"Histórias do Rodilindo": Rodinei conta como superou fama de "resenha" com ajuda de David Luiz
Rodinei conta bastidores do Flamengo: "Vou fazer um livro com as resenhas do Rodilindo" O sorriso continua o mesmo. A resenha também. Mas o cenário é diferente aos 34 anos. Vivendo um dos melhores momentos da carreira e idolatrado no Olympiacos, da Grécia, Rodinei revive com orgulho a trajetória construída entre títulos, viradas improváveis e histórias curiosas acumuladas nos sete anos em que vestiu a camisa do Flamengo. Algumas delas tão marcantes que, segundo o próprio lateral, já renderam material suficiente para um futuro livro: "As resenhas do Rodilindo". Eu fico com as coisas boas do futebol. Fico com as histórias que tenho, porque futebol não é só título. Tem que ter história também. E eu tenho história ganhando campeonato, história de bastidor... Em entrevista por vídeo de cerca de 30 minutos ao ge, o lateral abriu o jogo sobre os bastidores da passagem pelo Flamengo e narrou a relação com nomes como David Luiz, que, segundo ele, mudou a sua vida. Rodinei comemora vitória do Olympiacos sobre o rival Panathinaikos Getty Images Realizado na Europa, falou também sobre a polêmica expulsão defendendo o Inter no Brasileirão de 2020 e contou como transformou a fama de "resenha" em combustível para crescer dentro de campo e atingir o auge técnico no que considera o momento mais especial da vida. - Às vezes, alegria demais, resenha demais, atrapalha a imagem que as pessoas criam. Mas o que conta é dentro do campo. Eu sempre fui trabalhador, nunca fui indisciplinado, nunca tive problema com companheiro. Pode perguntar para qualquer elenco do Flamengo. "Vai falar que o Rodi não joga nada?": Rodinei diz que resenhas atrapalharam no futebol Ser gente boa é uma coisa, ser otário é outra" Rodinei, Pedro e David Luiz comemoram tetra da Copa do Brasil pelo Flamengo Pedro Martins/Foto FC Hoje peça importante do Olympiacos, Rodinei soma títulos, idolatria e números expressivos no futebol grego. O ex-jogador do Flamengo marcou três gols nos últimos quatro jogos. Recentemente, completou 150 partidas pelo clube com um golaço no clássico contra o Panathinaikos. No último domingo, voltou a marcar no empate por 1 a 1 com o PAOK. Já na última quarta-feira, fez novamente um gol diante do Panathinaikos, na vitória por 1 a 0 no maior clássico da Grécia, conhecido como “Derby dos Inimigos Eternos”. Durante a conversa com o ge, o lateral fez questão de afirmar que está passando por uma das fases de maior realização da carreira, cenário que atribui diretamente à mudança de mentalidade iniciada ainda no Flamengo, principalmente após conversas com David Luiz. Rodinei comemora gol em Olympiacos x PAOK Reprodução X O lateral conta que chegou a ouvir de David Luiz uma das frases mais importantes da vida. Segundo Rodinei, o zagueiro foi fundamental para fazê-lo enxergar um potencial que nem ele próprio acreditava ter. - O David Luiz falou para mim: "Rodi, joguei na Europa com laterais que não têm a qualidade e a força que você tem. Mas eles entendem o jogo". Aquilo virou uma chave na minha cabeça. Eu comecei a chegar mais cedo, treinar mais cruzamento, finalização, assistir mais jogos. Foi quando comecei a entender meu nível. Tem que aguentar o processo. Eu vivi o processo ruim, das coisas acontecerem e a culpa ser do Rodinei. Mas não tem problema. A gente tem que botar a camisa e jogar. Isso é jogador que tem personalidade. Rodinei, expulsão, Flamengo x Inter Eduardo Deconto/ge.globo A virada de chave ficou simbolizada na temporada de 2022. Contestado durante parte da passagem pelo Flamengo, Rodinei encerrou a trajetória no clube como um dos protagonistas da conquista da Copa do Brasil, convertendo o pênalti decisivo contra o Corinthians na final. - Se eu erro aquele pênalti, seria outro Rodinei, o vilão. Como fiz, virou a coroação daquele momento. Aquele pênalti me ajudou a estabilizar minha imagem e fez as pessoas valorizarem a temporada que eu estava fazendo - declarou. Tem o Aerofla do bem, mas eu quero ver pegar o Aerofla do mal. Esse eu já peguei. Já peguei Aerofla do mal, de tomar cascudo na cabeça" Entre tantas histórias, uma inevitavelmente continua sendo lembrada pelos torcedores brasileiros: a expulsão de Rodinei defendendo o Inter contra o Flamengo, no confronto decisivo do Brasileirão de 2020. Na ocasião, um torcedor colorado desembolsou R$ 1 milhão para pagar a multa contratual e liberar o