Carlos Farias, da Desportiva Ferroviária, fala sobre a constituição da SAF no clube A aprovação da constituição da Sociedade Anônima do Futebol renovou a esperança de sócios e torcedores da Desportiva Ferroviária, mas também resgatou lembranças de uma experiência empresarial que não terminou como o clube esperava. Na Assembleia Geral Extraordinária realizada no último sábado, 30 associados participaram da votação, com 29 votos favoráveis e apenas um contrário à criação da SAF. Veja mais notícias no ge.globo/es + 📱​ Siga o Globo Esporte Espírito Santo no Instagram O apoio à mudança de modelo veio acompanhado de cautela. Em 1999, a Desportiva Ferroviária firmou uma sociedade com o Grupo Villa-Forte & Oliveira Empreendimentos e Participações S/A, que deu origem à Desportiva Capixaba S.A. O grupo privado ficou com 51% das ações, enquanto a associação manteve os outros 49%. O clube-empresa permaneceu à frente do futebol grená até o fim de 2010. A passagem terminou em meio a dificuldades esportivas e administrativas, tendo como último capítulo dentro de campo o rebaixamento no Campeonato Capixaba daquele ano. A sociedade foi dissolvida posteriormente, e o futebol voltou ao controle da Desportiva Ferroviária. Sócios e torcedores da Desportiva apoiam criação da SAF Reprodução/TV Gazeta Esse passado ajuda a explicar as dúvidas apresentadas durante a assembleia. Sócio da Desportiva, Clelton Moura considerou natural o receio dos associados diante de uma nova transformação no modelo de gestão. — Tudo que é novo acaba gerando dúvidas, ainda mais na Desportiva, que já teve um problema no passado com uma parceria malfeita. Isso gera dúvida e medo. Por isso, foi importante a reunião de hoje, um momento em que foi possível esclarecer as dúvidas das pessoas e mostrar quais são os riscos, porque tudo tem um risco, ainda mais em uma sociedade em que as partes podem pensar de formas diferentes — explicou. Clelton Moura, sócio da Desportiva Ferroviária Reprodução/TV Gazeta Apesar das preocupações, Clelton acredita que a união da marca da Desportiva com empresários do Espírito Santo e pessoas identificadas com o clube pode produzir resultados diferentes dos obtidos na experiência anterior. — Como torcedor, as minhas expectativas são as maiores possíveis. Estamos atrelando a marca da Desportiva, que é muito forte, a empresários do Estado e a pessoas com credibilidade. Também tem o Sávio, que foi criado aqui dentro. Quando você conversa com ele, percebe o amor que tem pelo clube. Não será fácil para eles nem para nós, mas, quando dois grupos pensam da mesma forma e o trabalho é feito corretamente, o resultado vem — avaliou. Ex-jogador, ex-gerente de futebol e sócio da Desportiva, Pedro Soares acompanha a história do clube desde 1972. Para ele, a aprovação da SAF representa uma oportunidade de retomada esportiva depois de anos de dificuldades. — Eu acho que é um momento importante na história do clube. Cheguei aqui ainda garoto, em 1972, e passei por várias fases da Desportiva, inclusive como gerente de futebol. É um momento importantíssimo. Essas questões serão resolvidas da melhor maneira possível, mas o importante é que a Desportiva retome a sua caminhada. Isso significa uma esperança e uma expectativa de que a gente possa voltar a brigar por títulos, ganhar campeonatos, retornar ao cenário nacional e ao lugar de onde nunca deveria ter saído, em 1999 — afirmou. Pedro Soares, sócio da Desportiva Ferroviária Reprodução/TV Gazeta A presença dos associados e da torcida durante a votação também foi destacada por Pedro, que espera voltar a ver o estádio Engenheiro Araripe cheio em campanhas vitoriosas. — A expectativa é grande. Estamos felizes por este momento, por o torcedor grená ter comparecido e por o associado ter vindo e entendido essa proposta. Se Deus quiser, vamos dar passos grandes, e a torcida da Desportiva voltará a lotar essa arquibancada para ver a Tiva campeã novamente — completou. O torcedor Ramon Hudson também se manifestou favoravelmente à SAF, mas defendeu que a nova gestão seja acompanhada de responsabilidade e respeito à história do clube. — A gente tem uma expectativa muito grande porque sabe que, hoje, não é possível fazer futebol capixaba sem dinheiro. Como uma torcida apaixonada, que sempre lota o estádio, queremos ver o melhor para o clube. Somos a favor da SAF, mas também temos um pé atrás por coisas que aconteceram no passado. A torcida quer ver o clube brigando por algo maior no ano que vem — afirmou. Ramon Hudson, torcedor da Desportiva Ferroviária Reprodução/TV Gazeta + 📺 Assista aos vídeos da edição capixaba do programa Globo Esporte! Para Ramon, a criação da empresa não deve ser tratada como uma solução imediata, mas como uma possibilidade de fortalecer a gestão, atrair recursos e devolver competitividade à Locomotiva. — A SAF não vai ser a salvadora da pátria, mas vários clubes, dentro e fora do Espírito Santo, já estão seguindo esse caminho. Sem boa gestão ou um ativo forte para buscar patrocinadores, fica difícil se manter apenas como associação. A gente acredita que a SAF pode trazer novos investidores, cuidar mais do nosso patrimônio e ser uma saída. Esperamos que não sejam apenas palavras, mas que o projeto seja concretizado e a Desportiva volte ao lugar que sempre mereceu — concluiu. Veja mais notícias no ge.globo/es e siga os perfis do site no Instagram, Threads, Facebook e no WhatsApp.

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