — Eles (os indianos) têm um fanatismo pela Seleção. Víamos faixas com nosso nome, bandeiras do Brasil e com meu nome, a paixão deles por Romário, Ronaldo, Ronaldinho. Eles nunca participaram de nada, então escolheram o Brasil para ser o país deles no futebol. Era uma loucura, lembro dos estádios lotados. Havia locais em que você via o estádio cheio e uma multidão do lado de fora querendo entrar — contou Zico, que foi técnico no país, ao ge. + Raphinha é cortado da Seleção e não viaja para amistoso com a Índia O amistoso Índia x Brasil será às 11h (horário de Brasília) de sábado, em Calcutá. Globo, sportv e getv transmitem o jogo, e o ge acompanha ao vivo com vídeos no Tempo Real. Mural em homenagem à seleção brasileira em Pallikkara, no estado de Kerala Reprodução/ Abishek Vaakkat @av_stories___ Paixão antiga e concentrada A conexão da Índia com o futebol do Brasil não é de hoje, é o que prova a Brazil FANS Kerala, uma página que existe desde 2012 e soma mais de 600 mil seguidores no Instagram e no Facebook. + Jorge Jesus diz que Cristiano Ronaldo é um símbolo e promete explicar crise: "Não me esconderei" A comunidade faz a cobertura completa da Seleção, destacando os feitos dos jogadores brasileiros em seus clubes, acompanhando convocações e compartilhando os resultados - mesmo fora das Datas Fifa. Um dos responsáveis por administrar o conteúdo é Ishaq Attupurath, que garante que o futebol é o esporte mais famoso em algumas partes do país. Veja a festa dos indianos na torcida pelo Brasil durante a Copa do Mundo de 2026 Na Índia, a maioria das pessoas acompanha o críquete, talvez 80% da população. No entanto, alguns estados, como Kerala, Bengala Ocidental (incluindo Calcutá) e Goa, apoiam fervorosamente o futebol Kerala, localizado no sul da Índia, é até hoje um dos grandes expoentes dessa paixão dos indianos pelo Brasil. O estado abriga uma das maiores concentrações de torcedores da seleção brasileira e conta com uma imagem gigante de Neymar e um mural pintado com o rosto do elenco atual da equipe. Também são de lá os principais vídeos viralizados durante Copas do Mundo. + Copa do Mundo 2030: como está a obra do estádio do Marrocos para 115 mil pessoas que briga pela final Na visão de Ishaq, essa paixão pelo esporte começa na época em que a Índia ainda era dominada pelos britânicos. Os colonizadores trouxeram o futebol para o país, especificamente para a área de Malabar (hoje conhecida como Malappuram), que abriga uma enorme base de torcedores. A Índia conquistou a independência da Inglaterra em 1947, mas a força do futebol permaneceu. — As pessoas acompanham muito o futebol e ficaram muito marcadas pela década de 1970. Desenvolveram uma verdadeira adoração pelo estilo de jogo brasileiro, o "joga bonito". A era de Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Cafu marcou o auge para os indianos que torciam pela seleção brasileira, principalmente em Kerala (sede da página). As vitórias do Brasil eram sempre motivo de grande comemoração — afirmou Ishaq Attupurath. Torcida indiana faz clipe estilo Bollywood para a Seleção Brasileira Outra perspectiva que explica a paixão dos indianos por uma seleção tão distante trata de um período da economia asiática, que permitiu que mais pessoas tivessem acesso ao futebol. Kiko Menezes, repórter da TV Globo, estudou sobre o assunto para uma viagem especial em 2014. Ao lado de uma equipe de reportagem, Kiko passou um mês na Índia e visitou seis cidades. O objetivo da ida era produzir uma série sobre o mais novo treinador do futebol indiano: Zico. O ex-jogador foi contratado em setembro daquele ano pelo FC Goa, sediado em um estado colonizado por portugueses e que também carrega características parecidas com o Brasil por esse motivo. — Existiu uma espécie de um milagre econômico na Índia, um salto motivado pelas indústrias, em que muitas pessoas pobres ascenderam socialmente, mais ou menos entre as décadas de 1980 e 1990. As