lateral para atuar. Rodinei acabou expulso no segundo tempo após entrada em Filipe Luís, em lance revisado pelo VAR. O Flamengo venceu por 2 a 1 e assumiu a liderança do campeonato. O lateral, porém, prefere olhar para o episódio por outro ângulo. Rodinei comemora o gol de pênalti que deu o título da Copa do Brasil ao Flamengo André Durão/ge - Os caras lembram do cartão vermelho, mas esquecem do primeiro tempo. Eu dei uma bola no travessão. Se aquela bola entra, a gente era campeão no Maracanã contra o Flamengo. Que lateral na história do futebol brasileiro teve torcedor pagando R$ 1 milhão para ele jogar? Normalmente fazem isso para camisa 10, atacante... não para lateral. Então tem que respeitar o Rodilindo (risos). Rodinei iniciou a carreira no Avaí e passou por Marcílio Dias, Corinthians-AL, CRAC e Penapolense antes de ganhar destaque pela Ponte Preta. Contratado pelo Flamengo em 2016, viveu altos e baixos até se transformar em peça importante nas conquistas da Libertadores de 2019 e 2022, dos Campeonatos Brasileiros de 2019 e 2020 e da Copa do Brasil de 2022. Caio Ribeiro: " Rodinei não merecia ser expulso" Também teve passagem marcante pelo Internacional, onde disputou o título brasileiro de 2020. Desde 2022 no Olympiacos, da Grécia, tornou-se um dos principais nomes do elenco e soma títulos nacionais, além de participações em competições europeias. Confira abaixo a entrevista exclusiva com Rodinei. Tenho várias resenhas do Flamengo. Foram sete anos. Já estou começando, já tenho tudo anotadinho para fazer um livro. Vai ser "A resenha do Rodilindo" (risos). No fim da carreira, esse livro aí acho que vai dar para vender alguns por aí nas livrarias" Flamengo campeão da Libertadores de 2022 REUTERS/Santiago Arcos De contestado a herói do Flamengo - No Flamengo, eu posso dizer que vivi todos os processos. Eu sempre brinco com Diego Ribas, Everton Ribeiro, porque quando cheguei no Flamengo, em 2016, foi depois que chegaram Diego Ribas, Everton Ribeiro, Diego Alves... Era uma época em que a gente não ganhava nada. - Eu sempre falava para eles: "Tem o Aerofla do bem, mas eu quero ver pegar o Aerofla do mal. Esse eu já peguei". Já peguei Aerofla do mal, de tomar cascudo na cabeça. Tem que aguentar o processo. Eu vivi o processo ruim, das coisas acontecerem e a culpa ser do Rodinei. Mas não tem problema. A gente tem que botar a camisa e jogar. Isso é jogador que tem personalidade. "Hoje jogo mais com a cabeça": Rodinei descreve melhor momento da carreira Copa do Brasil de 2022 - Quando você joga uma final de Copa do Brasil, que o Flamengo já não ganhava havia muito tempo, contra o Corinthians, um dos maiores rivais, e bate o último pênalti, precisando fazer para ser campeão, claro que isso me ajudou a ser o Rodinei de verdade. Mas acho que aquela temporada de 2022 eu já estava fazendo tão bem feito que não ia apagar o que eu tinha feito. Todo mundo já tinha visto minha qualidade, as coisas que eu tinha feito, os jogos que eu estava fazendo. - Naquela própria Copa do Brasil, contra o Atlético-MG, nas quartas de final, eu entro no primeiro jogo e dou assistência para o Lázaro. A gente estava perdendo por 2 a 0 e fez aquele gol que o Gabi falou: "Agora vocês vão ver o inferno. Bem-vindo ao inferno". Ali tudo mudou, eu comecei a jogar. Eu já estava numa crescente grande. Crônica vitória do Flamengo na Copa do Brasil 2022 Pênalti foi a consagração na Copa do Brasil - O pênalti, claro, ajudou a coroar. Porque, se eu erro o pênalti, a gente perde e seria outro Rodinei. Seria o vilão. Ali foi, bem dizer, o herói. Mas não tem herói, porque ali é todo mundo junto, todo mundo no mesmo barco. Fico feliz de ter dado minha contribuição para a Nação, para essa torcida maravilhosa, na conquista da Copa do Brasil. Para mim, essa Copa do Brasil vai ficar na história pelo resto da vida. Esse pênalti me ajudou a me estabilizar e fez as pessoas darem o devido valor a toda aquela temporada que eu fiz ao longo do ano. Resenhas no Flamengo - No Flamengo, tudo foi engraçado. Eu mesmo, sem querer ser, as pessoas já me acham engraçado quando eu falo, pelo jeito da minha voz, pelo jeito de brincar, de resenha. Já contei a história do pênalti, quando o David Luiz falou para eu bater eu pensei: “Meu Deus do céu, aí você quer botar uma pressão que eu já não tinha”. Mas, no clube, com Diego Ribas, Filipe Luís, Rafinha... Com o Rafinha era só resenha. Ele tinha uma superstição de escutar três pagodes antes do jogo. Se não escutasse o pagode, a gente ia perder. Rafinha era resenha demais. Tinha muita resenha no Flamengo. De contestado ao melhor momento: Rodinei conta virada de chave com David Luiz Aprendizados com David Luiz - O David Luiz era um cara de quem eu estava mais próximo, mas aprendi muito com o Filipe Luís, com o Rafinha, com o Diego Ribas, que estava comigo desde 2016, com o Everton Ribeiro. Até que, no fim de 2022, eu pude me entender com ele. Eu sempre brincava: "Você faz umas coisas dentro de campo... você é gênio. O que eu posso fazer?”