Crise na Ponte Preta se agrava após sexta derrota consecutiva na Série B O forte desabafo de Elvis após a derrota da Ponte Preta para o Criciúma por 2 a 1 vai muito além da insatisfação com o resultado negativo no Majestoso. As cobranças públicas do meia escancaram um cenário de atrasos salariais, desgaste com a diretoria e uma pressão insustentável que explica o momento crítico do clube. Entre as declarações, Elvis disse que "o que estão fazendo com a Ponte não existe". + ge Ponte Preta tem canal no WhatsApp; clique aqui para seguir! 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google A fala do camisa 10, carregada de indignação, funciona como síntese de uma crise que se arrasta há meses fora de campo e impacta diretamente o desempenho dentro das quatro linhas — num ambiente de perda de confiança, saídas no elenco e instabilidade institucional. Abaixo, o ge lista os motivos que levaram Elvis a disparar contra a diretoria na última quarta-feira. Elvis, meia da Ponte Preta Marcos Ribolli/ PontePress 💸 Salários atrasados e promessas não cumpridas O principal ponto de tensão entre elenco e diretoria é financeiro. Os atrasos salariais são recorrentes desde 2025 e seguem como problema central na atual temporada. Em junho, jogadores chegaram a se manifestar publicamente, afirmando que alguns atletas não haviam recebido sequer um mês em 2026. Após a repercussão, a diretoria efetuou o pagamento referente a janeiro, mas o restante das pendências permanece em aberto. Elvis detona diretoria da Ponte: "Estão brincando com as nossas vidas" A situação do próprio Elvis é um retrato claro do cenário. O meia entrou na Justiça contra o clube no fim de janeiro, cobrando cerca de R$ 8 milhões. Para seguir atuando, aceitou um acordo na casa de R$ 750 mil — que não vem sendo cumprido. No desabafo após o jogo contra o Criciúma, afirmou ter recebido apenas um salário desde então. 🔁 Desgaste antigo e cobranças públicas A indignação não é inédita. Ainda durante o Paulistão, Elvis já havia adotado tom semelhante ao criticar a condução do clube, classificando como “vergonha” a situação vivida pela Ponte após jogo contra o Velo Clube. Internamente, o posicionamento do meia ganha peso por sua trajetória recente. Desde 2022 no Majestoso, ele passou por diferentes momentos e, em determinado período, chegou a destacar a boa relação com Marco Antonio Eberlin, presidente até o fim de 2025 e hoje vice-presidente e diretor de futebol. A postura atual do camisa 10 reforça o tamanho do desgaste e ajuda a explicar por que o discurso de Elvis ecoa como reflexo de um incômodo coletivo no elenco. Marcelo Fernandes desabafa após derrota da Ponte Preta contra o Velo Clube 🧨 Relação com a diretoria no limite Se antes as críticas eram mais genéricas, desta vez o alvo foi direto. Elvis direcionou as cobranças à atual gestão e, principalmente, à ausência de comunicação com o grupo. Sem citar nominalmente o presidente Luiz Torrano — tratado apenas como “novo presidente”, o meia reclamou do distanciamento da diretoria, cobrando presença no dia a dia do elenco. A crítica também envolve o formato de comunicação escolhido por Torrano, que se dirige ao torcedor por meio de conteúdo gravado, em áudio, divulgado no canal oficial do clube - mas que desde a última quinta-feira, dia seguinte ao desabafo de Elvis, não é publicado. Torrano é o atual presidente da Ponte Marcos Ribolli/ PontePress A percepção interna é de que há um vácuo de liderança. Embora Torrano esteja à frente institucionalmente desde a virada de 2025 para 2026, Eberlin lidera o grupo político — o que contribui para o aumento da cobrança e da rejeição ao atual presidente. Outro momento marcante da fala de Elvis foi ao sugerir que os atuais responsáveis por comandar a Ponte deixassem o clube caso não venham a conseguir recursos para aliviar a situação. 