Do tablet ao GPS no braço: a tecnologia de ponta por trás do título do Pré-Olímpico Quem acompanhou a seleção brasileira feminina de vôlei no Pré-Olímpico feminino na última semana, no Maracanãzinho, pode ter reparado em uma cena que se repetia antes de cada jogo. Bem antes de a bola subir, enquanto as jogadoras ainda faziam o aquecimento em quadra, o técnico Zé Roberto Guimarães já estava de cabeça baixa, concentrado na tela de um tablet acoplado a um tripé na frente do banco. + Análise: Brasil cumpre a obrigação, garante vaga e sonha com 2027 sem lesões + Da equipe B ao Pré-Olímpico: Vivian e Sabrina viram opções para Zé e conquistam torcida Seleção feminina de vôlei garante vaga para Olimpíadas, veja análise de Guilherme Costa A imagem não é por acaso. O dispositivo é a porta de entrada para uma central de dados em tempo real que ajuda a explicar a campanha perfeita do Brasil no Pré-Olímpico, com direito a título invicto e vitória por 3 a 0 sobre a Argentina na decisão O uso de telas à beira da quadra para analisar estatísticas não é exclusividade do vôlei. Ligas como a NFL, no futebol americano, e clubes de futebol pelo mundo transformaram o Big Data em item básico de comissão técnica. No caso de Zé Roberto, a obsessão pela tela começa muito antes de o apito inicial soar. - Eu fico ali olhando os números do scout. A gente dá uma olhada no aquecimento, vê como o adversário está sacando e passando. É o scout em tempo real. Observo principalmente os números deles - revela Zé Roberto ao ge. Zé Roberto confere dados das jogadoras durante o Pré-Olímpico de vôlei Raquel Vieira A briga com o Wi-Fi e o trabalho do banco Apesar da tecnologia avançada, o bastidor também tem seus percalços humanos e técnicos. O próprio treinador brinca que a insistência em olhar o aparelho no aquecimento às vezes é para driblar a conexão do ginásio. - Muitas vezes dá erro de internet, aí tem que reiniciar. Por isso fico mais tempo ali conferindo tudo antes de começar o jogo - conta o técnico, que também usa o sistema para conferir a escalação oficial enviada à transmissão de TV. Jogadoras de vôlei usam GPS no braço para coletar dados Divulgação CBV Zé Roberto faz questão de ressaltar que não faz essa análise sozinho. No banco de reservas, assistentes acompanham os números jogada a jogada para municiar o treinador com atalhos táticos durante os pedidos de tempo. - Tenho caras no banco que me ajudam muito, que ficam monitorando e passando o tempo inteiro informação do adversário. É um contexto, todo mundo trabalhando nesses detalhes técnicos - explica. Telemetria e GPS no braço das atletas Se o tablet no banco mapeia o adversário, outro detalhe tecnológico chamou a atenção de quem olhou de perto as brasileiras em quadra: uma braçadeira preta usada pelas jogadoras durante as partidas. O acessório é um sensor de telemetria conectado via Wi-Fi ao computador da preparação física. Ele mede a intensidade dos movimentos e monitora o desgaste de cada atleta ao longo do campeonato. - Aquilo no braço transmite tudo via Wi-Fi para o Zé Elias (preparador físico), que fica fora da quadra acompanhando. Ele vê a movimentação e o número de saltos. Depois faz o fechamento, com o quanto elas saltaram, a altura máxima, a mínima e o quanto se deslocaram em quadra - detalha Zé Roberto. A combinação entre a leitura tática do tablet e o controle físico das atletas funcionou na prática: o Brasil fechou o Pré-Olímpico sem perder um único set no Rio de Janeiro. Campanha do Brasil no Pré-Olímpico Brasil 3 x 0 Venezuela Brasil 3 x 0 Peru Brasil 3 x 0 Colômbia Brasil 3 x 0 Chile Brasil 3 x 0 Argentina