. Jogar com Arrascaeta, Everton Ribeiro, que te dá um passe de calcanhar, você fala: "Onde está a bola?". São coisas de caras que já estão em um nível acima. Então eu falei: "Tenho que trabalhar, tenho que entender mais o jogo para chegar no nível dos caras". Foi um processo. Andreas Pereira, Rodinei e David Luiz durante voo do Flamengo Alexandre Vidal / CRF - Quando eu falo do David Luiz, é porque, quando ele chega, ele fala para mim: "Rodi, eu joguei na Europa com muitos laterais que não têm a qualidade que você tem, não têm a força que você tem. Mas eles têm o quê? Têm o entendimento do jogo. Eles querem entender o que fazer dentro de campo, e isso faz toda a diferença". Chegou um momento em que eu ficava assim: "Pô, David, não sei... parece que as coisas não vão". Eu não confiava no meu próprio potencial. Então ele tirou isso de dentro de mim. Gratidão ao Flamengo - Do Flamengo, eu só tenho gratidão por tudo que vivi. Foram sete anos de Flamengo. Fui muito feliz dentro desse clube. Saí de lá vitorioso. Cheguei em 2016, 2017, ganhamos Carioca. Tive aquele processo de Libertadores com o Jorge Jesus, um processo vitorioso também, em que pude jogar. Mas é o que eu disse: o David Luiz foi um grande amigo. Gosto de frisar isso porque teve a humildade de ser um cara campeão de Champions League, jogador de Copa do Mundo, e chegar ali e ver um potencial em mim que muitas vezes até eu mesmo não via. Rodinei diz que se tornou um jogador polivalente: "Sempre fui ofensivo" Virada de chave para a Europa - O jogador tem que querer. Porque não adianta eu querer te ajudar se você mesmo não quer se ajudar. Eu quis dar essa volta por cima. Comecei a treinar mais, comecei a chegar cedo no clube, comecei a assistir mais jogos, comecei a treinar mais cruzamento, treinar mais finalização. - Comecei a fazer tudo mais. Foi aí que minha qualidade saiu. Desde quando o Vidal chegou no Flamengo, o Arturo Vidal, e falou: "Nossa, isso daí é um avião". Cada qualidade foi aparecendo aos poucos. Desde 2022, foi uma crescente. Até hoje estou aqui no Olympiacos, com 27 assistências, nove gols, não é por acaso. Ninguém consegue dar 27 assistências em três anos e meio se não entender o jogo. Estou muito feliz de ter atingido esse nível e poder dizer que hoje, sem dúvida, estou vivendo um dos melhores momentos da minha carreira. Rodinei descreve vida na Grécia: "Torcedores falam que me amam em grego" Alegria não interfere no profissionalismo - Às vezes, o que acontece é isso que eu falo: alegria demais, resenha demais, acaba atrapalhando a imagem que as pessoas criam. Mas o que conta é dentro do campo. Eu sempre fui um cara trabalhador. Nunca fui indisciplinado. Nunca tive uma briga com companheiro. - Pode perguntar para qualquer elenco do Flamengo de 2019, 2020 ou 2022. Pergunta se tinha algum jogador com quem eu não falava, se eu ficava em grupinho daqui ou dali. Pode perguntar para jogadores rivais também. Nunca fui um cara de me envolver em polêmica dentro de campo. Sempre fui essa resenha. Rodinei diz que pênalti do título do Flamengo em 2022 foi decisivo para a carreira “Ser gente boa é uma coisa, ser otário é outra” - Eu aprendi isso com meu tio lá atrás, quando eu era novinho e morava em Tatuí. Ele falou assim para mim: "Rodi, ser gente boa é uma coisa, ser otário é outra". E é verdade. Eu sou gente boa, mas não sou otário. Só que as pessoas pensam: "Ah, o Rodi é aquela resenha". Mas eu não sou otário. Sou pai de família, tenho agora três filhas, tenho minha família. Ser resenha não quer dizer isso. Lance da expulsão em Flamengo x Inter - Os caras falam muito do cartão vermelho, mas esquecem do primeiro tempo. Eu dei uma pancada no travessão. Era o Neneca, o Hugo Souza no gol do Flamengo... se aquela bola entra, a gente seria campeão no Maracanã contra o Flamengo. Futebol é isso. Rodinei recorda expulsão em Fla x Inter: "Que lateral pagaram R$ 1 