Gianni Infantino, presidente da Fifa, desiste de criar empresa com capital privado para gerenciar a Copa do Mundo O presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, afirmou nesta quinta, em reunião das associações da região, que o continente defende de forma unânime a reeleição de Gianni Infantino à presidência da Fifa. + Infantino se diz aberto a diálogo e quer que federações proponham modelos de governança à Fifa O apoio africano já era conhecido, mas desta vez o dirigente reafirmou a posição ao lado de dirigentes das 54 federações locais – na eleição da Fifa, cada um dos 211 países associados tem direito a voto, e sempre há a expectativa de dissidentes entre os blocos. – Há uma decisão das 54 associações membros da CAF de apoiar de forma unânime e incondicional... E o "incondicional" é por causa de todas as discussões que ocorreram, da história e do compromisso fundamental com o futebol africano que Gianni tem demonstrado – afirmou Motsepe, ao lado de Infantino, no evento que acontece em Cabo Verde. Presidente da Fifa, Gianni Infantino, e presidente da CAF, Patrice Motsepe, em África do Sul x Canadá, na Copa REUTERS/Daniel Cole A declaração reforça pressão sobre os opositores ao atual presidente a 40 dias da definição das candidaturas que irão concorrer à presidência da Fifa em pleito marcado para março do ano que vem – Infantino tentará a reeleição. Os adversários do suíço se organizaram logo após a Copa do Mundo na esteira da divulgação do plano de Infantino de criar uma entidade, com investimento privado, para centralizar direitos comerciais e esportivos de torneios da Fifa. O projeto gerou reação até mesmo entre apoiadores e acabou abandonado dias depois. Não foi o suficiente para debelar a oposição, que tem a Uefa como principal articuladora. "Infantino seria reeleito, agora isso mudou" A organização europeia, assim como a Concacaf, que reúne países da América do Norte, América Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) publicaram um manifesto conjunto em que reafirmavam suas posições contra Infantino. É um bloco de 136 votantes, mas que sempre teve rachaduras – especialmente entre nações pequenas do Caribe e da Ásia. Nesta semana, a The Athletic publicou reportagem que indica, também, uma mudança no tom das críticas do presidente da AFC, o sheik Salman bin Ibrahim Al Khalifa. De acordo com a publicação, Khalifa enviou uma carta aos presidentes das seis confederações da Fifa, entre eles os da Uefa e Concacaf, em que propõe avaliar “de forma construtiva” o fortalecimento da governança da entidade. São movimentos que acontecem a uma semana da primeira reunião do Conselho da Fifa desde a polêmica depois da Copa do Mundo. Recentemente, em correspondência aos 211 países que compõem a Fifa, Infantino disse estar aberto ao diálogo para reformar a governança da associação e pediu que sugestões fossem enviadas para serem discutidas no encontro do dia 15 de outubro. Pouco mais de um mês depois, em 18 de novembro, termina o prazo para inscrição de candidaturas à principal cadeira da Fifa. Até agora, a oposição não apresentou um nome para desafiar Infantino. O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, tem sido citado há semanas como um possível candidato, o que ainda não se confirmou. Segundo o Guardian, da Inglaterra, ele avisou pessoas próximas de que pretende buscar novo mandato na confederação. Aleksander Ceferin, da Uefa, anunciou nesta quinta que buscará reeleição na Europa – ele sempre se colocou fora da disputa na Fifa.