🚪 Saídas por atacado O ambiente instável já causa uma debandada no elenco - a narrativa de Torrano em seus pronunciamentos é que as saídas fazem parte de um processo natural de reformaulação. Recentemente, a Ponte perdeu jogadores importantes, como o goleiro Diogo Silva e o atacante Pottker, titulares que acionaram o clube na Justiça. Também deixaram o Majestoso o volante Tárik e o atacante Luis Phelipe. Outros casos seguem em aberto. O lateral-direito Thalys notificou o clube e afirmou que só volta a atuar após a quitação das pendências. A tendência, diante do cenário, é de novas saídas em breve. A sequência de baixas enfraquece o elenco em meio à disputa da Série B e amplia o impacto da crise fora de campo para a sequência da Série B do Brasileiro. William Pottker deixou a Ponte Preta Marcos Ribolli 🚫 Transferban e punições Mesmo com dificuldades financeiras, a Ponte chegou a anunciar um pacote de reforços recentemente. O problema é que o clube está impedido de registrar novos jogadores. Atualmente, a equipe enfrenta transferbans ativos tanto na CNRD quanto na Fifa, consequência de dívidas não quitadas. A situação expõe uma contradição que também foi alvo de questionamento no desabafo de Elvis: a chegada de reforços sem a regularização das pendências com o elenco atual. Elenco da Ponte antes de jogo da Série B Marcos Ribolli/ PontePress Os atrasos salariais também geraram consequências institucionais. A Ponte foi excluída do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de Clubes da Série B (PARF-B) após descumprir o acordo de manter salários em dia. Além de perder o benefício — que ajudava a custear viagens —, o clube ainda terá que ressarcir valores já pagos pela CBF dentro do programa desde o início da competição. 🧱 Crise atinge também a base O cenário turbulento extrapola o futebol profissional. Durante a última semana, os responsáveis pelas categorias de base pediram desligamento coletivo. Deixaram seus cargos os co-diretores Francisco Marques, o Kiko (sub-20), Alexandre Garutti (sub-17) e Rafael Mendes (sub-15). Em comunicado, Garutti afirmou que a decisão foi motivada por fatores que impediam a realização de um trabalho “condizente com a força e tradição” do clube. 🔇 Silêncio da diretoria e reação interna Após o desabafo de Elvis, a diretoria não se pronunciou publicamente - e Torrano também não publicou novos conteúdos no canal do clube no Youtube. Nos bastidores, porém, a repercussão foi negativa. Segundo informações apuradas pelo ge, integrantes da cúpula alvinegra consideraram as declarações exageradas e esperam que o meia não dê novas entrevistas. A medida amplia o clima de tensão e reforça a sensação de ruptura entre elenco e gestão. 🌐 Repercussão no mercado A crise da Ponte também já impacta a percepção externa. O lateral-esquerdo Roberto, do Caxias, revelou que recusou uma proposta do clube campineiro. O motivo foi direto: “jogar de graça não dá”. O episódio ilustra o desgaste da imagem da Ponte no mercado e as dificuldades para atrair reforços em meio ao cenário atual. + CLIQUE AQUI e leia mais sobre a Ponte Roberto diz que recusou a Ponte por causa da crise financeira Luiz Erbes/S.E.R. Caxias ⚽ Reflexos em campo Dentro de campo, o reflexo é evidente. A derrota para o Criciúma, no último lance, foi a sexta consecutiva da equipe — a 10ª em 11 rodadas sem vencer. Com apenas oito pontos em 17 jogos, a Ponte ocupa a vice-lanterna da Série B e caminha a passos largos para mais um rebaixamento na temporada — já caiu no Paulistão. É nesse contexto que o desabafo de Elvis ganha dimensão maior. Mais do que a reação a um resultado, ele expõe uma sequência de fatores que, somados, mostram por que o clube vive uma das fases mais delicadas da sua história de 125 anos.

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