pessoas começam a ter mais recurso e consumir. E olha que fenômeno interessante: esse boom de consumo de aparelhos conectam classes marginalizadas da Índia com o mundo exterior — destacou Kiko. + Ao lado da Taça, exposição relembra jogo de despedida de Pelé na Índia Em 2013, o ge esteve em Calcutá (mesmo local do jogo de sábado) e mostrou uma exposição que exibia uma camisa da seleção brasileira autografada por Pelé, além de fotos do jogador durante um tour de despedida com o Cosmos FC, em 1977. A mostra também reunia um autógrafo de Maradona em quadro, a camisa do Chelsea campeão da Liga dos Campeões em 2012 e uma medalha da Copa do Mundo de 2006. Indianos de Kerala fazem painel gigante de Neymar para a Copa de 2022 Reprodução / @adarsh_tp — Esses períodos coincidem com a época em que o Maradona está ganhando uma Copa pra Argentina e pega justamente a década que o Brasil é tetra e chega numa final em 1998, uma época brilhante do Brasil. Esse fascínio dos indianos é muito por conta disso. Eles reconhecem o futebol como um esporte de trabalhadores e isso fala muito com o povo de lá — disse o repórter brasileiro. Para nós, o Brasil não é apenas um time, mas uma emoção e uma paixão comparáveis ao amor que nutrimos pela nossa própria terra natal. Reconhecemos o hino nacional brasileiro instantaneamente e sentimos uma conexão profunda e pessoal com ele A experiência de Zico O ídolo do Flamengo assinou com o clube indiano FC Goa em 2014, oito meses depois de deixar o comando do Al-Gharafa, do Catar. A contratação de Zico fez parte de um grande projeto de investimento no futebol indiano, patrocinado por milionários locais. O objetivo era criar uma nova liga profissional, a Superliga Indiana, e contratar jogadores e atletas de peso para fomentar o esporte do país. + Zico chega à Índia para assumir o Goa e é recebido com festa no aeroporto — Só o fato de o Zico estar indo treinar um time na Índia, eu já acho que vale uma reportagem. A ideia era trazer jogadores famosos que estão quase encerrando suas carreiras e misturar com jogadores da Índia, para tentar desenvolver o futebol indiano. Chamaram Materazzi, Zico, Anelka, mas lá não tinha nenhum desenvolvimento ou cultura futebolística. Tudo isso já era ingrediente para você contar uma história para o Brasil, né? — contou Kiko Menezes. Zico é recebido com festa no aeroporto para segunda temporada no Goa FC, da Índia Reprodução / Twitter Zico comenta semelhanças evolução dos indianos no futebol O Brasil teve um grande papel nessa estratégia de expansão do futebol indiano. No Goa, por exemplo, Zico treinou brasileiros como André Santos (ex-Corinthians) e o campeão mundial Lúcio. E também enfrentou técnicos do Brasil, como Roberto Carlos, que comandava o Delhi Dynamos (hoje conhecido como Odisha). — Muitos brasileiros estavam lá. Foi uma experiência ótima porque cada time ficava em um hotel cinco estrelas e tinha um bom CT legal de treinamento, os estrangeiros deram para eles uma base melhor para melhorar fundamentos. Houve um crescimento do futebol indiano. Isso mais tarde fortaleceu a liga, porque o torneio antigo dos indianos era bem fraco. Depois da criação da Superliga a coisa mudou, apareceram bons jogadores indianos e os times passaram a disputar Champions League da Ásia — contou Zico ao ge. Confira um dos episódios da série sobre a passagem de Zico na Índia: ''Zico na Índia'': Galinho começa aventura em território ''vascaíno'' Zico permaneceu no Goa por duas temporadas. Na primeira, a estreia da Superliga Indiana, o clube foi até as semifinais e na segunda caiu ainda na primeira fase. O craque contou que tem ótimas lembranças da recepção dos indianos, mas que tem um elemento de lá que ele nunca esqueceu: — A pimenta, tudo tinha pimenta. Muita gente pensa que é igual a nossa, mas na Índia é totalmente diferente. Eu gosto de pimenta, mas era um negócio absurdo e assustador. A comida já vem com muita pimenta, muita, muita — brincou. A paixão pelo "joga bonito" até hoje Miguel Damasceno tem acompanhado de perto essa conexão entre Brasil e Índia. Ele é meio-campista, formado na base do Goiás, mas está no futebol indiano há pouco mais de um ano. Começou jogando pelo East Bengal, clube em que foi eleito melhor jogador do Campeonato Indiano na temporada 25/26. Atualmente, ele atua no Mohun Bagan, também da Primeira Divisão local. Brasileiro jogando na Índia, Miguel Damasceno brinca: "Acham que todos jogam como Neymar" Eles falam muito "joga bonito" para se referir a nós (do Brasil). Sem dúvida, tem uma pressão nos jogadores por isso. Eles acham que todo mundo é igual o Neymar, que todo mundo é igual o Ronaldinho Miguel também destaca a importância de ter um amistoso com a seleção brasileira na Índia. O atleta acredita que oportunidades como essa trazem um holofote maior para um futebol que ainda está em desenvolvimento. Segundo ele, os companheiros da Liga Indiana estão tratando o amistoso em casa como um grande "privilégio" e muitos estarão torcendo pelo Brasil mesmo sendo indianos. — Eles gostam muito do futebol brasileiro, é nítido. Toda vez aqui eu chego no treino, eles falam de alguns jogadores brasileiros, gostam muito de Ronaldinho, Ronaldo, Neymar, assistem aos nossos jogos. O pessoal vem treinar com a camisa do Brasil. Quando tem Copa do Mundo, eles podem ver né mais esses jogadores. Gostam muito do futebol sul-americano, mas do Brasil principalmente. Até me surpreendi porque muitos falam português aqui — contou Miguel ao ge.
Brasil x Índia: como o país asiático se tornou um reduto de fãs da seleção brasileira?
Zico comenta paixão dos indianos pelo Brasil: "É uma loucura" Uma multidão de pessoas reunidas para assistir a um jogo da seleção brasileira de futebol. A festa tem direito a bandeirão e música de torcida entre as centenas de pessoas vestidas a caráter, mas a maior surpresa vem da localização: a Índia. A cada grande competição que tem o Brasil como participante, essa cena se repete nas redes sociais. + ✅Clique aqui para seguir o canal ge Futebol Internacional no WhatsApp Os indianos carregam uma paixão especial pelo futebol brasileiro e pela Seleção, motivada pela história dos grandes ídolos que surgiram aqui. O sentimento permanece até os dias de hoje e vai ser protagonista da partida deste sábado, quando o Brasil vai enfrentar a Índia em território indiano pela primeira vez. — Eles (os indianos) têm um fanatismo pela Seleção. Víamos faixas com nosso nome, bandeiras do Brasil e com meu nome, a paixão deles por Romário, Ronaldo, Ronaldinho. Eles nunca participaram de nada, então escolheram o Brasil para ser o país deles no futebol. Era uma loucura, lembro dos estádios lotados. Havia locais em que você via o estádio cheio e uma multidão do lado de fora querendo entrar — contou Zico, que foi técnico no país, ao ge. + Raphinha é cortado da Seleção e não viaja para amistoso com a Índia O amistoso Índia x Brasil será às 11h (horário de Brasília) de sábado, em Calcutá. Globo, sportv e getv transmitem o jogo, e o ge acompanha ao vivo com vídeos no Tempo Real. Mural em homenagem à seleção brasileira em Pallikkara, no estado de Kerala Reprodução/ Abishek Vaakkat @av_stories___ Paixão antiga e concentrada A conexão da Índia com o futebol do Brasil não é de hoje, é o que prova a Brazil FANS Kerala, uma página que existe desde 2012 e soma mais de 600 mil seguidores no Instagram e no Facebook. + Jorge Jesus diz que Cristiano Ronaldo é um símbolo e promete explicar crise: "Não me esconderei" A comunidade faz a cobertura completa da Seleção, destacando os feitos dos jogadores brasileiros em seus clubes, acompanhando convocações e compartilhando os resultados - mesmo fora das Datas Fifa. Um dos responsáveis por administrar o conteúdo é Ishaq Attupurath, que garante que o futebol é o esporte mais famoso em algumas partes do país. Veja a festa dos indianos na torcida pelo Brasil durante a Copa do