"Não via minhas companheiras": como atacante superou visão reduzida na Taça das Favelas
Taça das Favelas: São Marcos e Parque Brasília fazem a final feminina A visão falha, mas o sonho segue nítido. É assim que Jéssica construiu sua trajetória até mais uma final da Taça das Favelas Campinas. A atacante do São Marcos chega à decisão pela quarta vez carregando não só a experiência de quem já venceu três edições, mas também uma história de superação marcada pela convivência com a Síndrome de Stargardt — uma condição genética que afeta a retina e provoca a perda progressiva da visão central, causando dificuldade para ler, reconhecer rostos e identificar cores, além de alta sensibilidade à luz. Dentro de um time que alcançou a quinta final por méritos coletivos, Jéssica simboliza a essência dessa união. Mesmo sem rotina de treinos, o entrosamento do tricampeão aparece nos detalhes — inclusive na forma como as companheiras ajudam a atacante em campo. — Elas gesticulam bastante. Levantam a mão a todo momento. Gritam para mim quando estou com a bola. Elas sabem como me pedir a bola. Já nos acostumamos — conta. Jéssica, atacante do São Marcos Claiton Maier/ Taça das Favelas A relação com o futebol começou cedo, aos 12 anos, defendendo o time do bairro em Sumaré. O destaque em campo abriu portas: aos 13, ela chegou a Campinas para jogar no Bonfim e acumulou títulos em competições como Regionais, Jogos da Juventude, Jogos Abertos e Liga Campineira. O desempenho rendeu até um convite da Inter de Limeira. Mas foi justamente nesse período que o jogo começou a ficar mais difícil. Ainda no primeiro ano no Bonfim, Jéssica passou a sentir um incômodo na visão durante treinos e partidas. A dificuldade para reconhecer rostos, diferenciar cores e enxergar bola, companheiras e o próprio gol transformou o que era natural em desafio constante. — Pensei em parar de jogar. Tinha muita dificuldade. Eu não via minhas companheiras. Não conseguia diferenciar as cores dos uniformes. O diagnóstico veio após a ajuda da esposa do treinador, que viabilizou uma consulta médica. Jéssica descobriu que tinha apenas 40% da visão no olho direito e 35% no esquerdo. A condição explicava as dificuldades — mas não foi suficiente para afastá-la do futebol. Jéssica levanta troféu da Taça das Favelas pelo São Marcos Claiton Maier/ Taça das Favelas Com lentes corretivas e, principalmente, com o apoio do time, ela decidiu continuar. Seguiu carreira, passou pela Inter de Limeira e retornou a Campinas aos 20 anos, já para defender o São Marcos. É no clube que se consolidou como destaque e se tornou uma das atletas que acompanham o projeto desde o início. Agora, mais uma vez, está diante de uma decisão. + CLIQUE AQUI e veja a página especial da Taça das Favelas O São Marcos enfrenta o Parque Brasília na final da Taça das Favelas nesta quinta-feira, no Brinco de Ouro da Princesa, a partir das 14h45, com transmissão da EPTV para a região de Campinas. — Vai ser um jogo difícil. Duas equipes muito fortes, equilibradas. Vai ser um jogo de detalhes, mas estamos muito focadas. Nosso time é muito forte. Vamos em busca da quarta taça. Para Jéssica, enxergar o campo pode não ser simples. Mas entender o caminho até a final — esse ela conhece bem.
Taça das Favelas: São Marcos e Parque Brasília fazem a final feminina A visão falha, mas o sonho segue nítido. É assim que Jéssica construiu sua trajetória até mais uma final da Taça das Favelas Campinas. A atacante do São Marcos chega à decisão pela quarta vez carregando não só a experiência de quem já venceu três edições, mas também uma história de superação marcada pela convivência com a Síndrome de Stargardt — uma condição genética que afeta a retina e provoca a perda progressiva da visão central, causando dificuldade para ler, reconhecer rostos e identificar cores, além de alta sensibilidade à luz. Dentro de um time que alcançou a quinta final por méritos coletivos, Jéssica simboliza a essência dessa união. Mesmo sem rotina de treinos, o entrosamento do tricampeão aparece nos detalhes — inclusive na forma como as companheiras ajudam a atacante em campo. — Elas gesticulam bastante. Levantam a mão a todo momento. Gritam para mim quando estou com a bola. Elas sabem como me pedir a bola. Já nos acostumamos — conta. Jéssica, atacante do São Marcos Claiton Maier/ Taça das Favelas A relação com o futebol começou cedo, aos 12 anos, defendendo o time do bairro em Sumaré. O destaque em campo abriu portas: aos 13, ela chegou a Campinas para jogar no Bonfim e acumulou títulos em competições como Regionais, Jogos da Juventude, Jogos Abertos e Liga Campineira. O desempenho rendeu até um convite da Inter de Limeira. Mas foi justamente nesse período que o jogo começou a ficar mais difícil. Ainda no primeiro ano no Bonfim, Jéssica passou a sentir um incômodo na visão durante treinos e partidas. A dificuldade para reconhecer rostos, diferenciar cores e enxergar bola, companheiras e o próprio gol transformou o que era natural em desafio constante. — Pensei em parar de jogar. Tinha muita dificuldade. Eu não via minhas companheiras. Não conseguia diferenciar as cores dos uniformes. O diagnóstico veio após a ajuda da esposa do treinador, que viabilizou uma consulta médica. Jéssica descobriu que tinha apenas 40% da visão no olho direito e 35% no esquerdo. A condição explicava as dificuldades — mas não foi suficiente para afastá-la do futebol. Jéssica levanta troféu da Taça das Favelas pelo São Marcos Claiton Maier/ Taça das Favelas Com lentes corretivas e, principalmente, com o apoio do time, ela decidiu continuar. Seguiu carreira, passou pela Inter de Limeira e retornou a Campinas aos 20 anos, já para defender o São Marcos. É no clube que se consolidou como destaque e se tornou uma das atletas que acompanham o projeto desde o início. Agora, mais uma vez, está diante de uma decisão. + CLIQUE AQUI e veja a página especial da Taça das Favelas O São Marcos enfrenta o Parque Brasília na final da Taça das Favelas nesta quinta-feira, no Brinco de Ouro da Princesa, a partir das 14h45, com transmissão da EPTV para a região de Campinas. — Vai ser um jogo difícil. Duas equipes muito fortes, equilibradas. Vai ser um jogo de detalhes, mas estamos muito focadas. Nosso time é muito forte. Vamos em busca da quarta taça. Para Jéssica, enxergar o campo pode não ser simples. Mas entender o caminho até a final — esse ela conhece bem.
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