Seleção masculina de vôlei estreia no Pré-Olímpico com o novato Bryan como titular Renovação talvez seja um dos temas mais abordados atualmente quando o assunto é seleção masculina de vôlei do Brasil. Aos 20 anos, o oposto Bryan têm se colocado como uma das principais promessas nesta busca por novos rostos. Nesta terça-feira (16), no Maracanãzinho, ele mostrou o porquê. No primeiro jogo do time de Bernardinho no Pré-Olímpico, o jogador de 2,04m fez sua estreia como titular da camisa verde-amarela e terminou a vitória por 3 sets a 0 sobre o Chile como o segundo maior pontuador. Se dentro de quadra não falta atitude para buscar o ponto, no lado de fora mostra-se um jovem tímido, mas com foco: se firmar no elenco. Comentaristas da Globo ainda acrescentam outras características, como a frieza daquele que consideram "a grande revelação do ano". Bryan foi convocado pela primeira vez para disputar a VNL 2026 FIVB O Brasil volta à quadra nesta quarta-feira (16), às 20h (de Brasília), para a segunda rodada do Pré-Olímpico. A Bolívia será a adversária da vez, e a partida terá transmissão ao vivo do sportv2. O ge.globo acompanhará todos os lances em tempo real. A oportunidade de ser um dos seis iniciais se deu após o companheiro de posição - Darlan, de 24 anos - ser poupado após ter febre na noite de segunda-feira (14), em decorrência de uma gripe. Desde o primeiro ponto, o mineiro de Uberlândia não parecia sentir o peso da estreia, característica destacada por Paula Pequeno. - O Bryan é um menino forte psicologicamente, não costuma, pelo menos não aparenta, sentir o jogo. Ele se diverte. Acho que ele tem as ferramentas certas, que é gostar muito do que está fazendo, fazer com lucidez e, ao mesmo tempo, ter essa certa frieza, para não se deixar abalar em momentos críticos - analisou a bicampeã olímpica. Confira ace de Bryan na vitória do Brasil sobre Chile Após a partida, Bryan conversou com o ge e relatou a felicidade em estrear pela seleção, citando a atmosfera proporcionada pela torcida no ginásio. Ciente da demanda por novos talentos que passa o Brasil, ele reconhece a chance de buscar o seu lugar. - Acredito que a gente está num momento bom de renovação. Trabalhando como a gente está, consigo ganhar espaço, ganhar minha vaga olímpica, realmente, e conseguir contribuir com o time - contou o jogador, responsável por 11 pontos, sendo um ace. + Douglas Souza explica ausência no Pré-Olímpico, mira volta à seleção e revela mensagem de Bernardinho + Entenda como Pré-Olímpico pode mudar planejamento da seleção masculina de vôlei até Los Angeles + Lukas brinca sobre dicas de Julia Bergmann para o Pré-Olímpico: "Já fiz meu trabalho. Vai e faz o seu" Entre os treinos para a Liga das Nações (VNL) e o início do Campeonato Sul-Americano - que neste ano vale vaga antecipada para Los Angeles, o oposto cita conselhos do técnico. Segundo ele, para além da parte técnica, Bernardinho costuma conversar com o jogador sobre este início de trajetória na seleção. - Ele já falou muita coisa comigo que é difícil esquecer, mas acho que, principalmente, as dicas no saque. Ele é bem incisivo no saque comigo. E o discurso dele sobre vontade, garra, de ser humilde no dia a dia, entender o processo - relatou Bryan. Oposto de 2,04m foi o segundo maior pontuador da partida Maurício Val/FV Imagem/CBV Em especial nesta estreia como titular, ele relata que o ponteiro Lucarelli foi um dos que mais incentivaram o jovem antes do início da partida durante uma conversa no vestiário. - Ele falou: "Bora, moleque". (...) Foi importante este acolhimento dele e de todo mundo, mas dele... Cara diferente, especial - contou. Depois do jogo, o veterano elogiou a maturidade do estreante, mencionando o próprio início na seleção. Lucarelli é o único remanescente do grupo responsável pela conquista do ouro na Rio 2016. Na época, o jogador tinha 22 anos. Depois dos jogos em casa, ele também disputou Tóquio 2020 e Paris 