milhão para jogar?" - Foi um deslize meu. Dominei a bola errado, perdi o controle, o Filipe Luís chegou e aconteceu o lance. Mas vou te falar uma coisa: até hoje eu não vi mais jogador ser expulso daquele jeito. Aquilo ali é uma entrada que eu tomo todo dia em treino. Em câmera lenta qualquer coisa fica feia. Entrada maldosa é quando pega na canela, na tíbia, no joelho. Aquilo ali foi no tornozelo, num domínio errado meu. - O juiz nem falta marcou. Depois ele vai no VAR, vê em câmera lenta, bonitinho, e dá o vermelho. Depois mostraram vários lances iguais, de cartão amarelo. Tanto que na hora do jogo o Diego Ribas, o Filipe Luís e os caras falaram para o Claus: "É só amarelo, segue o jogo, não estraga o jogo". Mas ele acabou me expulsando. Lembrança positiva apesar da polêmica - Depois ainda tivemos chance de ser campeões. Mas eu prefiro guardar as coisas boas. Que lateral na história do futebol brasileiro teve torcedor pagando R$ 1 milhão para ele jogar? Quem foi? Foi o Rodilindo (risos). Não tem outro. Não vai acontecer de pagarem isso para lateral. - Eu fico com as coisas boas do futebol. Fico com as histórias que tenho, porque futebol não é só título. Tem que ter história também. E eu tenho história ganhando campeonato, história de bastidor... tenho tudo guardadinho. Rodinei com a taça da Libertadores Gilvan de Souza/Flamengo Truco na concentração do Flamengo - Tem uma resenha das antigas, de um momento em que a gente ainda nem ganhava. Estávamos jogando truco uma vez. Eu e Diego Ribas de dupla contra Alan Patrick e Paulo Victor, o goleiro. Aí o Paulo Victor chega uma hora e fala: "Truco". Eu pego a carta, e falo: "Seis". Eu tinha carta para bater. Quando falo "seis", pego a carta e dou na testa dele, do Paulo Victor. Ele ficou vermelho, ele parecia um camarão. Esse foi o dia em que eu vi o Diego Ribas dar mais risada na minha vida. Acho que até hoje ele não deu mais risada do que nesse dia. Primeiro esporro de Jorge Jesus - Muita coisa mudou com o Jorge Jesus. No primeiro treino dele, eu era acostumado a ser aquele jogador rápido que esperava a jogada acontecer. Eu via o Bruno Henrique dominar a bola e pensava: ‘já que ele é mais rápido do que eu, vou esperar ele dar o tapa para eu fazer a recuperação’. Eu sempre gostei de fazer isso. Nunca fui um jogador de chegar pressionando direto. Rodinei e Jorge Jesus Divulgação / C.R. Flamengo - Aí teve uma jogada no treino, nem lembro quem dominou a bola. Estou dando o exemplo do Bruno Henrique, mas acontecia muito. O jogador dominava, e eu ficava esperando o tapa. O Jorge Jesus veio e falou: "Eu com 60 anos jogo no seu lugar assim!". Na hora, eu fiquei roxo. E ele repetia: "Com 60 anos eu jogo no seu lugar assim!". O Rodrigo Caio e os caras todos olhando para mim, apontando e dando risada. Aí eu falei: "A hora de vocês vai chegar também". Sonho de defender a Seleção - A Seleção é um sonho para qualquer jogador e comigo não é diferente. Sinto que estou em um grande momento aqui no Olympiacos, mantendo o que vinha fazendo no Flamengo, e conseguindo ajudar os meus companheiros. Tenho números excelentes nesses mais de 3 anos que estou aqui, além dos títulos conquistados, e me orgulho do que venho fazendo. Continuo sonhando em jogar pela Seleção e trabalho muito por isso. Todos os jogos, todos os treinos, sempre dou o meu máximo para ajudar o meu clube. Estou aqui, sinto que estou pronto pra ajudar e à disposição da Seleção. Rodinei diz que vive um dia de cada vez e não pensa no futuro: "Eu acordo sorrindo" O que espera para o futuro - Eu vivo um dia de cada vez. Não fecho as portas para o Brasil, porque é o lugar que eu amo. É um futebol que eu amo. Jogar Libertadores, jogar Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil... eu amo. Esses dias eu estava falando com o Ortega, que é lateral-esquerdo aqui do Olympiacos. Ele foi nosso rival em 2022 na Libertadores, na semifinal, quando jogava pelo Vélez. Eu falei: "Ortega, às vezes dá uma saudade daquele negócio de Libertadores". E ele falou para mim: "É, Rodi, dá saudade de jogar a Libertadores. É bom demais". - Então, é isso que eu falo. Não é que eu já me vejo terminando minha carreira aqui. Não é isso. São as oportunidades, as coisas que vão acontecendo. Tenho mais um ano de contrato aqui, não sei se eles vão estender, ou se eu cumpro mais um ano e aparece algum clube do Brasil. Eu não sei isso. Deixo na mão do meu empresário, que ele é mais inteligente do que eu para resolver essas coisas.
