Argentina 3 x 1 Suíça | Melhores momentos | Quartas de final | Copa do Mundo 2026 Há muito tempo não se via uma semifinal de Copa do Mundo tão pesada. É a primeira vez desde 1990 que quatro campeões chegam à antessala da decisão. Na Copa dos protagonistas, teremos Messi x Kane e Lamine Yamal x Mbappé. Vendo os jogos da atual campeã, parece que todos em campo são marionetes de Diego Maradona, que sempre escreve o roteiro mais argentino possível. Como se tornou costume nessa Copa, o time de Lionel Scaloni precisou de uma epopeia para continuar defendendo o título. O time suíço impôs severas dificuldades para a Argentina e buscou o empate quando era muito superior, mas viu o cenário positivo esfarelar logo depois quando Embolo, em cena patética, foi expulso por simulação. De repente, não mais que de repente, o jogo se tornou um amasso argentino. Em um dia em que Messi foi um pouco menos Messi, os gols salvadores, já na prorrogação, vieram com Julián Alvarez e Lautaro Martínez. Julián Álvarez gol Argentina x Suíça Lee Smith/Reuters Para seguir na busca do tetracampeonato, a Argentina agora tem um confronto que assume contornos quase geopolíticos contra a Inglaterra. É um duelo que sempre extrapola o campo e teve seu apogeu esportivo no estádio Azteca, em 1986, quando Maradona mostrou toda sua santidade tramposa. Confesso que tenho certa birra com a seleção da Inglaterra. Talvez seja pela tradicional soberba da imprensa britânica em relação ao futebol do resto do mundo. Ou, mais provável, para que não acabe a flauta de que a Copa do mundo insiste em não voltar para casa depois de 1966. No entanto, preciso admitir que tenho admirado o time de Thomas Tuchel. Há algo diferente nessa versão inglesa. Além de protagonistas convictos, como Harry Kane e Jude Bellingham, existe um senso coletivo muito forte -- os jogos contra México e Noruega foram comoventes. Em uma possível decisão, não me parece delírio afirmar que seria um osso duro de roer, esteja quem for do outro lado. Felipe Melo sobre semifinais: "Para o bem do futebol, eu queria um Argentina x Inglaterra" Mas parece consenso dizer que na outra chave estão as favoritas. Me permitam deixar no singular: a favorita. Porque é absolutamente revoltante a forma como, até aqui, a França parece fazer do torneio uma mera solenidade para levantar a sua terceira Copa do Mundo. O time de Didier Deschamps passou por quase todos os adversários com uma naturalidade impressionante (exceto o Paraguai, o maior ferrolho do mundo). A superioridade é tão evidente que talvez não exista, na história recente das Copas, um favorito tão explícito quanto a esquadra de Mbapé, Olise e Dembélé -- um dos times mais dominantes que a quase centenária epopeia mundialista já testemunhou. Diante da superioridade francesa, mesmo um candidato fortíssimo como o time espanhol parece ter virado azarão. Isso acontece, em grande parte, porque a atual campeã europeia ainda está devendo um jogo totalmente convincente contra um grande adversário. Passou por Portugal em uma partida difícil e precisou suar até a última gota de sangria para bater a Bélgica. Michael Olise é o maestro da França na Copa do Mundo A Espanha vence, mas está longe de encantar. E, quando não funciona em sua plenitude, o tiki-taka torna-se absolutamente entediante, mesmo com nomes como Rodri, Dani Olmo, Pedri e Lamine Yamal. Aliás, em meio a esta constelação espanhola, quem tem se mostrado decisivo é o talismã Merino. É muito pouco para quem chegou na Copa prometendo tanto. A menos que a autossuficiência espanhola tenha atingido níveis alarmantes, e a equipe esteja esperando para estrear de fato neste torneio reduzido entre as quatro melhores seleções da Copa. Das 48 seleções que começaram, apenas quatro seguem. Não poderia haver semifinais mais expressivas (depois daquilo que vimos o Brasil não fazer). Se a França desponta como favorita, do outro lado há três pesos-pesados, todos com história suficiente para equilibrar a balança.

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