Zé Maria elenca o que falta para a lateral na Seleção para a Copa Com passagens pela seleção brasileira na década de 1990 e por clubes do futebol italiano, o ex-lateral-direito Zé Maria comentou, em entrevista para o ge, sobre o sistema defensivo do Brasil, que hoje tem Danilo como titular e que tem um reforço defensivo estabelecido pelo técnico italiano Carlo Ancelotti. Além disso, na entrevista, ele comentou sobre sua escolha por Danilo como titular da posição ao invés de Ibañez. Confira vídeo acima. + 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google + Ex-lateral da Inter lamenta ter ficado de fora da Seleção do Penta por lesão: "Faltou a Copa de 2002" Zé Maria, ex-lateral da Seleção brasileira e da Internazionale Milan Photosport Albania Eu acho que o Brasil hoje não tem laterais, tem zagueiros que são improvisados naquela posição. O Danilo e Ibañez são zagueiros e isso também dificulta o nosso futebol. Quando eu treino aqui na Itália, o passe do lateral é diferente do passe do zagueiro: ele vai pegar com força bruta" - Mas não vai ter a qualidade que tem o lateral no final, assim como o lateral não tem a mesma qualidade defensiva de um zagueiro - finalizou. Além disso, o ex-jogador revelou que teve conversas, antes da convocação, com Wesley, lateral-direito da Roma, que foi cortado meses depois devido a uma lesão na coxa esquerda. Na ocasião, Zé Maria destacou que o atleta de 22 anos deveria manter suas características ofensivas, mesmo atuando em posições diferentes — algo recorrente entre outros laterais que passaram pela seleção brasileira em períodos anteriores. + Cortado da Copa do Mundo por lesão, Wesley treina na piscina e joga bola; veja imagens Wesley, lateral-direito da Roma Sameer Al-Doumy / AFP - Eu acho que o Brasil hoje não tem laterais, tem zagueiros que são improvisados naquela posição. O Danilo e Ibañez são zagueiros e isso também dificulta o nosso futebol, porque estive conversando com o Wesley aqui na Itália, antes de ele ser convocado para a Copa do Mundo, e uma das coisas que conversei com ele foi: “Sim, o Ancelotti não quer que eu vá muito, porque tem o Raphinha lá” - avaliou Zé Maria, que ainda completou. - E eu falei: “Cara, uma das características dos laterais direitos da história do futebol brasileiro, desde a década de 70, com Carlos Alberto, Zé Maria (lateral dos anos 70), Leandro, Jorginho, Cafu e Zé Maria de novo (da década de 90), era que a gente pedalava e ia, dava um apoio a mais na fase ofensiva, e isso fazia diferença no geral - reforçou o ex-jogador. - Eu falei para ele: “Continua com isso, que é uma das suas características, vai ao ataque”. Aqui na Roma, ele faz isso, mesmo jogando em uma posição diferente, continua apoiando no ataque. O importante que o treinador quer é que, acabada a ação, você volte rápido, recomponha a defesa, e isso é importante para ele - contou. Zé Maria, ex-lateral da Seleção brasileira e da Internazionale Milan Photosport Albania Mesmo com essas dificuldades, Zé Maria defendeu que Danilo, apesar de ser zagueiro, continua sendo a melhor opção para a lateral direita. Segundo o ex-jogador da Inter de Milão, o atleta de 34 anos do Flamengo tem experiência atuando nessa posição em outros momentos na seleção brasileira e destacou que ele consegue dar uma ajuda a mais para a dupla de zaga formada por Marquinhos e Gabriel Magalhães. + Ex-parça de Seleção conta vez em que Vini Jr. atuou como goleiro, na base, contra Marrocos Zé Maria crê que Danilo seja melhor opção para a lateral direita da Seleção na Copa - Eu acredito que o Danilo tem um cacoete melhor naquela posição. Na Juventus ele jogou algumas vezes pela lateral, até na própria seleção brasileira como no ano passado, ele jogou algumas vezes na lateral direita, então ele conhece um pouco melhor a posição, e ao mesmo tempo quando defende ele é um zagueiro que fica ali plantado na lateral, então dá uma ajuda a mais ao Marquinhos e para o pessoal lá de trás - avaliou Zé Maria. Danilo em campo no jogo entre Brasil e Escócia na Copa do Mundo 2026 Rafael Ribeiro / CBF Veja perfil de Zé Maria Nome: José Marcelo Ferreira; Naturalidade: Oeiras-PI; Idade: 52 anos; Posição: lateral-direito; Clubes por onde passou: Portuguesa, Sergipe, Ponte Preta, Flamengo, Parma (Itália), Perugia (Itália), Vasco, Palmeiras, Cruzeiro, Internazionale Milan (Itália), Levante (Espanha) e Città di Castello (Itália). + Ex-Seleção e Inter, Zé Maria volta às quadras de futsal após 35 anos: "Peixe fora d'água" Zé Maria com a camisa da Internazionale Milan na Champions League Barrington Coombs | PA Images Natural de Oeiras, no interior do Piauí, Zé Maria iniciou