Rodinei conta bastidores do Flamengo: "Vou fazer um livro com as resenhas do Rodilindo" O sorriso continua o mesmo. A resenha também. Mas o cenário é diferente aos 34 anos. Vivendo um dos melhores momentos da carreira e idolatrado no Olympiacos, da Grécia, Rodinei revive com orgulho a trajetória construída entre títulos, viradas improváveis e histórias curiosas acumuladas nos sete anos em que vestiu a camisa do Flamengo. Algumas delas tão marcantes que, segundo o próprio lateral, já renderam material suficiente para um futuro livro: "As resenhas do Rodilindo". Eu fico com as coisas boas do futebol. Fico com as histórias que tenho, porque futebol não é só título. Tem que ter história também. E eu tenho história ganhando campeonato, história de bastidor... Em entrevista por vídeo de cerca de 30 minutos ao ge, o lateral abriu o jogo sobre os bastidores da passagem pelo Flamengo e narrou a relação com nomes como David Luiz, que, segundo ele, mudou a sua vida. Rodinei comemora vitória do Olympiacos sobre o rival Panathinaikos Getty Images Realizado na Europa, falou também sobre a polêmica expulsão defendendo o Inter no Brasileirão de 2020 e contou como transformou a fama de "resenha" em combustível para crescer dentro de campo e atingir o auge técnico no que considera o momento mais especial da vida. - Às vezes, alegria demais, resenha demais, atrapalha a imagem que as pessoas criam. Mas o que conta é dentro do campo. Eu sempre fui trabalhador, nunca fui indisciplinado, nunca tive problema com companheiro. Pode perguntar para qualquer elenco do Flamengo. "Vai falar que o Rodi não joga nada?": Rodinei diz que resenhas atrapalharam no futebol Ser gente boa é uma coisa, ser otário é outra" Rodinei, Pedro e David Luiz comemoram tetra da Copa do Brasil pelo Flamengo Pedro Martins/Foto FC Hoje peça importante do Olympiacos, Rodinei soma títulos, idolatria e números expressivos no futebol grego. O ex-jogador do Flamengo marcou três gols nos últimos quatro jogos. Recentemente, completou 150 partidas pelo clube com um golaço no clássico contra o Panathinaikos. No último domingo, voltou a marcar no empate por 1 a 1 com o PAOK. Já na última quarta-feira, fez novamente um gol diante do Panathinaikos, na vitória por 1 a 0 no maior clássico da Grécia, conhecido como “Derby dos Inimigos Eternos”. Durante a conversa com o ge, o lateral fez questão de afirmar que está passando por uma das fases de maior realização da carreira, cenário que atribui diretamente à mudança de mentalidade iniciada ainda no Flamengo, principalmente após conversas com David Luiz. Rodinei comemora gol em Olympiacos x PAOK Reprodução X O lateral conta que chegou a ouvir de David Luiz uma das frases mais importantes da vida. Segundo Rodinei, o zagueiro foi fundamental para fazê-lo enxergar um potencial que nem ele próprio acreditava ter. - O David Luiz falou para mim: "Rodi, joguei na Europa com laterais que não têm a qualidade e a força que você tem. Mas eles entendem o jogo". Aquilo virou uma chave na minha cabeça. Eu comecei a chegar mais cedo, treinar mais cruzamento, finalização, assistir mais jogos. Foi quando comecei a entender meu nível. Tem que aguentar o processo. Eu vivi o processo ruim, das coisas acontecerem e a culpa ser do Rodinei. Mas não tem problema. A gente tem que botar a camisa e jogar. Isso é jogador que tem personalidade. Rodinei, expulsão, Flamengo x Inter Eduardo Deconto/ge.globo A virada de chave ficou simbolizada na temporada de 2022. Contestado durante parte da passagem pelo Flamengo, Rodinei encerrou a trajetória no clube como um dos protagonistas da conquista da Copa do Brasil, convertendo o pênalti decisivo contra o Corinthians na final. - Se eu erro aquele pênalti, seria outro Rodinei, o vilão. Como fiz, virou a coroação daquele momento. Aquele pênalti me ajudou a estabilizar minha imagem e fez as pessoas valorizarem a temporada que eu estava fazendo - declarou. Tem o Aerofla do bem, mas eu quero ver pegar o Aerofla do mal. Esse eu já peguei. Já peguei Aerofla do mal, de tomar cascudo na cabeça" Entre tantas histórias, uma inevitavelmente continua sendo lembrada pelos torcedores brasileiros: a expulsão de Rodinei defendendo o Inter contra o Flamengo, no confronto decisivo do Brasileirão de 2020. Na ocasião, um torcedor colorado desembolsou R$ 1 milhão para pagar a multa contratual e liberar o lateral para atuar. Rodinei acabou expulso no segundo tempo após entrada