Guarany de Camaragibe: time vive primeira experiência profissional em 106 anos de história Se o sonho de muitos garotos no Brasil é um dia se tornar um jogador de futebol profissional, o que dizer de um clube com mais de 100 anos de história, mas que apenas em 2026 disputa pela primeira vez um campeonato oficial. E logo na elite do futebol estadual. Esse é o Guarany Esporte Clube de Camaragibe, cidade da Região Metropolitana do Recife, fundado em 1920, e que após décadas no amadorismo, com participações apenas em torneios de várzea, tornou-se uma das 24 equipes que disputam o primeiro turno do Campeonato Pernambucano de 2027, iniciado em outubro. + Veja a tabela do Campeonato Pernambucano Participação que só foi possível após a mudança de regulamento feita pela Federação Pernambucana, que aboliu as divisões de acesso, com os grandes Sport, Náutico e Santa Cruz (e mais quatro equipes) entrando apenas no segundo turno, a partir de janeiro. Guarany, de Camaragibe, em jogo contra o América-PE, pelo Campeonato Pernambucano Marlon Costa/Agif Neste sábado, o Guarany precisa vencer o Vera Cruz para não dar adeus precocemente à sua primeira competição oficial, em 106 anos. Em quatro jogos, o time soma três derrotas e uma vitória, com três gols marcados e 13 sofridos. A história, de toda forma, já foi escrita. O orgulho, inabalado. - É uma história muito grande, né? Meu pai foi presidente, meus tios também foram presidentes. E eles deixaram um legado muito importante para que não acabe. Aqui em Camaragibe vários clubes já acabaram, mas o Guarany está firme e forte. E agora na primeira divisão - afirmou Marcos Roberto Costa da Silva, o Quinha, presidente do clube desde 2007. Time do Guarany de Camaragibe de 1958 João de Andrade Neto/ge "E eu sempre tive na minha mente que o Guarany é muito grande. Pelos jogadores que já passaram por aqui, inclusive o Manga, né?", completou Quinha, referindo-se ao ex-goleiro da seleção brasileira Manga, ídolo de clubes como Botafogo e Internacional, nos anos 60 e 70, e que jogou pelo Guarany quando garoto. O ex-jogador faleceu em 2025.e Mas apesar de estar disputando pela primeira vez o Campeonato Pernambucano, não dá para dizer que a estrutura do Guarany é 100% profissional. Manga gravou vídeo de agradecimento ao Guarany em 2022 Segundo Quinha, do elenco de 30 jogadores que disputam o Estadual, apenas cinco jogadores vivem exclusivamente do futebol. Os demais ainda precisam conciliar os treinos e os jogos com outras atividades profissionais. A folha salarial do clube é de R$ 16 mil. Entre os que fazem "dupla jornada" está Alison Acioli, de 20 anos, primeiro jogador a ser profissionalizado pelo Guarany. Mas que além de atuar como volante e lateral-direito, também precisa se dividir entre o curso de fisioterapia em uma faculdade em São Lourenço da Mata, também na Região Metropolitana do Recife, e o trabalho na operação dos jogos do Náutico, nos Aflitos. Alison Acioli, jogador do Guarany de Camaragibe João de Andrade Neto/ge - Minha relação com o Guarany vem de berço. Eu moro aqui em Camaragibe, nasci aqui também. Sou vivido e criado aqui. Então já conheço o Guarany e tenho uma história boa com o clube. Pra mim é uma honra ser o primeiro atleta da base a ser profissionalizado e estar disputando a primeira divisão do Pernambucano pelo Guarany - destacou o jovem jogador, que fez sua estreia como profissional em uma partida justamente nos Aflitos, contra o Íbis, já pelo Pernambucano. - Trabalho lá no Náutico com a galera de operação do jogo e é muito corrido. Mas também sei da importância de estar aqui no Guarany. Por coincidência minha estreia foi lá nos Aflitos e o pessoal todo foi lá para torcer por mim - recordou Alison. E caso Guarany e Náutico joguem no mesmo dia, como fica a divisão das tarefas? " Aí a gente tenta conversar, alinhar e resolver da melhor forma para que se encaixem os horários. Mas a preferência é sempre aqui no Guarany. Jogar