Veja propaganda de Mizushima no Morumbi para empresa japonesa nos anos 80 Super Campeões dominou televisões de crianças e adolescentes nos anos 90 e começo dos anos 2000 no Brasil. O anime que conta a trama da seleção japonesa de juniores vai além de um simples desenho: além de ter ajudado para o crescimento do futebol no país, teve clara inspiração em elementos do futebol brasileiro. Nesta segunda-feira, Brasil e Japão se enfrentam pela segunda fase da Copa do Mundo, às 14h (de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos. Seleção faz último treino antes de jogo contra o Japão; veja provável escalação Entenda como os animes e o Brasil ajudaram a moldar a melhor era do futebol no Japão Animes e o Brasil ajudaram a elevar o nível da seleção japonesa Veja a tabela da Copa do Mundo Simule os resultados da Copa do Mundo O protagonista do anime é Oliver Tsubasa, meia promissor que inicia a carreira em uma escola do Japão, faz amizade com um ex-jogador brasileiro e, com o talento após jogar bem pela seleção de juniores, é chamado para jogar no Brancos Futebol Clube — time inspirado no São Paulo. A presença do Tricolor — mesmo que com outro nome — não é coincidência. Uma das inspirações para a criação de Tsubasa (e de Super Campeões) é Musashi Mizushima, meia japonês que atuou na equipe paulista por quase 10 anos. Seleção japonesa no anime Super Campeões Reprodução Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de todos os jogos Treinado de forma rigorosa pelo pai, Mizushima começou a jogar futebol com dois anos de idade. Ainda criança, o japonês tinha uma rotina de treinar, ao menos, seis dias por semana. Ele entrou para o time da escola, em Shizuoka, com cinco anos, e chamou a atenção até de Pelé, que viu o jovem quando foi ao Japão em 1974 para ajudar a promover o futebol no país. Na época, o Rei foi convidado pelo governo japonês quando se despedira do Santos. Pelé visitou escolas de Tóquio e gostou de Mizushima. Como o esporte era pouco desenvolvido no Japão, ele indicou para os pais do garoto tentarem a sorte no Brasil. Musashi Misuzhima participando de propaganda no Japão com camisa do São Paulo Reprodução/Tratada pelo São Paulo FC Mizushima fez testes em escolinhas de São Paulo em 1975, quando tinha 11 anos. Tentou no Santos, mas o Peixe, à época, não tinha uma categoria de base para atletas tão jovens. Mesmo com a primeira reprovação, seguiu no país até ser aprovado no Morumbi com a ajuda de Zoca, irmão de Pelé. Foram praticamente dez anos nas categorias de base do São Paulo, passando pelo primeiro time sub-11 da história do clube, chamada na época de "dentinho" ou "dente de leite", até o sub-20. Destro, ele chegou do Japão como ponta esquerda, recuou para o meio e terminou a carreira na lateral direita. 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google Propaganda de Misushima em panfleto da Mizuno nos anos 80 Reprodução/Tratada pelo São Paulo FC O japonês fez apenas um jogo oficial pelo São Paulo no chamado "Expressinho", apelido criado para o time reserva do Tricolor, contra o Bragantino, em 21 de abril de 1985. O japonês entrou no segundo tempo e foi o primeiro asiático e atuar de forma oficial no Brasil. No ano seguinte, ele foi emprestado ao São Bento. Musashi é um marco no Japão. Mesmo quando criança, ainda nas categorias de base, tornou-se uma estrela no país-natal, assinando contrato de publicidade com a Panafacom, empresa de microprocessadores que posteriormente se dividiu entre Fujitsu, Fuji e Panasonic, e a Mizuno. Diversos comerciais e vídeos sobre a rotina de Musashi foram gravados dentro do Morumbi e exibidos para todo o Japão. Em entrevistas, o jovem afirmava que se destacaria e se naturalizaria brasileiro para ser o camisa 10 da Seleção - ele sequer foi chamado para a seleção japonesa. "Se liga, Musashi": com camisa do São Paulo, jogador gravou comercial para Mizuno No Japão, ele foi o primeiro garoto propaganda de uma linha de chuteiras da marca esportiva. Diversas ações comerciais foram filmadas no Morumbi e estádios da capital paulista. O slogan era "Se liga, Musashi" e as propagandas eram marcadas pelo japonês, sempre com a camisa do São Paulo, marcando golaços e fazendo embaixadinhas. Veja uma das propagandas no vídeo acima. Musashi Misuzhima se naturalizou brasileiro com o sonho de jogar pela Seleção Reprodução/São Paulo FC Conexão Brasil e Argentina O desenvolvimento da carreira de Tsubasa Ozora, em Super Campeões, é inspirada em Mizushima e sua aventura no São Paulo, mas o protagonista do anime que dominou televisões no Brasil tem o personagem em si motivado por Diego Maradona. Os jogos dentro do anime são marcados por longos dribles — era comum ver Tsubasa conduzir a bola por segundos. A mecânica do jogo com campo praticamente infinito foi porque Yoichi Takahashi, autor da série, se inspirou no gol da "Mano de Díos", quando Maradona driblou mais de meio time inglês até balançar as redes (com toque de mão) na vitória da Argentina na Copa de 1986. Há 40 anos acontecia "La Mano de Dios" de Maradona contra a Inglaterra O primeiro contato de Takahashi com Maradona foi em 1979, na Copa do Mundo sub-20 disputada no Japão. Na época, o país nem sequer tinha uma liga profissional de futebol, mas recebeu o torneio como uma forma de tentar popularizar o esporte — à época, beisebol, sumô e karatê dominavam o gosto das crianças. Super Campeões surgiu como um mangá (uma espécie de sinônimo de gibi para desenhos japoneses) em 1981. Na época, o Japão nem sequer tinha uma liga profissional de futebol, e o beisebol era o esporte mais popular do país. Para ter como exemplo, até sumô e badminton ficavam à frente em termos de popularidade. Diego Armando Maradona recebe prêmio de melhor jogador do Mundial Sub-20 de 1979, no Japão Reprodução/El Gráfico A Argentina de Diego Maradona e Ramón Díaz passou por cima. Seis jogos, seis vitórias e apenas dois gols levados. O 'Pibe de Oro' virou um fenômeno no Japão, foi o melhor jogador da competição e até recebeu proposta para atuar pelo Sagan Tosu em 1990, mas recusou. — Há muito de Maradona na minha obra (Super Campeões). Não pude estar no estádio, mas vi todo o torneio na televisão. Conhecia Maradona, tinha uma ideia de como ele era incrível, mas seu rendimento me impactou. O Maradona que vi na televisão tinha uma aura avassaladora — explicou o autor. Oliver Tsubasa em Super Campeões: cabelo e fisionomia foram inspirados em Maradona Reprodução O jogo que nunca terminou A última cena de Super Campeões é justamente um jogo entre Brasil e Japão na estreia da Copa do Mundo de 2002. O anime acaba com todos os jogadores perfilados em campo no momento do apito inicial. O encontro entre os países em um Mundial fez internautas nas redes sociais lembrarem do icônico episódio. Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text

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