Mundo de 2026 Na Índia, a maioria das pessoas acompanha o críquete, talvez 80% da população. No entanto, alguns estados, como Kerala, Bengala Ocidental (incluindo Calcutá) e Goa, apoiam fervorosamente o futebol Kerala, localizado no sul da Índia, é até hoje um dos grandes expoentes dessa paixão dos indianos pelo Brasil. O estado abriga uma das maiores concentrações de torcedores da seleção brasileira e conta com uma imagem gigante de Neymar e um mural pintado com o rosto do elenco atual da equipe. Também são de lá os principais vídeos viralizados durante Copas do Mundo. + Copa do Mundo 2030: como está a obra do estádio do Marrocos para 115 mil pessoas que briga pela final Na visão de Ishaq, essa paixão pelo esporte começa na época em que a Índia ainda era dominada pelos britânicos. Os colonizadores trouxeram o futebol para o país, especificamente para a área de Malabar (hoje conhecida como Malappuram), que abriga uma enorme base de torcedores. A Índia conquistou a independência da Inglaterra em 1947, mas a força do futebol permaneceu. — As pessoas acompanham muito o futebol e ficaram muito marcadas pela década de 1970. Desenvolveram uma verdadeira adoração pelo estilo de jogo brasileiro, o "joga bonito". A era de Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Cafu marcou o auge para os indianos que torciam pela seleção brasileira, principalmente em Kerala (sede da página). As vitórias do Brasil eram sempre motivo de grande comemoração — afirmou Ishaq Attupurath. Torcida indiana faz clipe estilo Bollywood para a Seleção Brasileira Outra perspectiva que explica a paixão dos indianos por uma seleção tão distante trata de um período da economia asiática, que permitiu que mais pessoas tivessem acesso ao futebol. Kiko Menezes, repórter da TV Globo, estudou sobre o assunto para uma viagem especial em 2014. Ao lado de uma equipe de reportagem, Kiko passou um mês na Índia e visitou seis cidades. O objetivo da ida era produzir uma série sobre o mais novo treinador do futebol indiano: Zico. O ex-jogador foi contratado em setembro daquele ano pelo FC Goa, sediado em um estado colonizado por portugueses e que também carrega características parecidas com o Brasil por esse motivo. — Existiu uma espécie de um milagre econômico na Índia, um salto motivado pelas indústrias, em que muitas pessoas pobres ascenderam socialmente, mais ou menos entre as décadas de 1980 e 1990. As pessoas começam a ter mais recurso e consumir. E olha que fenômeno interessante: esse boom de consumo de aparelhos conectam classes marginalizadas da Índia com o mundo exterior — destacou Kiko. + Ao lado da Taça, exposição relembra jogo de despedida de Pelé na Índia Em 2013, o ge esteve em Calcutá (mesmo local do jogo de sábado) e mostrou uma exposição que exibia uma camisa da seleção brasileira autografada por Pelé, além de fotos do jogador durante um tour de despedida com o Cosmos FC, em 1977. A mostra também reunia um autógrafo de Maradona em quadro, a camisa do Chelsea campeão da Liga dos Campeões em 2012 e uma medalha da Copa do Mundo de 2006. Indianos de Kerala fazem painel gigante de Neymar para a Copa de 2022 Reprodução / @adarsh_tp — Esses períodos coincidem com a época em que o Maradona está ganhando uma Copa pra Argentina e pega justamente a década que o Brasil é tetra e chega numa final em 1998, uma época brilhante do Brasil. Esse fascínio dos indianos é muito por conta disso. Eles reconhecem o futebol como um esporte de trabalhadores e isso fala muito com o povo de lá — disse o repórter brasileiro. Para nós, o Brasil não é apenas um time, mas uma emoção e uma paixão comparáveis ao amor que nutrimos pela nossa própria terra natal. Reconhecemos o hino nacional brasileiro instantaneamente e sentimos uma conexão profunda e pessoal com ele A experiência de Zico O ídolo do Flamengo assinou com o clube indiano FC Goa em 2014, oito meses depois de deixar o comando do Al-Gharafa, do Catar. A contratação de