e treinar é o primeiro plano. É um sonho que tenho desde pequeno, desde novo eu caminho nisso e agora, mais perto do que nunca, é que a gente não pode pensar em parar", afirmou. Camisas de treinos do Guarany, de Camaragibe, estendidas na sede do clube João de Andrade Neto/ge E o futuro? Caso vença o Vera Cruz neste sábado, o Guarany conseguirá uma das vagas do grupo dos times da Região Metropolitana do Recife para a segunda fase do Estadual, que conta também com clubes tradicionais como Íbis, o eterno "pior time do mundo" e o América, seis vezes campeão pernambucano. Qualquer outro resultado significa a eliminação. E se a primeira jornada profissional do Guarany se encerre neste sábado, haverá uma segunda? Apesar do entusiasmo inicial, o presidente Quinho não garante uma nova participação do clube. Quinho, presidente do Guarany de Camaragibe-PE João de Andrade Neto/ge - Esse jogo é muito importante contra o Vera Cruz. Porque vai bater o martelo se a gente classifica ou não. Agora, o ano que vem, a gente vai ter que fazer um novo conceito. Porque é muito difícil, é muito caro. Ainda mais para uma primeira divisão. A gente não quer parar, mas também se não der para a gente ir, não tem problema. A gente procura voltar em outros anos - projetou Quinho. Ciente de que, de uma forma ou de outra, seja no futebol profissional, ou na várzea, a história do Guarany vai continuar. - Agora é para frente. Se eu sair, vai entrar outro que vai ter essa mesma mentalidade de não deixar o nosso Guarany se acabar. Coloque mais 150 anos aí -, encerrou Quinho. Certeza que também ecoa nas palavras de Marcos José Chaves, de 66 anos, ex-goleiro do Guarany nos tempos de várzea. - Não é qualquer clube. É um clube de 106 anos. Tenho muito orgulho, muito orgulho. Essas cores vermelho, azul e branca, fazem parte da minha vida." Guarany de Camaragibe, após primeira vitória no Campeonato Pernambucano Guarany/Divulgação
Conheça o time que revelou o goleiro Manga e agora deixa a várzea depois de um século
Guarany de Camaragibe: time vive primeira experiência profissional em 106 anos de história Se o sonho de muitos garotos no Brasil é um dia se tornar um jogador de futebol profissional, o que dizer de um clube com mais de 100 anos de história, mas que apenas em 2026 disputa pela primeira vez um campeonato oficial. E logo na elite do futebol estadual. Esse é o Guarany Esporte Clube de Camaragibe, cidade da Região Metropolitana do Recife, fundado em 1920, e que após décadas no amadorismo, com participações apenas em torneios de várzea, tornou-se uma das 24 equipes que disputam o primeiro turno do Campeonato Pernambucano de 2027, iniciado em outubro. + Veja a tabela do Campeonato Pernambucano Participação que só foi possível após a mudança de regulamento feita pela Federação Pernambucana, que aboliu as divisões de acesso, com os grandes Sport, Náutico e Santa Cruz (e mais quatro equipes) entrando apenas no segundo turno, a partir de janeiro. Guarany, de Camaragibe, em jogo contra o América-PE, pelo Campeonato Pernambucano Marlon Costa/Agif Neste sábado, o Guarany precisa vencer o Vera Cruz para não dar adeus precocemente à sua primeira competição oficial, em 106 anos. Em quatro jogos, o time soma três derrotas e uma vitória, com três gols marcados e 13 sofridos. A história, de toda forma, já foi escrita. O orgulho, inabalado. - É uma história muito grande, né? Meu pai foi presidente, meus tios também foram presidentes. E eles deixaram um legado muito importante para que não acabe. Aqui em Camaragibe vários clubes já acabaram, mas o Guarany está firme e forte. E agora na primeira divisão - afirmou Marcos Roberto Costa da Silva, o Quinha, presidente do clube desde 2007. Time do Guarany de Camaragibe de 1958 João de Andrade Neto/ge "E eu sempre tive na minha mente que o Guarany é muito grande. Pelos jogadores que já passaram por aqui, inclusive o Manga, né?", completou Quinha, referindo-se ao