2024. Nesta última edição, o Brasil terminou como oitavo colocado, repetindo Munique 1972, sendo o segundo pior resultado nas 16 edições de que participou. Foco na vaga olímpica: Jogadores avaliam vitória por 3 a 0 e projetam caminhada + Zé Roberto conquista vaga 50 anos depois de 1ª participação olímpica: "Quando eu sair do vôlei, vai doer" + Gabi e Julia Bergmann brilham em defesas com os pés no Pré-Olímpico e brincam: "Foi cagada" + Gabi é eleita MVP; Ana Cristina e Roberta entram para seleção do Pré-Olímpico de vôlei - Eu passei um pouco por isso, sendo novo e muito bem acolhido pela galera que era mais experiente e estava na seleção há muito tempo. Com ele, tento fazer isso. Primeiro ano na seleção, agora já tendo que jogar num momento tão importante pra gente que é esta busca pela classificação olímpica. Moleque bom de bola demais. A gente mais experiente tenta passar para ele a tranquilidade para que ele possa fazer o que ele sabe muito bem e tentar guiar em coisas que, obviamente, pela idade ainda precisa amadurecer. Essa tranquilidade, aliás, parece fazer parte do jogador e pode ter ligação com outra característica que o próprio Bryan aponta: a timidez. Até mesmo na comemoração dos pontos, o oposto costuma ser mais comedido, mesmo que pontuar seja algo que faça parte da rotina. Na última Superliga, por exemplo, foi o que mais marcou pontos no decorrer de toda o torneio. - Eu sou um pouco mais tímido mesmo. (risos) Sou um pouco mais fechado, mas estou tentando me soltar. Aos poucos... Devagarzinho, subindo degrau por degrau. Mineiro, né?! Sou um pouquinho mais retraído naturalmente - brincou. Na VNL, Bryan pontuou em 11 dos 12 jogos do Brasil FIVB Comentaristas destacam potencial A primeira convocação de Bryan foi em abril deste ano para os treinos com foco na VNL, depois de o oposto ser o jogador que mais pontuou na Superliga. Pelo Guarulhos, ele anotou 502 pontos, sendo líder também em aces, mesmo com o time eliminado nos playoffs. Nalbert considera que o destaque na elite do vôlei nacional foi responsável por divulgar as habilidades do jogador. Entretanto, o comentarista considera que o jogador precisa de condições para evoluir fisicamente e, assim, se adaptar às características da modalidade em âmbito internacional - marcado cada vez mais pela força. Este processo, porém, precisa ser com riscos controlados para não prejudicar o desenvolvimento. Veja algumas jogadas de Bryan durante a última VNL - O Bryan tem um potencial absurdo. Foi uma grata surpresa na Superliga Masculina, a grande revelação do ano. Tem aproveitado a chance na seleção. Ele entra no perfil de jogador que temos aos montes na seleção adulta: atletas com bastante potencial, mas que ainda necessitam de rodagem. Bernardinho sabe que precisa introduzir esses meninos aos poucos, sem arriscar demais ou colocar muita responsabilidade - analisou o campeão olímpico em Atenas 2004. Lucarelli destaca carinho pelo Maracanãzinho: "Sempre nos traz coisas boas" Na VNL, Bryan pontuou em 11 dos 12 jogos do Brasil - eliminado na fase de grupos pela primeira vez. O destaque foi no confronto contra a Itália, em que colocou a bola no chão 12 vezes, mesma quantidade de Judson - ambos terminaram como os dois maiores pontuadores, atrás de Lucarelli com 14. Entre os companheiros de equipe, foi o sexto que mais pontuou no torneio com 44 pontos, sendo cinco de bloqueio e cinco aces. Bryan VNL 2026 FIVB Na próxima temporada de clubes, o oposto retorna ao Minas, onde atuou pelas categorias de base. Em uma das principais equipes do vôlei nacional, deve ganhar ainda mais destaque neste processo de construção, como observa Paula Pequeno. - O Bryan é um menino muito alto, muito jovem, grande potencial. Tem uma ótima postura. Acredito que seja um jogador que está esteja em construção. Com o tempo, vai ganhar mais, mais força, mais potência, mais experiência. É uma das nossas grandes promessas para uma guinada - finalizou.