França 2 x 0 Marrocos | Melhores momentos | Quartas de final | Copa do Mundo 2026 Nesta quinta-feira, pouco antes do jogo entre França e Marrocos, me deparei com um texto da New York Magazine defendendo a possibilidade de Olise ser o melhor jogador da Copa do Mundo, a despeito das atuações avassaladoras de jogadores como Messi, Mbappé e Haaland. Senti-me identificado, apesar do exagero: prendo a respiração toda vez que ele recebe uma bola, maravilhado com a incerteza sobre o que virá – algum lançamento impossível, algum drible improvável, algum movimento impensável. Esperei o jogo, propenso a escrever sobre Olise. Mas ele não foi bem na vitória de 2 a 0 em Boston. Fez um primeiro tempo burocrático, carimbando a bola como se fosse um documento qualquer. Melhorou no segundo tempo, mas longe da excelência de outros momentos, quando compôs a melhor dupla da Copa com Mbappé. Por que escrevo sobre ele mesmo assim? Porque me espanta que a França sobre em campo sem a inspiração de Olise. De tão qualificada, a equipe de Didier Deschamps se permite alguns luxos exclusivos. No comecinho da Copa, poderíamos, distraídos, até esquecer que Dembélé, o melhor jogador do mundo na última temporada, estava em campo. E agora, em um mata-mata contra um adversário difícil, a palidez de Olise não causou estragos. + Gol francês é validado mesmo com toque de mão; entenda Olise cumprimenta Mbappé em França x Marrocos Reuters/David Butler A França sobra. Nas seis vitórias em seis jogos na Copa, ela construiu o melhor ataque da competição até aqui (16 gols) e se tornou, disparada, a equipe que mais finaliza no alvo (47 vezes, contra 34 da Argentina, a segunda no ranking). E também tem bons números defensivos. Um exemplo: Marrocos teve 14 finalizações no empate por 1 a 1 com o Brasil, na fase de grupos; nesta quinta, contra a França, teve quatro. A classificação para as semifinais reforçou uma impressão deixada em jogos anteriores: que a França maneja o ritmo do jogo como bem entende. No primeiro tempo, talvez por causa do calor, administrou a velocidade da partida; no segundo, aumentou o compasso até construir o placar ao natural, com gols de Mbappé e Dembélé. Dembélé comemora seu gol em França x Marrocos REUTERS A atual vice-campeã mundial divide com a Espanha, sua possível adversária nas semifinais, o favoritismo ao título. Na Euro, há dois anos, perdeu por 2 a 1 – e no ano passado levou 5 a 4 em jogo insano pela Liga das Nações. Mas ela faz uma Copa mais consistente do que a dos espanhóis, embora eles mantenham a defesa incólume desde o início do torneio. Na prática, não há o que a França não tenha. Ela tem a continuidade de um trabalho iniciado por Didier Deschamps há 14 anos, mas também tem o sopro de renovação trazido por jogadores como o próprio Olise, de 24 anos, ou Doué, de 21, ou Barcola, de 23. Tem força física e leveza. Tem excelência técnica em uma série de jogadores, mas também tem o poder de decisão encarnado em Mbappé, um psicopata fascinado por gols. Acima de tudo, tem um time titular invejável e um banco que parece time titular. Assim que terminou o jogo contra Marrocos, os jogadores franceses comemoram com discrição. Nada de cambalhotas no gramado ou choro emocionado, como vem acontecendo com outras seleções. Pode parecer certa autossuficiência – sempre um risco. Ou pode ser a calma de quem soma todos os argumentos para cortejar mais um título. Mbappé tranquiliza sobre saída e comemora classificação: "Muito feliz"

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