em Filipe Luís, em lance revisado pelo VAR. O Flamengo venceu por 2 a 1 e assumiu a liderança do campeonato. O lateral, porém, prefere olhar para o episódio por outro ângulo. Rodinei comemora o gol de pênalti que deu o título da Copa do Brasil ao Flamengo André Durão/ge - Os caras lembram do cartão vermelho, mas esquecem do primeiro tempo. Eu dei uma bola no travessão. Se aquela bola entra, a gente era campeão no Maracanã contra o Flamengo. Que lateral na história do futebol brasileiro teve torcedor pagando R$ 1 milhão para ele jogar? Normalmente fazem isso para camisa 10, atacante... não para lateral. Então tem que respeitar o Rodilindo (risos). Rodinei iniciou a carreira no Avaí e passou por Marcílio Dias, Corinthians-AL, CRAC e Penapolense antes de ganhar destaque pela Ponte Preta. Contratado pelo Flamengo em 2016, viveu altos e baixos até se transformar em peça importante nas conquistas da Libertadores de 2019 e 2022, dos Campeonatos Brasileiros de 2019 e 2020 e da Copa do Brasil de 2022. Caio Ribeiro: " Rodinei não merecia ser expulso" Também teve passagem marcante pelo Internacional, onde disputou o título brasileiro de 2020. Desde 2022 no Olympiacos, da Grécia, tornou-se um dos principais nomes do elenco e soma títulos nacionais, além de participações em competições europeias. Confira abaixo a entrevista exclusiva com Rodinei. Tenho várias resenhas do Flamengo. Foram sete anos. Já estou começando, já tenho tudo anotadinho para fazer um livro. Vai ser "A resenha do Rodilindo" (risos). No fim da carreira, esse livro aí acho que vai dar para vender alguns por aí nas livrarias" Flamengo campeão da Libertadores de 2022 REUTERS/Santiago Arcos De contestado a herói do Flamengo - No Flamengo, eu posso dizer que vivi todos os processos. Eu sempre brinco com Diego Ribas, Everton Ribeiro, porque quando cheguei no Flamengo, em 2016, foi depois que chegaram Diego Ribas, Everton Ribeiro, Diego Alves... Era uma época em que a gente não ganhava nada. - Eu sempre falava para eles: "Tem o Aerofla do bem, mas eu quero ver pegar o Aerofla do mal. Esse eu já peguei". Já peguei Aerofla do mal, de tomar cascudo na cabeça. Tem que aguentar o processo. Eu vivi o processo ruim, das coisas acontecerem e a culpa ser do Rodinei. Mas não tem problema. A gente tem que botar a camisa e jogar. Isso é jogador que tem personalidade. "Hoje jogo mais com a cabeça": Rodinei descreve melhor momento da carreira Copa do Brasil de 2022 - Quando você joga uma final de Copa do Brasil, que o Flamengo já não ganhava havia muito tempo, contra o Corinthians, um dos maiores rivais, e bate o último pênalti, precisando fazer para ser campeão, claro que isso me ajudou a ser o Rodinei de verdade. Mas acho que aquela temporada de 2022 eu já estava fazendo tão bem feito que não ia apagar o que eu tinha feito. Todo mundo já tinha visto minha qualidade, as coisas que eu tinha feito, os jogos que eu estava fazendo. - Naquela própria Copa do Brasil, contra o Atlético-MG, nas quartas de final, eu entro no primeiro jogo e dou assistência para o Lázaro. A gente estava perdendo por 2 a 0 e fez aquele gol que o Gabi falou: "Agora vocês vão ver o inferno. Bem-vindo ao inferno". Ali tudo mudou, eu comecei a jogar. Eu já estava numa crescente grande. Crônica vitória do Flamengo na Copa do Brasil 2022 Pênalti foi a consagração na Copa do Brasil - O pênalti, claro, ajudou a coroar. Porque, se eu erro o pênalti, a gente perde e seria outro Rodinei. Seria o vilão. Ali foi, bem dizer, o herói. Mas não tem herói, porque ali é todo mundo junto, todo mundo no mesmo barco. Fico feliz de ter dado minha contribuição para a Nação, para essa torcida maravilhosa, na conquista da Copa do Brasil. Para mim, essa Copa do Brasil vai ficar na história pelo resto da vida. Esse pênalti me ajudou a me estabilizar e fez as pessoas darem o devido valor a toda aquela temporada que eu fiz ao longo do ano. Resenhas no Flamengo - No Flamengo, tudo foi engraçado. Eu mesmo, sem querer ser, as pessoas já me acham engraçado quando eu falo, pelo jeito da minha voz, pelo jeito de brincar, de resenha. Já contei a história do pênalti, quando o David Luiz falou para eu bater eu pensei: “Meu Deus do céu, aí você quer botar uma pressão que eu já não tinha”. Mas, no clube, com Diego Ribas, Filipe Luís, Rafinha... Com o Rafinha era só resenha. Ele tinha uma superstição de escutar três pagodes antes do jogo. Se não escutasse o pagode, a gente ia perder. Rafinha era resenha demais. Tinha muita resenha no Flamengo. De contestado ao melhor momento: Rodinei conta virada de chave com David Luiz Aprendizados com David Luiz - O David Luiz era um cara de quem eu estava mais próximo, mas aprendi muito com o Filipe Luís, com o Rafinha, com o Diego Ribas, que estava comigo desde 2016, com o Everton Ribeiro. Até que, no fim de 2022, eu pude me entender com ele. Eu sempre brincava: "Você faz umas coisas dentro de campo... você é gênio. O que eu posso fazer?”