Padre Anchieta e Costa e Silva buscam o título da Taça das Favelas Campinas “Só vive o propósito quem suporta o processo”. A frase acompanha Ewerton Bonfim desde antes de a bola rolar. Conhecido como Tom, o camisa 10 do Padre Anchieta transformou o lema em rotina — e resistência. Entre dores, frustrações e recomeços, ele chega, nesta quinta-feira, a mais uma final da Taça das Favelas carregando muito mais do que expectativa: traz no corpo e na história as marcas do caminho até aqui. A decisão no Brinco de Ouro da Princesa contra o Costa e Silva não é só mais um jogo. É, para o meia de 17 anos, a chance de reescrever um roteiro que parecia interrompido. + SAIBA TUDO SOBRE AS FINAIS DA TAÇA DAS FAVELAS Tom, ao centro, antes de jogo do Anchieta na Taça das Favelas Crispim Fotos Desde a última temporada, Tom enfrentou dois dos momentos mais duros da ainda curta carreira: uma fratura no pé ainda durante a Taça das Favelas de 2025 e, depois, a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA). Lesões que não só tiraram seu melhor futebol de campo, como também adiaram sonhos — incluindo uma oportunidade de atuar fora do país. Ainda assim, ele nunca deixou de acreditar. Revelado em projetos e clubes da região, como Craquenet, Ponte Preta, Guarani e Independente de Limeira, Tom chegou ao Padre Anchieta aos 14 anos em busca de algo que ainda não existia: um título inédito da Taça das Favelas. E já na segunda participação ajudou a construir um capítulo histórico. Levou o time à primeira final — mas, no momento decisivo, o corpo não acompanhou o sonho. Durante o torneio, fraturou o pé. Correu contra o tempo para estar em campo, conseguiu voltar para a decisão, mas não em sua melhor versão. — Não consegui mostrar meu verdadeiro futebol. Mesmo recuperado, ainda não estava 100%. Fiquei muito tempo sem treinar — relembra. Tom em ação pelo Anchieta Crispim Fotos Sem seu principal jogador em plenas condições, o Anchieta ficou com o vice. Quando parecia pronto para recomeçar, veio um golpe ainda mais duro. Logo na sequência, já em outra competição, o meia sofreu uma ruptura subtotal do LCA — lesão que costuma afastar atletas dos gramados por cerca de um ano. O diagnóstico foi praticamente unânime entre médicos: cirurgia e longa recuperação. — Fiquei muito triste. Poucos dias antes da lesão, tinha recebido uma proposta para jogar fora do país. Não pude aproveitar — conta. — Mas sempre acreditei que Deus sabe de todas as coisas. Foi na dúvida que surgiu a escolha mais arriscada da carreira. Um novo diagnóstico abriu caminho para tratamento sem cirurgia — com uma condição dura: havia risco real de nunca mais voltar a jogar. Tom apostou. Seguiu o tratamento à risca, enfrentou a incerteza — e, quatro meses depois, recebeu a notícia que parecia improvável: estava recuperado. O tempo, porém, ainda não jogava a favor. A Taça das Favelas 2026 já batia à porta, e ele ainda precisava de mais um período de fortalecimento. — Achava que não ia conseguir jogar essa edição — admite. Tom busca título inédito na Taça das Favelas Crispim Fotos Mas, mais uma vez, o futebol devolveu um sopro de esperança. — Poucos dias antes do início, conversei com o Marcinho e fui surpreendido. Disseram que minha vaga estava garantida. Mesmo sem estar 100%, confiaram em mim. + CLIQUE AQUI e veja a página especial da Taça das Favelas Tom vestiu novamente a camisa 10. Recuperou espaço, ritmo e protagonismo. Hoje, é uma das peças centrais na campanha do Padre Anchieta. Nesta quinta-feira, diante Costa e Silva, ele volta ao palco da decisão. O mesmo que, um ano atrás, marcou a frustração. Agora, o meia busca transformar dor em conquista. A final começa por volta das 16h, no Brinco de Ouro da Princesa, com transmissão da EPTV para a região de Campinas.

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