Turfe de luto: morre jóquei pernambucano aos 27 anos Uma última homenagem. Prestada pelo clube do coração. Morto depois de sofrer uma queda com o seu cavalo, o jóquei Leandro Henrique, um dos principais nomes do turfe brasileiro, foi lembrado pelo Flamengo neste domingo, com uma imagem no telão do Maracanã, antes do clássico contra o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro Nascido no Recife, Leandro morreu no último dia 19, aos 27 anos, após passar três dias internado. O jóquei sofreu o acidente no segundo páreo de uma prova no Jockey Club Brasileiro, na Gávea, no dia 16, após o seu cavalo sair da pista e pular os cavaletes, fazendo com que ele fosse derrubado. Leandro sofreu uma fratura exposta na região do quadril e um traumatismo craniano. Ele passou por uma cirurgia no hospital Municipal Miguel Couto, e depois foi transferido para uma unidade particular, onde permaneceu internado por três dias, até falecer. Jóquei Leandro Henrique é homenageado no telão do Maracanã antes de Flamengo x Botafogo Divulgação Aos 27 anos, Leandro Henrique havia chegado a um patamar que poucos alcançam. Era um dos melhores jóqueis do Brasil. Uma trajetória que foi interrompida de forma trágica. “A falta dele está me causando muita tristeza. Estou muito triste, mas a vida continua. Espero que a gente se encontre um dia", afirmou o pai, Adriano Reis. Pai do jóquei pernambucano Leandro Henrique, seu Adriano Marcelo Cabral O sonho no Recife; o salto no Rio de Janeiro A história de Leandro no turfe começou no Jockey Club de Pernambuco. Ainda criança, aos 9 anos, ele entrou na Escola de Pôneis, no Recife, por meio do projeto Jockey do Futuro. - Por incrível que pareça, quando Leandro começou, tinha gente que não queria que ele montasse porque ele caía muito, não tinha muito equilíbrio. Mas a gente teve muita paciência com ele -, conta Chico Mendonça, narrador oficial do Jockey de Pernambuco, que lembra da primeira vitória de Leandro, em 2011. “A partir dali, a genialidade dele despertou.” Leandro Henrique comemora a vitória no GP Brasil com o treinador Luiz Esteves João Cotta Foi aos 16 anos que a vida e a carreira mudaram. De cidade, estado e patamar. Leandro deixou o Recife em direção ao Rio de Janeiro para seguir o sonho de se tornar jóquei. - Ele teve uma coragem muito grande. Um garoto de 16 anos, ir para o Rio sem conhecer ninguém... Entrar no meio de um bocado de 'dragão', que no Rio só tem cabra bom montando. E ele enfrentou essa dificuldade todinha para chegar onde ele chegou -, exalta o pai. No primeiro ano no Rio de Janeiro, o pernambucano terminou a temporada 2016/17 como líder da estatística - que é a soma das vitórias no ano hípico, que vai de 1º de julho a 30 de junho do ano seguinte. Era apenas o início. Leandro foi acumulando conquistas. Venceu prêmios importantes, como o Bento Magalhães, o Cruzeiro do Sul, o Jockey Club Brasileiro, o Estado do Rio de Janeiro, o Presidente da República... Até que, em 2025, venceu o cobiçado Grande Prêmio Brasil, o único e último da carreira. Ao todo, foram 1.687 vitórias no Rio de Janeiro. "Este ano (2026) ia ser o ano de Leandro, porque ele tinha assinado um contrato com um dos maiores haras do Brasil, que é o Santa Maria de Araras, que disputa corridas fora, no exterior", diz Chico. No auge, a tragédia, o fim Leandro Henrique (de vermelho) conduz Sinsel na reta final do GP Brasil, seguido de Valparaiso (à direita) Sylvio Rondinelli Em 16 de agosto, quando disputava uma prova no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, Leandro perdeu o controle do cavalo, que saiu da pista. Leandro caiu e bateu na cerca. Na queda, sofreu traumatismo craniano e uma fratura exposta no quadril. O pernambucano foi socorrido e encaminhado a um hospital municipal do Rio de Janeiro. Passou por cirurgia e ficou internado em estado grave. No dia seguinte, foi transferido a um hospital particular, mas não sobreviveu. A tristeza, a saudade O vazio deixado por Leandro não tem explicação, não tem medida. Nos amigos, nos familiares. Na companheira, Victoria Mota, que é joqueta. Na filha do casal, Manoela, de apenas um ano e um mês. - Ele foi um exemplo muito grande de simpatia, de alegria, de muito respeito pelas pessoas. Não tenho dimensão do tamanho dele. Disseram para mim que Japão, esses cantos lá fora... Em todos os lugares ele é conhecido -, diz o pai, que se abraça nas melhores lembranças do filho para suportar a dor. "Acho que ele foi um exemplo no turfe nacional. Meu filho foi luz, estrela, orgulho."