. Jogar com Arrascaeta, Everton Ribeiro, que te dá um passe de calcanhar, você fala: "Onde está a bola?". São coisas de caras que já estão em um nível acima. Então eu falei: "Tenho que trabalhar, tenho que entender mais o jogo para chegar no nível dos caras". Foi um processo. Andreas Pereira, Rodinei e David Luiz durante voo do Flamengo Alexandre Vidal / CRF - Quando eu falo do David Luiz, é porque, quando ele chega, ele fala para mim: "Rodi, eu joguei na Europa com muitos laterais que não têm a qualidade que você tem, não têm a força que você tem. Mas eles têm o quê? Têm o entendimento do jogo. Eles querem entender o que fazer dentro de campo, e isso faz toda a diferença". Chegou um momento em que eu ficava assim: "Pô, David, não sei... parece que as coisas não vão". Eu não confiava no meu próprio potencial. Então ele tirou isso de dentro de mim. Gratidão ao Flamengo - Do Flamengo, eu só tenho gratidão por tudo que vivi. Foram sete anos de Flamengo. Fui muito feliz dentro desse clube. Saí de lá vitorioso. Cheguei em 2016, 2017, ganhamos Carioca. Tive aquele processo de Libertadores com o Jorge Jesus, um processo vitorioso também, em que pude jogar. Mas é o que eu disse: o David Luiz foi um grande amigo. Gosto de frisar isso porque teve a humildade de ser um cara campeão de Champions League, jogador de Copa do Mundo, e chegar ali e ver um potencial em mim que muitas vezes até eu mesmo não via. Rodinei diz que se tornou um jogador polivalente: "Sempre fui ofensivo" Virada de chave para a Europa - O jogador tem que querer. Porque não adianta eu querer te ajudar se você mesmo não quer se ajudar. Eu quis dar essa volta por cima. Comecei a treinar mais, comecei a chegar cedo no clube, comecei a assistir mais jogos, comecei a treinar mais cruzamento, treinar mais finalização. - Comecei a fazer tudo mais. Foi aí que minha qualidade saiu. Desde quando o Vidal chegou no Flamengo, o Arturo Vidal, e falou: "Nossa, isso daí é um avião". Cada qualidade foi aparecendo aos poucos. Desde 2022, foi uma crescente. Até hoje estou aqui no Olympiacos, com 27 assistências, nove gols, não é por acaso. Ninguém consegue dar 27 assistências em três anos e meio se não entender o jogo. Estou muito feliz de ter atingido esse nível e poder dizer que hoje, sem dúvida, estou vivendo um dos melhores momentos da minha carreira. Rodinei descreve vida na Grécia: "Torcedores falam que me amam em grego" Alegria não interfere no profissionalismo - Às vezes, o que acontece é isso que eu falo: alegria demais, resenha demais, acaba atrapalhando a imagem que as pessoas criam. Mas o que conta é dentro do campo. Eu sempre fui um cara trabalhador. Nunca fui indisciplinado. Nunca tive uma briga com companheiro. - Pode perguntar para qualquer elenco do Flamengo de 2019, 2020 ou 2022. Pergunta se tinha algum jogador com quem eu não falava, se eu ficava em grupinho daqui ou dali. Pode perguntar para jogadores rivais também. Nunca fui um cara de me envolver em polêmica dentro de campo. Sempre fui essa resenha. Rodinei diz que pênalti do título do Flamengo em 2022 foi decisivo para a carreira “Ser gente boa é uma coisa, ser otário é outra” - Eu aprendi isso com meu tio lá atrás, quando eu era novinho e morava em Tatuí. Ele falou assim para mim: "Rodi, ser gente boa é uma coisa, ser otário é outra". E é verdade. Eu sou gente boa, mas não sou otário. Só que as pessoas pensam: "Ah, o Rodi é aquela resenha". Mas eu não sou otário. Sou pai de família, tenho agora três filhas, tenho minha família. Ser resenha não quer dizer isso. Lance da expulsão em Flamengo x Inter - Os caras falam muito do cartão vermelho, mas esquecem do primeiro tempo. Eu dei uma pancada no travessão. Era o Neneca, o Hugo Souza no gol do Flamengo... se aquela bola entra, a gente seria campeão no Maracanã contra o Flamengo. Futebol é isso. Rodinei recorda expulsão em Fla x Inter: "Que lateral pagaram R$ 1 milhão para jogar?" - Foi um deslize meu. Dominei a bola errado, perdi o