sua carreira profissional pela Portuguesa, em 1992, mas construiu grande parte de sua trajetória em clubes italianos, como Parma, Perugia, Internazionale e Città di Castello — este último onde encerrou a carreira, em 2009. Pelo Nerazzurri, o ex-lateral marcou um gol em 59 partidas entre os anos de 2004 e 2006. Pela seleção brasileira, Zé Maria disputou 27 partidas e marcou um gol, na vitória por 8 a 2 sobre Gana, em um amistoso realizado em 1993. Durante sua passagem, fez parte da campanha vitoriosa da Copa América de 1997, realizada na Bolívia, e conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Zé Maria, ex-lateral, em campo com a Seleção brasileira em 1998 Divulgação | All Star Picutre Library Ltd Veja outros trechos da entrevista com Zé Maria Assista à íntegra da entrevista com Zé Maria, ex-lateral da Seleção e Inter de Milão Atual rotina na Itália - A minha rotina é meio... como a gente fala na Itália, “noiosa” (entediante), e algumas palavras em português vão desaparecendo com o tempo. Como eu operei há quatro meses, coloquei prótese nos dois joelhos, última tem sido praticamente (ir na) fisioterapia e (ficar em) casa, porque ainda não dá para fazer muita coisa. Espero, em dois meses, voltar a correr, não jogar bola, mas correr, fazer alguma coisa que fazia parte da minha rotina. Ex-Seleção, Zé Maria ressalta rotina na Itália Conversas com seus companheiros de clubes no futebol italiano - Eu faço parte das lendas da Inter de Milão, do Parma e do Perugia, que são times em que joguei na Itália. É sempre bom rever esse pessoal, principalmente o da Inter, por onde passaram muitos brasileiros e as pessoas nos ver jogando. Cara, isso é só aparência: a gente joga paradinho, a qualidade normal não desaparece, mas a nossa parte física e atlética, sim. Eu lembro que, quando eu jogava na Portuguesa, o seu Pepe, que era o nosso treinador nos anos 1990, estava com mais ou menos 50 anos, mas batia na bola melhor do que muitos. Zé Maria conversa sobre a resenha e experiência como parte do elenco do Legends da Inter Análise de Holanda e Japão, possíveis adversários do Brasil na 2ª fase da Copa do Mundo - Deve enfrentar a Holanda ou o Japão, dois times que estão muito bem. O Japão, eu tive o prazer de enfrentar (no passado), tenho amigos japoneses que jogaram na seleção japonesa algumas vezes. É um futebol que cresceu muito nesses anos, um futebol muito disciplinado. Os atletas sabem o que têm que fazer e fazem quase com perfeição, correm o tempo todo, são disciplinados taticamente, têm qualidade técnica. Não é só correria como no passado, quando havia dois ou três jogadores de qualidade e o resto corria. Hoje, quase todos têm muita qualidade técnica. - A Holanda é aquilo que sempre foi, muita posse de bola, muito toque, joga sempre como se fosse uma coisa só, não tem aquela questão do individualismo. O (futebol) holandês não tem isso, ele mantém as suas características. Então, o Brasil, passando, vai encontrar um desses dois times e vai ter dificuldade, mas acredito também que vai chegar embalado, com três jogos nas pernas e com um ritmo de jogo muito bom. Zé Maria faz projeção para a Copa e revela bastidores de conversa com lateral Wesley Avaliação sobre comparações no atual elenco da seleção brasileira com elencos passados - O futebol brasileiro do passado, desde 1970 até 1994, também teve muito tempo para ganhar uma Copa (do Mundo). Passou por dificuldades, com muitos bons jogadores, mas também houve seleções que não conseguiram, como a de 1982 e a de 1986, duas ótimas equipes que também não ganharam nada, mas acho que não foram tão cobradas quanto a seleção de hoje. A situação da seleção atual é que ela é comparada à seleção de 2002, que foi a última campeã, e acho que isso é apenas prejudicial. - A gente tem pouca paciência e cobra muito. Às vezes, eu vejo comentários de pessoas que jogaram futebol e que acham que não passaram por esse tipo de dificuldade. Então, nem todo mundo que jogou no passado era craque, não errava e nem todo mundo era perfeito. Acho que, quando a gente para de jogar, esquece disso e começa a cobrar as pessoas como se “eu era perfeito, então você também tem que ser perfeito, não pode errar”. - O futebol é o esporte mais bonito do mundo porque está sujeito a erros. Não é (apenas) matemático, tem a parte emocional que você não consegue controlar. Quando está na frente do goleiro, do zagueiro ou na linha de fundo, há algumas situações em que o lado humano aparece, então a gente acaba errando. Zé Maria faz análise da atual situação do futebol brasileiro: "Ficou europeizado"

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