ex-goleiro da seleção brasileira Manga, ídolo de clubes como Botafogo e Internacional, nos anos 60 e 70, e que jogou pelo Guarany quando garoto. O ex-jogador faleceu em 2025.e Mas apesar de estar disputando pela primeira vez o Campeonato Pernambucano, não dá para dizer que a estrutura do Guarany é 100% profissional. Manga gravou vídeo de agradecimento ao Guarany em 2022 Segundo Quinha, do elenco de 30 jogadores que disputam o Estadual, apenas cinco jogadores vivem exclusivamente do futebol. Os demais ainda precisam conciliar os treinos e os jogos com outras atividades profissionais. A folha salarial do clube é de R$ 16 mil. Entre os que fazem "dupla jornada" está Alison Acioli, de 20 anos, primeiro jogador a ser profissionalizado pelo Guarany. Mas que além de atuar como volante e lateral-direito, também precisa se dividir entre o curso de fisioterapia em uma faculdade em São Lourenço da Mata, também na Região Metropolitana do Recife, e o trabalho na operação dos jogos do Náutico, nos Aflitos. Alison Acioli, jogador do Guarany de Camaragibe João de Andrade Neto/ge - Minha relação com o Guarany vem de berço. Eu moro aqui em Camaragibe, nasci aqui também. Sou vivido e criado aqui. Então já conheço o Guarany e tenho uma história boa com o clube. Pra mim é uma honra ser o primeiro atleta da base a ser profissionalizado e estar disputando a primeira divisão do Pernambucano pelo Guarany - destacou o jovem jogador, que fez sua estreia como profissional em uma partida justamente nos Aflitos, contra o Íbis, já pelo Pernambucano. - Trabalho lá no Náutico com a galera de operação do jogo e é muito corrido. Mas também sei da importância de estar aqui no Guarany. Por coincidência minha estreia foi lá nos Aflitos e o pessoal todo foi lá para torcer por mim - recordou Alison. E caso Guarany e Náutico joguem no mesmo dia, como fica a divisão das tarefas? " Aí a gente tenta conversar, alinhar e resolver da melhor forma para que se encaixem os horários. Mas a preferência é sempre aqui no Guarany. Jogar e treinar é o primeiro plano. É um sonho que tenho desde pequeno, desde novo eu caminho nisso e agora, mais perto do que nunca, é que a gente não pode pensar em parar", afirmou. Camisas de treinos do Guarany, de Camaragibe, estendidas na sede do clube João de Andrade Neto/ge E o futuro? Caso vença o Vera Cruz neste sábado, o Guarany conseguirá uma das vagas do grupo dos times da Região Metropolitana do Recife para a segunda fase do Estadual, que conta também com clubes tradicionais como Íbis, o eterno "pior time do mundo" e o América, seis vezes campeão pernambucano. Qualquer outro resultado significa a eliminação. E se a primeira jornada profissional do Guarany se encerre neste sábado, haverá uma segunda? Apesar do entusiasmo inicial, o presidente Quinho não garante uma nova participação do clube. Quinho, presidente do Guarany de Camaragibe-PE João de Andrade Neto/ge - Esse jogo é muito importante contra o Vera Cruz. Porque vai bater o martelo se a gente classifica ou não. Agora, o ano que vem, a gente vai ter que fazer um novo conceito. Porque é muito difícil, é muito caro. Ainda mais para uma primeira divisão. A gente não quer parar, mas também se não der para a gente ir, não tem problema. A gente procura voltar em outros anos - projetou Quinho. Ciente de que, de uma forma ou de outra, seja no futebol profissional, ou na várzea, a história do Guarany vai continuar. - Agora é para frente. Se eu sair, vai entrar outro que vai ter essa mesma mentalidade de não deixar o nosso Guarany se acabar. Coloque mais 150 anos aí -, encerrou Quinho. Certeza que também ecoa nas palavras de Marcos José Chaves, de 66 anos, ex-goleiro do Guarany nos tempos de várzea. - Não é qualquer clube. É um clube de 106 anos. Tenho muito orgulho, muito orgulho. Essas cores vermelho, azul e branca, fazem parte da minha vida." Guarany de Camaragibe, após primeira vitória no Campeonato Pernambucano Guarany/Divulgação