controle, o Filipe Luís chegou e aconteceu o lance. Mas vou te falar uma coisa: até hoje eu não vi mais jogador ser expulso daquele jeito. Aquilo ali é uma entrada que eu tomo todo dia em treino. Em câmera lenta qualquer coisa fica feia. Entrada maldosa é quando pega na canela, na tíbia, no joelho. Aquilo ali foi no tornozelo, num domínio errado meu. - O juiz nem falta marcou. Depois ele vai no VAR, vê em câmera lenta, bonitinho, e dá o vermelho. Depois mostraram vários lances iguais, de cartão amarelo. Tanto que na hora do jogo o Diego Ribas, o Filipe Luís e os caras falaram para o Claus: "É só amarelo, segue o jogo, não estraga o jogo". Mas ele acabou me expulsando. Lembrança positiva apesar da polêmica - Depois ainda tivemos chance de ser campeões. Mas eu prefiro guardar as coisas boas. Que lateral na história do futebol brasileiro teve torcedor pagando R$ 1 milhão para ele jogar? Quem foi? Foi o Rodilindo (risos). Não tem outro. Não vai acontecer de pagarem isso para lateral. - Eu fico com as coisas boas do futebol. Fico com as histórias que tenho, porque futebol não é só título. Tem que ter história também. E eu tenho história ganhando campeonato, história de bastidor... tenho tudo guardadinho. Rodinei com a taça da Libertadores Gilvan de Souza/Flamengo Truco na concentração do Flamengo - Tem uma resenha das antigas, de um momento em que a gente ainda nem ganhava. Estávamos jogando truco uma vez. Eu e Diego Ribas de dupla contra Alan Patrick e Paulo Victor, o goleiro. Aí o Paulo Victor chega uma hora e fala: "Truco". Eu pego a carta, e falo: "Seis". Eu tinha carta para bater. Quando falo "seis", pego a carta e dou na testa dele, do Paulo Victor. Ele ficou vermelho, ele parecia um camarão. Esse foi o dia em que eu vi o Diego Ribas dar mais risada na minha vida. Acho que até hoje ele não deu mais risada do que nesse dia. Primeiro esporro de Jorge Jesus - Muita coisa mudou com o Jorge Jesus. No primeiro treino dele, eu era acostumado a ser aquele jogador rápido que esperava a jogada acontecer. Eu via o Bruno Henrique dominar a bola e pensava: ‘já que ele é mais rápido do que eu, vou esperar ele dar o tapa para eu fazer a recuperação’. Eu sempre gostei de fazer isso. Nunca fui um jogador de chegar pressionando direto. Rodinei e Jorge Jesus Divulgação / C.R. Flamengo - Aí teve uma jogada no treino, nem lembro quem dominou a bola. Estou dando o exemplo do Bruno Henrique, mas acontecia muito. O jogador dominava, e eu ficava esperando o tapa. O Jorge Jesus veio e falou: "Eu com 60 anos jogo no seu lugar assim!". Na hora, eu fiquei roxo. E ele repetia: "Com 60 anos eu jogo no seu lugar assim!". O Rodrigo Caio e os caras todos olhando para mim, apontando e dando risada. Aí eu falei: "A hora de vocês vai chegar também". Sonho de defender a Seleção - A Seleção é um sonho para qualquer jogador e comigo não é diferente. Sinto que estou em um grande momento aqui no Olympiacos, mantendo o que vinha fazendo no Flamengo, e conseguindo ajudar os meus companheiros. Tenho números excelentes nesses mais de 3 anos que estou aqui, além dos títulos conquistados, e me orgulho do que venho fazendo. Continuo sonhando em jogar pela Seleção e trabalho muito por isso. Todos os jogos, todos os treinos, sempre dou o meu máximo para ajudar o meu clube. Estou aqui, sinto que estou pronto pra ajudar e à disposição da Seleção. Rodinei diz que vive um dia de cada vez e não pensa no futuro: "Eu acordo sorrindo" O que espera para o futuro - Eu vivo um dia de cada vez. Não fecho as portas para o Brasil, porque é o lugar que eu amo. É um futebol que eu amo. Jogar Libertadores, jogar Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil... eu amo. Esses dias eu estava falando com o Ortega, que é lateral-esquerdo aqui do Olympiacos. Ele foi nosso rival em 2022 na Libertadores, na semifinal, quando jogava pelo Vélez. Eu falei: "Ortega, às vezes dá uma saudade daquele negócio de Libertadores". E ele falou para mim: "É, Rodi, dá saudade de jogar a Libertadores. É bom demais". - Então, é isso que eu falo. Não é que eu já me vejo terminando minha carreira aqui. Não é isso. São as oportunidades, as coisas que vão acontecendo. Tenho mais um ano de contrato aqui, não sei se eles vão estender, ou se eu cumpro mais um ano e aparece algum clube do Brasil. Eu não sei isso. Deixo na mão do meu empresário, que ele é mais inteligente do que eu para resolver essas coisas.
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