A história de Leandro Henrique, o jóquei homenageado pelo Flamengo que morreu de forma trágica
Turfe de luto: morre jóquei pernambucano aos 27 anos Uma última homenagem. Prestada pelo clube do coração. Morto depois de sofrer uma queda com o seu cavalo, o jóquei Leandro Henrique, um dos principais nomes do turfe brasileiro, foi lembrado pelo Flamengo neste domingo, com uma imagem no telão do Maracanã, antes do clássico contra o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro Nascido no Recife, Leandro morreu no último dia 19, aos 27 anos, após passar três dias internado. O jóquei sofreu o acidente no segundo páreo de uma prova no Jockey Club Brasileiro, na Gávea, no dia 16, após o seu cavalo sair da pista e pular os cavaletes, fazendo com que ele fosse derrubado. Leandro sofreu uma fratura exposta na região do quadril e um traumatismo craniano. Ele passou por uma cirurgia no hospital Municipal Miguel Couto, e depois foi transferido para uma unidade particular, onde permaneceu internado por três dias, até falecer. Jóquei Leandro Henrique é homenageado no telão do Maracanã antes de Flamengo x Botafogo Divulgação Aos 27 anos, Leandro Henrique havia chegado a um patamar que poucos alcançam. Era um dos melhores jóqueis do Brasil. Uma trajetória que foi interrompida de forma trágica. “A falta dele está me causando muita tristeza. Estou muito triste, mas a vida continua. Espero que a gente se encontre um dia", afirmou o pai, Adriano Reis. Pai do jóquei pernambucano Leandro Henrique, seu Adriano Marcelo Cabral O sonho no Recife; o salto no Rio de Janeiro A história de Leandro no turfe começou no Jockey Club de Pernambuco. Ainda criança, aos 9 anos, ele entrou na Escola de Pôneis, no Recife, por meio do projeto Jockey do Futuro. - Por incrível que pareça, quando Leandro começou, tinha gente que não queria que ele montasse porque ele caía muito, não tinha muito equilíbrio. Mas a gente teve muita paciência com ele -, conta Chico Mendonça, narrador oficial do Jockey de Pernambuco, que lembra da primeira vitória de Leandro, em 2011. “A partir dali, a genialidade dele despertou.” Leandro Henrique comemora a vitória no GP Brasil com o treinador Luiz Esteves João Cotta Foi aos 16 anos que a vida e a carreira mudaram. De cidade, estado e patamar. Leandro deixou o Recife em direção ao Rio de Janeiro para seguir o sonho de se tornar jóquei. - Ele teve uma coragem muito grande. Um garoto de 16 anos, ir para o Rio sem conhecer ninguém... Entrar no meio de um bocado de 'dragão', que no Rio só tem cabra bom montando. E ele enfrentou essa dificuldade todinha para chegar onde ele chegou -, exalta o pai. No primeiro ano no Rio de Janeiro, o pernambucano terminou a temporada 2016/17 como líder da estatística - que é a soma das vitórias no ano hípico, que vai de 1º de julho a 30 de junho do ano seguinte. Era apenas o início. Leandro foi acumulando conquistas. Venceu prêmios importantes, como o Bento Magalhães, o Cruzeiro do Sul, o Jockey Club Brasileiro, o Estado do Rio de Janeiro, o Presidente da República... Até que, em 2025, venceu o cobiçado Grande Prêmio Brasil, o único e último da carreira. Ao todo, foram 1.687 vitórias no Rio de Janeiro. "Este ano (2026) ia ser o ano de Leandro, porque ele tinha assinado um contrato com um dos maiores haras do Brasil, que é o Santa Maria de Araras, que disputa corridas fora, no exterior", diz Chico. No auge, a tragédia, o fim Leandro Henrique (de vermelho) conduz Sinsel na reta final do GP Brasil, seguido de Valparaiso (à direita) Sylvio Rondinelli Em 16 de agosto, quando disputava uma prova no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, Leandro perdeu o controle do cavalo, que saiu da pista. Leandro caiu e bateu na cerca. Na queda, sofreu traumatismo craniano e uma fratura exposta no quadril. O pernambucano foi socorrido e encaminhado a um hospital municipal do Rio de Janeiro. Passou por cirurgia e ficou internado em estado grave. No dia seguinte, foi transferido a um hospital particular, mas não sobreviveu. A tristeza, a saudade O vazio deixado por Leandro não tem explicação, não tem medida. Nos amigos, nos familiares. Na companheira, Victoria Mota, que é joqueta. Na filha do casal, Manoela, de apenas um ano e um mês. - Ele foi um exemplo muito grande de simpatia, de alegria, de muito respeito pelas pessoas. Não tenho dimensão do tamanho dele. Disseram para mim que Japão, esses cantos lá fora... Em todos os lugares ele é conhecido -, diz o pai, que se abraça nas melhores lembranças do filho para suportar a dor. "Acho que ele foi um exemplo no turfe nacional. Meu filho foi luz, estrela, orgulho."
