Conheça Caiçara, ex-técnico que marcou o Ceará e é referência por títulos e futebol longevo
Francisco Barbosa Gomes, o Caiçara, escreveu o nome na história do Ceará com a firmeza de um grande personagem. Ele se consagrou como um dos técnicos mais marcantes do futebol cearense, reunindo títulos, longevidade, respeito absoluto e um estilo que se tornou marca registrada: o futebol ofensivo e sem improvisações. No aniversário de 112 anos do Vozão, o ge resgata a história de Caiçara. Só Dimas Filgueiras fez mais jogos que Caiçara como treinador. Mergulhe na história abaixo. + Receba as notícias do Ceará no Whatsapp Caiçara, ex-treinador do Ceará Reprodução O treinador que ajudou a moldar o Ceará vencedor Em 1986, Caiçara levantava seu quinto título do Campeonato Cearense. O feito sintetiza o impacto que deixou no clube. Para o jornalista Tom Barros, do Sistema Verdes Mares, a memória que permanece é a de um técnico ousado, adepto de um jogo à frente de seu tempo. Elenco do Ceará campeão Cearense em 1986 Reprodução/Centro Cultural Ceará S.C - O Caiçara sempre foi um treinador para frente, não foi treinador de retranca; pelo menos eu não me lembro de ter visto o Caiçara jogando futebol fechado. Parece até que era por vocação dele mesmo, vontade dele mesmo jogar para a frente. E, dessa forma, conquistou tantos títulos no futebol cearense - contou. A visão de Tom ecoa no relato de Ricardo Fogueira, lateral-esquerdo que trabalhou com Caiçara e testemunhou sua liderança de perto. Fogueira lembra os treinos intensos, o rigor, a seriedade, mas também a coerência. - O Caiçara era um treinador rígido, sério, jogava duro com a gente, era muito disciplinador, mas deixava cada um usar a qualidade técnica que tinha na época e foi juntando as peças. Nós tínhamos um preparador físico que era o capitão Borges. Ele era do Exército também, era competente, rígido, e os dois se deram muito bem. Foi uma amizade que juntou o pessoal paulista com os cariocas e os cearenses. A gente se deu bem e começou a acreditar um no outro. Com isso, o futebol ficou mais claro, cada um na sua posição. Eu não via o Caiçara inventar de colocar jogador de uma posição na outra, improvisar - lembrou. Ricardo Fogueira, campeão cearense pelo Ceará em 1976 e 1977, atuou em 74 jogos, com 38 vitórias, 24 empates e 12 derrotas, além de marcar quatro gols, números que ajudam a ilustrar o contexto vitorioso da época. Caiçara conquistou dois títulos estaduais pelo Fortaleza, em 1969 e 1973, e outros cinco pelo Ceará, nos anos de 1975, 1976, 1980, 1981 e 1986. Ele ainda atuou na capital cearense como jogador amador. Como jogador profissional, teve carreira marcante no Náutico, onde jogou 260 partidas, em quase nove anos de clube. Também vestiu a camisa do Vitória de Guimarães, de Portugal. Já como técnico, foi do Botafogo-PB e do ABC. Ele faleceu em 2013. - Guardo no meu coração o futebol cearense, onde tive grandes conquistas e onde fiz grandes amigos - declarou, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste, em maio de 2010. Elenco Ceará 1976 Arquivo pessoal Quando os resultados não vinham… Exigente e perfeccionista, Caiçara não aceitava queda de rendimento. A vitória não era apenas meta: era obrigação. Em 17 de novembro de 1985, na preparação para enfrentar o Ferroviário, manteve sua estratégia habitual: esconder a escalação até minutos antes do jogo. Surpreender adversários fazia parte do plano. Caiçara exige vitória Reprodução/Arquivo Diário do Nordeste O empate contra o mesmo Ferroviário, em 1986, gerou cobranças internas. Caiçara reuniu o elenco e pediu explicações diretas