Argentina 3 x 2 Cabo Verde | Melhores momentos | Segunda fase | Copa do Mundo 2026 Vem de José Miguel Wisnik, no livro “Veneno Remédio”, uma formulação à qual costumo retornar quando vejo um jogo como o inesquecível Argentina 3 x 2 Cabo Verde desta sexta-feira. Nele, o autor defende que o futebol se diferencia de outros esportes pela forma como lida com o tempo – por distendê-lo, por permitir que flua de forma mais contínua, com menos interrupções. Isso faz com que o futebol se abra “a uma margem narrativa que admite o épico, o dramático, o trágico, o lírico, o cômico, o paródico”. Nesse sentido, é uma temporalidade que o aproxima da vida, dessa linha constante, mas feita de sobressaltos, em que ficamos à mercê da incerteza. + Saga final de Cristiano Ronaldo contamina Portugal na Copa + França desponta com o melhor futebol da Copa + Virada sobre o Japão é o batismo que coloca o Brasil na Copa Deroy Duarte comemora gol de Cabo Verde contra Argentina Reuters A vida é aquele jogo em que não sabemos se na próxima esquina encontraremos a morte ou nosso grande amor. O futebol é aquele jogo em que não sabemos se a campeã do mundo conseguirá vencer um arquipélago de 500 mil habitantes estreante em Copas do Mundo. O futebol simula a guerra na imposição da força e da estratégia para ocupar o terreno inimigo; a guerra imita a vida no vaivém entre o tédio e o êxtase, a glória e o horror; o futebol emula a vida ao jogar-se no vazio em cada pequeno movimento. O jogo que começa, feito a vida que se inicia, está submetido às delícias do caos. E aí Cabo Verde busca o empate duas vezes contra a Argentina, leva o jogo à prorrogação, ameaça levá-lo aos pênaltis, exaure os campeões mundiais, faz com que o maior jogador de uma geração busque energia na última célula para avançar às oitavas de final da Copa do Mundo. Messi - Argentina x Cabo Verde - Copa do Mundo REUTERS/Paul Childs “Não é só futebol”, diz o clichê moderno. Tem vezes que é só futebol, sim. E tudo bem: é um grande esporte, é divertido de ver, costuma ser muito bonito – apresenta certa mistura entre a leveza do balé e a potência da música, entre a encenação teatral e a jornada literária do herói, entre a eternidade da pintura e o movimento do cinema. Mas tem vezes que só nosso maior mistério, nosso maior espanto, parece explicá-lo – tem vezes que só a vida. E é por isso que o amamos tanto.

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