Veja gols do atacante Patrick Cruz no futebol da Indonésia As redes sociais de Patrick Cruz estão repletas de fotos em paisagens paradisíacas do Sudeste Asiático. Adaptado à vida do outro lado do mundo e com o idioma local na ponta da língua, o atacante com passagem por São Paulo e Corinthians se sente cada vez mais em casa na Indonésia — a ponto de descartar, por ora, um retorno ao futebol brasileiro. O mineiro de 33 anos jogou a última temporada no Kendal Tornado FC, equipe que brigou pelo acesso na segunda divisão da Indonésia. Ele atuou em 21 partidas, marcou 15 gols e deu sete assistências, o que o levou a uma média superior a uma participação em gol por partida. + Ex-São Paulo e Corinthians conta como perdeu tudo: "Não juntei um real" Ex-joia de São Paulo e Corinthians finca raízes na Indonésia e adia volta ao Brasil De férias em Minas Gerais, Patrick conversou com o ge e disse se sentir realizado na carreira mesmo jogando longe dos grandes centros. Segundo ele, na Indonésia, ele encontrou condições de vida parecidas com as que tinha no Brasil, junto a um acolhimento maior da comunidade e dos torcedores. — Lá é muito parecido com o Brasil em questão de clima, e eu já falo indonésio [idioma oficial da Indonésia]. E o fator principal para mim, é a torcida. Eles são muito apaixonados pelo futebol. Muito apaixonados mesmo, até mais que no Brasil. Porque no Brasil, se o time está ganhando, está ótimo. Mas se está perdendo, todo mundo é ruim, ninguém presta. Lá não, eles te apoiam. O estádio está sempre cheio, então a gente se sente bem. "Jogando lá, a gente se sente aquele jogador especial, mesmo estando longe das nossas famílias. Tem o gostinho legal de estar fazendo uma coisa que você ama e sendo reconhecido por isso". Patrick Cruz, jogador do Kendal Tornado, da Indonésia Redes sociais A Indonésia foi o primeiro país em que Patrick jogou, em 2016, depois de passar por uma verdadeira transformação de vida. Joia criada em Cotia na mesma época que Casemiro, Lucas Moura e Rodrigo Caio, Patrick trocou o São Paulo para o Corinthians ainda na base em busca de oportunidades. O destaque no juvenil o levou aos holofotes, e o atacante se perdeu em meio à fama crescente e aos excessos financeiros. Em novembro de 2024, Patrick conversou com o ge e revelou que se afundou nas dívidas nos primeiros anos de carreira e chegou a desistir do esporte após perder o contrato com o Corinthians. Ele trabalhou em uma fábrica de sacolas em Uberaba, cidade-natal dele, antes de receber a proposta do Mitra Kukar, da Indonésia, onde foi campeão da Copa Surdiman. Patrick Cruz, jogador do Kendal Tornado, da Indonésia Redes sociais Após a primeira experiência no país, Patrick Cruz rodou por Malásia, Rússia, Malta, Vietnã e Tailândia até retornar à Indonésia no ano passado. O brasileiro comandou o ataque do Kendal Tornado FC na campanha do acesso da terceira para a segunda divisão do país, e por pouco não conseguiu subir para a primeira liga nacional. Pela primeira vez na carreira profissional, o atacante renovou contrato com uma equipe. Ele vai continuar no Kendal Tornado na próxima temporada — Sempre foi um objetivo meu voltar para a Indonésia, só que eu queria fazer minha carreira, conhecer outros lugares, pessoas novas. Eu sou do mundo, saí muito novo, então eu queria conhecer lugares novos. E voltei para a Indonésia esse ano e, graças a Deus, a gente fez um trabalho muito bom. É um clube que eu fui muito feliz na temporada passada, e espero que a gente possa alcançar os objetivos que não foram conquistados ano passado, com um maior êxito — disse. Patrick Cruz foi campeão na Indonésia em 2016 Irwan Rismawan/Tribunnews Feliz com o bom momento vivido do outro lado do mundo, a ideia de voltar ao futebol brasileiro ainda não ganhou espaço nos planos de Patrick Cruz. — Eu tenho que ser bem realista, porque eu já tenho 33 anos de idade. As coisas no futebol do Brasil e da Indonésia são um pouco diferentes em relação a isso. Na Ásia, se você está fazendo os seus gols, se você está dando resultado, você vai ficar lá até quando quiser parar de jogar bola. No Brasil, você pode estar muito bem, mas se tem um menino que é uma promessa e que pode dar mais frutos pra equipe, eles vão colocar o garoto — disse ele na entrevista. — Não vou falar se é certo ou se é errado, cada um tem a sua visão. Mas na Indonésia, eu sei que eu vou depender de mim, apenas do meu desempenho. Estando bem lá, eu vou levar minha carreira para mais dois, três anos, até quando eu realmente achar que está na hora de aposentar as chuteiras. No Brasil, você pode estar muito bem fisicamente, pode estar com bons números, mas a idade conta muito. É um fator muito decisivo pra diretores e presidentes de clubes brasileiros, e para treinadores também — acrescentou. Por outro lado, a possibilidade de ficar mais perto da família faz com que Patrick não descarte totalmente uma aposentadoria do esporte jogando no Brasil. Os pais do atacante moram em Uberaba, no Triângulo Mineiro, enquanto a esposa estuda em Ribeirão Preto. — Se tivesse um projeto legal para eu jogar perto dos meus pais, perto da minha esposa, e eles pudessem assistir aos jogos... Até então, eu não tive isso como profissional, porque eles sempre me veem jogar por computador, ou por telefone. Talvez um ano ou dois anos, para terminar a carreira, se eu estiver bem fisicamente, claro, não pensando só em mim, também pensando em ajudar a equipe, acho que eu toparia sim. Patrick Cruz em ação na Tailândia Redes sociais Se o status de promessa da base do São Paulo não se concretizou como o esperado, Patrick se considera realizado na carreira. Ele reforça que não mudaria nenhum passo que deu na jornada como atleta profissional. — Eu conheci amigos, pessoas, lugares, culturas, que acho que, se eu tivesse ficado lá, eu não teria conhecido. Poderia ter sido maravilhoso, mas às vezes eu não teria conhecido tudo o que eu conheci e não teria vivido tudo o que eu vivi — declarou. "Eu sou um cara muito realizado e feliz. E eu posso parar de jogar futebol amanhã, que sou muito grato a Deus por tudo que eu vivi".