O Itacoatiara terminou a Série A2 do Brasileiro feminino na lanterna da competição, com quatro pontos, e, consequentemente, foi rebaixado para a Série A3 da competição nacional. Porém, o clube não deve disputar a competição do ano que vem porque, segundo o presidente João Carlos Dias, não terá mais equipe feminina. — Infelizmente, a gente não dará mais continuidade no futebol feminino, não fará mais parte da nossa grade. A gente vai só competir com o profissional masculino, com a base masculina. Infelizmente para a gente, depois de oito anos, seis anos consecutivos disputando ali o acesso da A2, com tudo isso, mas infelizmente pela falta de apoio, patrocínios, é muito difícil competir com futebol feminino — afirmou João Carlos. Itacoatiara foi rebaixado para a Série A3 do Brasileiro feminino Divulgação/Itacoatiara A decisão encerra um projeto que colocou o futebol feminino de Itacoatiara no cenário nacional. Ao longo de oito anos, o clube, que antes era JC, disputou competições nacionais e chegou a ficar perto do acesso à elite em mais de uma oportunidade. Um dos capítulos mais marcantes foi contra o Fluminense, em 2023, quando o então JC decidiu uma vaga na Série A1. O confronto decisivo levou grande público ao estádio Floro de Mendonça, em Itacoatiara, e terminou com a classificação do time carioca nos pênaltis. — Foram oito anos de competição, a gente decidiu por cinco vezes o acesso. Tivemos o duelo histórico contra o Fluminense, casa lotada, lotação total no Floro de Mendonça, e a gente, claro, vai encerrando com uma tristeza no coração — disse o presidente. Elenco do Itacoatiara no Campeonato Brasileiro Feminino Série A2 de 2026 Dimily Paiva Última temporada termina com rebaixamento Em 2026, a campanha não teve o mesmo desempenho dos anos anteriores. O Itacoatiara somou quatro pontos na Série A2 e terminou na última posição da tabela. A equipe conquistou apenas uma vitória e um empate na competição e acabou rebaixada para a Série A3. Para João Carlos, o rebaixamento acabou sendo acompanhado por uma decisão ainda mais difícil: colocar um ponto final no futebol feminino do clube. — Hoje é muito difícil quando você fala em patrocínio para o futebol feminino. Não tem a mesma visibilidade como tem o masculino. Então, por alguns outros empecilhos, a gente decidiu fazer as competições somente com o masculino — explicou. João Carlos, presidente dO Itacoatiara na época de JC Divulgação Falta de apoio pesa na decisão O presidente também apontou a dificuldade de buscar recursos para manter uma equipe feminina em uma competição nacional. Segundo ele, o clube esperava contar com apoio público em 2026, mas não recebeu os recursos que considerava necessários para manter o projeto. — Esse ano de 2026, a gente esbarra na grande dificuldade. É um ano político. A gente esperava apoio do Governo do Estado do Amazonas, da nossa própria federação. Ficamos tristes em saber que o projeto de apoio aos clubes profissionais, infelizmente, não vai ter o aporte financeiro para os clubes esse ano — afirmou. Itacoatiara ficou na lanterna da Série A2 e foi rebaixado Dimily Paiva/Itacoatiara FC João Carlos defendeu a criação de políticas permanentes de incentivo aos clubes que disputam competições nacionais. Ele citou como referência o modelo adotado em Mato Grosso, que, segundo o dirigente, estabelece recursos para equipes de acordo com a divisão nacional em que estão. — Não tem como fazer futebol se não tiver apoio. Queríamos muito que pudesse ter o mesmo incentivo que é no Mato Grosso, uma lei de incentivo em que todos os clubes que estão participando do campeonato nacional já têm uma cota definida — disse. Foco passa a ser o masculino Com o fim do projeto feminino, o Itacoatiara vai concentrar as atividades no futebol masculino e nas categorias de base. A intenção do clube é continuar disputando as competições estaduais e buscar uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro. Amazonas x Itacoatiara Campeonato Amazonense 2026 João Normando/Amazonas FC Apesar da despedida, João Carlos fez questão de destacar o que considera positivo na trajetória construída pelo clube no futebol feminino. — Saímos de cabeça erguida. Foram esses longos anos de muita luta, muitas batalhas, tempos difíceis, muitas dificuldades e infelizmente faz parte do futebol. Aqui nós que somos nortistas, você sabe que não é fácil a busca por patrocínio, a pouca visibilidade que temos — afirmou. O dirigente também citou o crescimento recente do futebol amazonense e vê espaço para o fortalecimento dos clubes do estado no cenário nacional. Amazonas, Nacional, Manauara, Parintins e Princesa do Solimões foram mencionados por ele como parte desse movimento. — Acreditamos num futuro melhor, um futebol que vem com um crescimento com o Nacional, com o Amazonas, com o Manauara, com o próprio Parintins, o Princesa. O Itacoatiara também esse ano fez uma grande participação no masculino. Então acreditamos em fazer, ano que vem, um grande campeonato com o futebol masculino — declarou.