sobre a queda de desempenho. Não havia rodeios: entregar menos do que o máximo era inadmissível. Caiçara pede explicações sobre má atuação Reprodução/Arquivo Diário do Nordeste As cobranças de Caiçara tiveram resultados. No comando do Ceará, o treinador somou 304 jogos, sendo 174 vitórias, 76 empates e 54 derrotas. Foi campeão cearense cinco vezes (1975, 1976, 1980, 1981 e 1986). O aproveitamento no comando do Alvinegro foi de 65,57%. Só Dimas Filgueiras fez mais jogos que Caiçara como treinador: 516. Fora do futebol… pescador? Se à beira do campo ele era seriedade pura, fora dele revelava outra faceta. Tom Barros descreve: - Uma pessoa muito simpática, muito simples, muito amiga da imprensa. Ele fez muitas amizades aqui e é um ganhador de títulos. Eu acho que, se você pegar os treinadores todos no levantamento histórico, poucos têm o número de títulos que o Caiçara tem. São sete títulos no futebol cearense, sete títulos de campeão. Não é pouca coisa. Cinco deles pelo Ceará Sporting Club - disse Tom. Nas folgas, o destino era certo: a Beira Mar de Fortaleza. O barco, o sol e a pescaria eram rituais sagrados. Ricardo Fogueira lembra o técnico bronzeado, às vezes até demais. - O Caiçara tinha uma mania de pescar nas folgas dele lá na Beira Mar. Várias vezes a gente se encontrava. Ele saía de barco, voltava vermelho, parecia um camarão. Mas todos os jogadores tinham um respaldo com ele. A própria diretoria, o pessoal da comissão técnica, roupeiro, massagista, um respeito muito grande. O Caiçara conquistou tudo o que conquistou pela humildade dele e pela simplicidade - lembrou Fogueira. Além dos títulos e da identidade ofensiva, Caiçara carrega outra marca rara em Porangabuçu: em 1981, iniciou e encerrou uma temporada completa sem ser substituído. Caiçara, ex-treinador do Ceará Reprodução
Francisco Barbosa Gomes, o Caiçara, escreveu o nome na história do Ceará com a firmeza de um grande personagem. Ele se consagrou como um dos técnicos mais marcantes do futebol cearense, reunindo títulos, longevidade, respeito absoluto e um estilo que se tornou marca registrada: o futebol ofensivo e sem improvisações. No aniversário de 112 anos do Vozão, o ge resgata a história de Caiçara. Só Dimas Filgueiras fez mais jogos que Caiçara como treinador. Mergulhe na história abaixo. + Receba as notícias do Ceará no Whatsapp Caiçara, ex-treinador do Ceará Reprodução O treinador que ajudou a moldar o Ceará vencedor Em 1986, Caiçara levantava seu quinto título do Campeonato Cearense. O feito sintetiza o impacto que deixou no clube. Para o jornalista Tom Barros, do Sistema Verdes Mares, a memória que permanece é a de um técnico ousado, adepto de um jogo à frente de seu tempo. Elenco do Ceará campeão Cearense em 1986 Reprodução/Centro Cultural Ceará S.C - O Caiçara sempre foi um treinador para frente, não foi treinador de retranca; pelo menos eu não me lembro de ter visto o Caiçara jogando futebol fechado. Parece até que era por vocação dele mesmo, vontade dele mesmo jogar para a frente. E, dessa forma, conquistou tantos títulos no futebol cearense - contou. A visão de Tom ecoa no relato de Ricardo Fogueira, lateral-esquerdo que trabalhou com Caiçara e testemunhou sua liderança de perto. Fogueira lembra os treinos intensos, o rigor, a seriedade, mas também a coerência. - O Caiçara era um treinador rígido, sério, jogava duro com a gente, era muito disciplinador, mas deixava cada um usar a qualidade técnica que tinha na época e foi juntando as peças. Nós tínhamos um preparador físico que era o capitão Borges. Ele era do Exército também, era competente, rígido, e