Zico fez parte de um grande projeto de investimento no futebol indiano, patrocinado por milionários locais. O objetivo era criar uma nova liga profissional, a Superliga Indiana, e contratar jogadores e atletas de peso para fomentar o esporte do país. + Zico chega à Índia para assumir o Goa e é recebido com festa no aeroporto — Só o fato de o Zico estar indo treinar um time na Índia, eu já acho que vale uma reportagem. A ideia era trazer jogadores famosos que estão quase encerrando suas carreiras e misturar com jogadores da Índia, para tentar desenvolver o futebol indiano. Chamaram Materazzi, Zico, Anelka, mas lá não tinha nenhum desenvolvimento ou cultura futebolística. Tudo isso já era ingrediente para você contar uma história para o Brasil, né? — contou Kiko Menezes. Zico é recebido com festa no aeroporto para segunda temporada no Goa FC, da Índia Reprodução / Twitter Zico comenta semelhanças evolução dos indianos no futebol O Brasil teve um grande papel nessa estratégia de expansão do futebol indiano. No Goa, por exemplo, Zico treinou brasileiros como André Santos (ex-Corinthians) e o campeão mundial Lúcio. E também enfrentou técnicos do Brasil, como Roberto Carlos, que comandava o Delhi Dynamos (hoje conhecido como Odisha). — Muitos brasileiros estavam lá. Foi uma experiência ótima porque cada time ficava em um hotel cinco estrelas e tinha um bom CT legal de treinamento, os estrangeiros deram para eles uma base melhor para melhorar fundamentos. Houve um crescimento do futebol indiano. Isso mais tarde fortaleceu a liga, porque o torneio antigo dos indianos era bem fraco. Depois da criação da Superliga a coisa mudou, apareceram bons jogadores indianos e os times passaram a disputar Champions League da Ásia — contou Zico ao ge. Confira um dos episódios da série sobre a passagem de Zico na Índia: ''Zico na Índia'': Galinho começa aventura em território ''vascaíno'' Zico permaneceu no Goa por duas temporadas. Na primeira, a estreia da Superliga Indiana, o clube foi até as semifinais e na segunda caiu ainda na primeira fase. O craque contou que tem ótimas lembranças da recepção dos indianos, mas que tem um elemento de lá que ele nunca esqueceu: — A pimenta, tudo tinha pimenta. Muita gente pensa que é igual a nossa, mas na Índia é totalmente diferente. Eu gosto de pimenta, mas era um negócio absurdo e assustador. A comida já vem com muita pimenta, muita, muita — brincou. A paixão pelo "joga bonito" até hoje Miguel Damasceno tem acompanhado de perto essa conexão entre Brasil e Índia. Ele é meio-campista, formado na base do Goiás, mas está no futebol indiano há pouco mais de um ano. Começou jogando pelo East Bengal, clube em que foi eleito melhor jogador do Campeonato Indiano na temporada 25/26. Atualmente, ele atua no Mohun Bagan, também da Primeira Divisão local. Brasileiro jogando na Índia, Miguel Damasceno brinca: "Acham que todos jogam como Neymar" Eles falam muito "joga bonito" para se referir a nós (do Brasil). Sem dúvida, tem uma pressão nos jogadores por isso. Eles acham que todo mundo é igual o Neymar, que todo mundo é igual o Ronaldinho Miguel também destaca a importância de ter um amistoso com a seleção brasileira na Índia. O atleta acredita que oportunidades como essa trazem um holofote maior para um futebol que ainda está em desenvolvimento. Segundo ele, os companheiros da Liga Indiana estão tratando o amistoso em casa como um grande "privilégio" e muitos estarão torcendo pelo Brasil mesmo sendo indianos. — Eles gostam muito do futebol brasileiro, é nítido. Toda vez aqui eu chego no treino, eles falam de alguns jogadores brasileiros, gostam muito de Ronaldinho, Ronaldo, Neymar, assistem aos nossos jogos. O pessoal vem treinar com a camisa do Brasil. Quando tem Copa do Mundo, eles podem ver né mais esses jogadores. Gostam muito do futebol sul-americano, mas do Brasil principalmente. Até me surpreendi porque muitos falam português aqui — contou Miguel ao ge.