os dois se deram muito bem. Foi uma amizade que juntou o pessoal paulista com os cariocas e os cearenses. A gente se deu bem e começou a acreditar um no outro. Com isso, o futebol ficou mais claro, cada um na sua posição. Eu não via o Caiçara inventar de colocar jogador de uma posição na outra, improvisar - lembrou. Ricardo Fogueira, campeão cearense pelo Ceará em 1976 e 1977, atuou em 74 jogos, com 38 vitórias, 24 empates e 12 derrotas, além de marcar quatro gols, números que ajudam a ilustrar o contexto vitorioso da época. Caiçara conquistou dois títulos estaduais pelo Fortaleza, em 1969 e 1973, e outros cinco pelo Ceará, nos anos de 1975, 1976, 1980, 1981 e 1986. Ele ainda atuou na capital cearense como jogador amador. Como jogador profissional, teve carreira marcante no Náutico, onde jogou 260 partidas, em quase nove anos de clube. Também vestiu a camisa do Vitória de Guimarães, de Portugal. Já como técnico, foi do Botafogo-PB e do ABC. Ele faleceu em 2013. - Guardo no meu coração o futebol cearense, onde tive grandes conquistas e onde fiz grandes amigos - declarou, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste, em maio de 2010. Elenco Ceará 1976 Arquivo pessoal Quando os resultados não vinham… Exigente e perfeccionista, Caiçara não aceitava queda de rendimento. A vitória não era apenas meta: era obrigação. Em 17 de novembro de 1985, na preparação para enfrentar o Ferroviário, manteve sua estratégia habitual: esconder a escalação até minutos antes do jogo. Surpreender adversários fazia parte do plano. Caiçara exige vitória Reprodução/Arquivo Diário do Nordeste O empate contra o mesmo Ferroviário, em 1986, gerou cobranças internas. Caiçara reuniu o elenco e pediu explicações diretas sobre a queda de desempenho. Não havia rodeios: entregar menos do que o máximo era inadmissível. Caiçara pede explicações sobre má atuação Reprodução/Arquivo Diário do Nordeste As cobranças de Caiçara tiveram resultados. No comando do Ceará, o treinador somou 304 jogos, sendo 174 vitórias, 76 empates e 54 derrotas. Foi campeão cearense cinco vezes (1975, 1976, 1980, 1981 e 1986). O aproveitamento no comando do Alvinegro foi de 65,57%. Só Dimas Filgueiras fez mais jogos que Caiçara como treinador: 516. Fora do futebol… pescador? Se à beira do campo ele era seriedade pura, fora dele revelava outra faceta. Tom Barros descreve: - Uma pessoa muito simpática, muito simples, muito amiga da imprensa. Ele fez muitas amizades aqui e é um ganhador de títulos. Eu acho que, se você pegar os treinadores todos no levantamento histórico, poucos têm o número de títulos que o Caiçara tem. São sete títulos no futebol cearense, sete títulos de campeão. Não é pouca coisa. Cinco deles pelo Ceará Sporting Club - disse Tom. Nas folgas, o destino era certo: a Beira Mar de Fortaleza. O barco, o sol e a pescaria eram rituais sagrados. Ricardo Fogueira lembra o técnico bronzeado, às vezes até demais. - O Caiçara tinha uma mania de pescar nas folgas dele lá na Beira Mar. Várias vezes a gente se encontrava. Ele saía de barco, voltava vermelho, parecia um camarão. Mas todos os jogadores tinham um respaldo com ele. A própria diretoria, o pessoal da comissão técnica, roupeiro, massagista, um respeito muito grande. O Caiçara conquistou tudo o que conquistou pela humildade dele e pela simplicidade - lembrou Fogueira. Além dos títulos e da identidade ofensiva, Caiçara carrega outra marca rara em Porangabuçu: em 1981, iniciou e encerrou uma temporada completa sem ser substituído. Caiçara, ex-treinador do Ceará Reprodução
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